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O Western & Southern Open Cincinnati 2017 tinha tudo para ser, até à data, um dos mais excitantes torneios da época tenística. Rafa Nadal estava na pole position para roubar a liderança do ranking a Andy Murray, Roger Federer preparado para conquistar o torneio americano pela oitava vez e assim roubar o prazer ao arquirrival espanhol e Alexander Zverev em grande forma depois de vencer a Coupe Rogers, em Toronto eram os grandes cabeças de cartaz da prova.. antes desta começar. Isto porque no dia anterior ao início da prova, Federer comunicou à organização que tinha dado “um mau jeito às costas durante o torneio de Toronto” (onde alcançou a Final) e por isso desistiu da competição.
Rafa Nadal soube então que, mesmo que não jogasse o torneio, seria número 1 do mundo novamente, na segunda-feira seguinte. Para além de Roger Federer, também Andy Murray, Novak Djokovic, Stan Wawrinka, Marin Cilic, Kei Nishikori e Milos Raonic estiveram ausentes desta prova. Rafa, Thiem e Zverev eram os únicos representantes do top10 naquele que acabou por ser um dos quadros principais mais fracos dos últimos anos, no que toca a torneios da categoria ATP1000.
Nadal surgia como (ainda mais) favorito, na primeira do quadro, que acabou por se revelar a mais complicada contando com Nick Kyrgios, Tsonga e Dominic Thiem. E o espanhol não se revelou particularmente inspirado por saber que regressaria de qualquer forma ao topo do ranking, acabando por admitir que “Cincinnati é um torneio historicamente difícil [para Nadal], onde é difícil encontrar boas sensações”, depois de perder nos quartos-de-final frente a Nick Kyrgios. O australiano, que tem tido uma época (mais uma) marcada pela irregularidade e displicência ao longo do circuito profissional, pareceu estar contente em Cincinnati e isso reflete-se imediatamente quando entra no court.

Fonte: Western & Southern Open
Sem quezílias, duplas-faltas propositadas, ou conversas com elementos do público durante os seus encontros, Kyrgios (atual 18º no ranking ATP) manteve-se tranquilo e a jogar o seu bom ténis vencendo, depois de Nadal, outro espanhol, o veterano David Ferrer num dos melhores e mais intensos encontros do torneio (Kyrgios d. Ferrer 7/6(3); 7/6(4) ). Iria encontrar na Final um Dimitrov fresco, e que até à hora não tinha perdido qualquer set.
O búlgaro viu a sua metade do quadro abrir quando o único representante do top10 inserido nessa metade e 4º cabeça-de-série Alexander Zverev perdeu no primeiro encontro frente ao jovem da casa Frances Tiafoe – derrota um tanto ou quanto compreensível dado o desgaste físico e psicológico que acarreta a vitória de um Masters1000 dois dias antes de jogar de novo, em Cincinnati. Dimitrov chegou à Final com uma certa naturalidade e viu em Kyrgios o único capaz de, sendo capaz de manter a postura profissional, lhe causar sérios problemas.
Foto de Capa: Western & Southern Open
Na derradeira partida os dois jovens promissores protagonizaram uma boa partida de ténis, marcada por pancadas fortes do fundo do court salteadas com momentos de fino recorte técnico, incendiando o Court Central com amorties e trocas de bolas longas e espetaculares (um hábito destes dois jovens prodígios). Desde cedo se percebeu que Kyrgios queria (como sempre) assumir as rédeas da partida e ser ele a controlar os pontos, com as suas direitas supersónicas do fundo do court. O destino do troféu dependia então de dois pormenores (que se revelaram “pormaiores”): iria Kyrgios conseguir, consistentemente, disparar winners do fundo do court? E como iria Dimitrov preparar taticamente a partida, de modo a contrariar a potência de Kyrgios?

Fonte:Western & Southern Open
Começando pelo fim, a resposta à segunda pergunta pode ser dada em duas palavras. Com mestria. Grigor Dimitrov (e a sua equipa técnica obviamente) prepararam com detalhe a partida mais importante da carreira do búlgaro e, baseado numa consistência atípica sustentada por um velocíssimo jogo de pés, Dimitrov conseguiu sempre colocar mais uma bola em jogo muitas vezes deslizando no hard court (fazendo lembrar Gael Monfils) e dessa forma obrigou Kyrgios a atacar a bola outra, e outra vez…acabando por falhar. A estatística do encontro é esclarecedora:
Duração das trocas de bola: Pontos ganhos
– 0-4 pancadas : Kyrgios 38 / Dimitrov 34
– 5-9 pancadas: Kyrgios 13 / Dimitrov 18
– 10+ pancadas: Kyrgios 1 / Dimitrov 15.
Dimitrov venceu então o seu primeiro torneio da categoria ATP1000, revelando que está em boa forma e aspira a um bom resultado no último Grand Slam do ano, com vista a alcançar o top8 que lhe daria acesso ao Nitto ATP Finals. Já relativamente a Kyrgios o mesmo não se pode dizer, já que se estiver no seu melhor, o australiano pode vencer qualquer torneio, incluindo o US Open.. o problema é mesmo conseguir manter a postura e a concentração necessárias para tal pois ténis, já está provado que Kyrgios tem, e muito.
Foto de Capa: Western & Southern Open
Artigo revisto por: Francisca Carvalho












