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Djoker foi o vencedor de um torneio emocionante

Henrique Carrilho · 4 min

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Este é o rescaldo de um dos mais emocionantes (e menos previsíveis) Grand Slams dos últimos anos, sem grande margem para dúvidas. Se, à partida, Roger Federer – mesmo vindo de um intervalo competitivo de umas largas semanas – era o grande favorito a levantar o troféu pela 9ª vez, tudo fugiu à regra tornando uma quase anunciada vitória do suíço num inesperado êxito de um dos homens mais falta fazia sentir ao circuito ATP.

O torneio começou com alguma turbulência no que diz respeito às prestações dos que habitualmente fazem doer a cabeça aos melhores do mundo. Falo de Borna Coric, Grigor Dimitrov, Dominic Thiem, Verdasco (todos eliminados na ronda inaugural) Shapovalov, eliminado na segunda ronda, e Nick Kyrgios e Alexander Zverev, que foram ambos para casa ao fim do 3º encontro respetivo.

Chegados à segunda semana, Federer e Rafa Nadal mostravam-se seguros e tranquilos, superando todos os seus adversários em 3 sets apenas. Com o quadro mais aberto, aqueles que melhor aproveitaram os “brindes” acima referidos foram Juan Martin Del Potro, Kevin Anderson, John Isner e… Novak Djokovic. O sérvio, que após a derrota em Queen’s havia declarado ainda não ter a certeza se iria disputar Wimbledon ou não, deu nas vistas por duas vezes – frente a Kyle Edmund vencendo por 3-1 e frente a Kei Nishikori vencendo pelo mesmo resultado num encontro que ofereceu dificuldades ao atual 10º classificado do ranking ATP.

Nos quartos-de-final surgiu a primeira grande surpresa, certamente considerada uma desilusão para a maior parte dos fãs de Wimbledon. Em pleno Centre Court, e depois de – com naturalidade – vencer os dois primeiros sets frente ao sul-africano Kevin Anderson, Roger Federer quebrou emocionalmente e entrou numa espiral de erros raros e que dificilmente serão compreendidos ao olho nu do mais comum espetador, e acabou por ser surpreendido por um Kevin Anderson pouco arriscado, seguro da sua arma mais forte que é o seu serviço e letal nos pontos curtos. Anderson superou assim essa desvantagem e chocou o mundo ao vencer Roger Federer por 2/6; 6/7; 7/5; 6/4; 13/11, ao cabo de quatro horas e quinze minutos de encontro.

Federer revelou uma faceta pouco comum e quebrou no momento chave
Fonte: ATP Wimbledon

Nesse mesmo dia, Wimbledon temeu ficar “órfão” dos seus grandes embaixadores, quando depois do suíço ser eliminado, Rafa Nadal entrou em campo e se viu atrás do marcador por 2 sets a 1, frente ao sempre perigoso Juan Martin Del Potro. Ainda assim, o “toro” de Maiorca mostrou a sua raça característica e levou de vencidos os sets seguintes e, consequentemente, garantindo a passagem às meias-finais onde ia encontrar o seu velho rival Novak Djokovic, ainda sem ter bem certeza de que sérvio encontraria do outro lado da rede.

Para desalento do maiorquino, o pior cenário concretizou-se mesmo e o líder do ranking mundial viu-se obrigado a defrontar o melhor Djokovic de que há memória nos últimos dois ou três anos. Num jogo de ténis que fica para a história pela sua qualidade, emoção, “violência” e suspense (o jogo teve de ser interrompido, e concluído um dia depois de ter sido iniciado), Novak Djokovic confirmou o que poucos acreditavam ser possível e mostrou que está de regresso, e veio para ficar, vencendo Nadal num louco encontro de ténis, decidido nos mais ínfimos detalhes do derradeiro set, tendo o resultado final sido 6/4; 3/6; 7/6; 3/6; 10/8.

Do outro lado do quadro, “não satisfeito” com a maratona percorrida frente a Federer, Anderson recebeu como prémio o direito a defrontar o detentor do título de vencedor do jogo mais longo de sempre, o americano John Isner. Como seria de esperar, a única emoção que o jogo trouxe foi semelhante aquela gerada nos penáltis de uma semi-final de campeonato do mundo entre dois underdogs – é ver serem disparados dezenas de mísseis no serviço de cada um dos jogadores e esperar ver uma quebra que permita o break, desenvencilhando o empate técnico. Assim, não é de esperar que este tenha sido o segundo encontro mais longo da história de Wimbledon e, ao longo de mais de seis horas, Kevin Anderson foi aquele que sobreviveu e chegou à Final (Anderson d. Isner 7/6; 6/7; 6/7; 6/4; 26/24).

Kevin Anderson foi um dos destaques principais desta edição do Grand Slam londrino
Fonte: ATP Wimbledon

Chegado o dia da grande final, alguns acreditavam mesmo que o gigante sul-africano poderia vergar Djokovic tal como havia feito a Roger Federer dias antes. A maioria, porém, estava segura de que o sérvio não se deixaria surpreender como os seus pares, e iria impor a sua lei, sagrando-se campeão em Londres pela quarta vez – o que aconteceu, com naturalidade. A junção de cansaço e incapacidade técnica para fazer frente a um Novak Djokovic “endiabrado” fez com que a tarefa o sérvio fosse muito simples, tendo este vencido por 6/2, 6/2 e 7/6, arrecadando o troféu que lhe escapava desde 2015, dois anos depois de ter vencido o seu último torneio do Grand Slam (Roland Garros, 2016).

Depois de Nadal confirmar que está em boa forma, independentemente da superfície, Federer mostrar pela primeira vez nos últimos 18 meses que sim, também erra nos momentos difíceis, e Djokovic mostrar que veio em grande forma, ganhando a confiança que lhe faltou durante meses para jogar o seu melhor ténis, parece-me justo dizer que teremos um dos melhores e mais disputados fins de época dos últimos anos. E que falta sentíamos disso!

Foto de Capa: ATP Wimbledon

Henrique Carrilho

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