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ATP 250 Estoril Open 2021 #3 | Um dia de surpresas

Diogo Rodrigues · 8 min

Foto de Capa: Estoril Open

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A ronda dos Quartos de Final da sexta edição do Millennium Estoril Open prometia grandes duelos. Quanto mais não fosse, porque ainda contavamos com dois dos três primeiros cabeças-de-série em prova, o chileno Christian Garin, segundo nessa lista e Ugo Humbert, terceiro maior favorito a conquistar o torneio, após o mais cotado, o canadiano Denis Shapovalov ter “caído” de forma inesperada no dia anterior. Reforçar que as previsões pareciam indicar, algo que se cumprira, que a chuva não estragaria o dia!

GARÍN CEDE LOGO AO PRIMEIRO TESTE

Foi a abrir a programação do court central que chegou a vez do chileno Christian Garin  defrontar o britânico e número 50 mundial, Cameron Norrie, que afastara João Sousa logo de entrada. Saliente-se que o sul americano cumpriria o seu primeiro encontro no Clube de Ténis do Estoril. O atleta, que adquiriu nacionalidade britânica, mas que nascera em Joanesburgo, África do Sul, vinha de atingir esta fase da prova na pretérita semana no ATP 500 de Barcelona, capitulando aí para o futuro vencedor da prova na cidade condal Rafa Nadal. Era de esperar que o inglês , que estava no melhor momento da carreira, desse bastante “água pela barba” ao tenista sul-americano, especialista em terra!

O duelo iniciou-se com bastante nível tenístico e com ambos a igualarem-se. Até que o chileno de 24 anos, fruto de uma maior agressividade bem como de uma maior consistência de fundo do court fez a primeira quebra de serviço ao sexto jogo. Desde aí, ainda que com Norrie a  ameaçar com maior insistência, o natural da capital S. Tiago lá foi passando incólume nos seus jogos, triunfando no primeiro parcial por 6-3, decorridos 41’.

A segunda partida começava e o nível bastante alto ia-se mantendo, sendo que ambos iam optando por longos embates principalmente nos jogos de serviço do chileno. Contudo foram estando a par, até ao cinco igual, embora agora fosse o tenista mais velho, Norrie, quem ia estando mais competente. Com Garin a servir ao 11º jogo dar-se-ia o único break deste segundo parcial, com o tenista que nascera na África do Sul a capitalizar a oportunidade, arrecadando este set do meio por 7-5, ao cabo de 61 minutos.

Com a duração da disputa a ganhar forma, pois os relógios já haviam dado por duas ocasiões a volta ao ponteiro das horas, a mesma parecia afrouxar em termos de intensidade. Assim, o atleta que ocupa um lugar bem perto do Top 20 parecia estar a caminhar-se rumo às meias finais, dado que foi ele a quebrar primeiro. Contudo, o jogador de nacionalidade britânica nunca se deixou abalar, ripostando de imediato, sendo que voltaria a repetir a dose ao sexto jogo, granjeando nesse momento uma liderança que duraria até ao cumprimento à rede, ou como quem diz até ao final da partida, conquistando-a pelo score de 6-3.

Deste modo e ao fim de aproximadamente  2h30m de ténis de alto nível estava operada a eliminação do tenista mais credenciado a atingir esta fase do torneio.

UM DUELO DE TORRES QUE SOUBE A POUCO

O segundo embate da jornada colocava frente a frente dois verdadeiros “armários”. De um lado, Marin Cilic, croata de 1.98m, que na ronda anterior pôs termo a uma grande semana de Nuno Borges, com o antigo número três mundial vencedor de Majors e detentor de uma Taça Davis no seu palmarés. Enquanto que, do outro lado da rede, com 2.03m estava o sul-africano, que já militara nos dez primeiros da tabela ATP, bem como havia marcado presença na final do US Open. Kevin Anderson foi, por constrangimentos físicos relegado para o posto 105 da hierarquia mundial, apesar de já ter somado pontos que o faziam saber que, mesmo saindo derrotado, voltaria ano e meio depois a retomar uma posição no Top 100.

O duelo até começou com pontos de break para ambos os lados. No entanto, o tão aguardado duelo de serviços ia sendo mesmo a matriz numa primeira partida na qual as oportunidades de desequilíbrio não voltaram a aparecer. De modo que, a decisão seria mesmo tomada pelo sempre imprevisível tie-break, algo que era uma constante nos confrontos entre os dois gigantes. Aí, foi o sexto pré-designado a revelar maior confiança, tal como maior competição ao mais alto nível, visto que Anderson nos últimos tempos mal tem conseguido realizar encontros no circuito principal, com o croata a superiorizar-se nesse jogo decisivo por 9-7, isto apesar de o mais alto ter disposto de ponto de set.

Com o sul-africano a denotar por várias vezes dificuldades em servir forte, principalmente na reta final do primeiro parcial, visto sentir dores na zona das costas, seria forçado a ficar por aqui, sendo que anunciava a sua retirada do encontro ainda antes de ver o segundo parcial iniciar-se. Assim sendo Cilic seria o adversário de Norrie na meia final, sendo que de seguida se ficaria a conhecer o elenco da outra contenda.

Foto de Capa: Estoril Open

APÓS TOCAR NO CÉU, UM REGRESSO À REALIDADE

O embate que se seguiu, seria protagonizado por dois antagonistas de propensões bem diferentes: por um lado contávamos com a solidez , a experiência e maior habituação ao piso por parte de Albert Ramos-Vinolas. O catalão é o detentor do 46º posto da tabela individual masculina, um verdadeiro “habitué” da superfície, que ostentava o desígnio de cabeça-de-série número sete do torneio. Neste encontro, encontrava o francês, que deixara de fora Denis Shapovalov, Correntin Moutet, que ocupava, à entrada da competição, a 73ª posição mundial.

As intenções táticas de Ramos seriam simples de delinear, forçar ao máximo pontos bem longos, tentando explorar a inconstância, quer de rendimento desportivo, bem como mental do seu oponente. Foi de forma normal e sem grandes sobressaltos que o hispânico foi tomando conta da ocorrência, com o gaulês a denotar uma opção quase que obsessiva por recorrer ao “amorti”, pancada que com o desfiar do desafio o adversário foi acabando por ler melhor, sendo que esse golpe foi perdendo assertividade e eficácia. Com o diferencial ao cabo desse primeiro set a fixar-se num placard de 6-4.

O francês ia mantendo a mesma toada de fio de jogo, mas agora Ramos parecia estar a “descair”. Entretanto, o jovem ia mantendo diálogos quase que constantemente com a sua equipa técnica e com o juiz de cadeira, o luso Carlos Ramos, perdendo com a prática de tais atitudes e não conseguindo capitalizar o mau momento que Ramos ia vivendo.

Já com a frustração a atingir o seu auge foi então que, conjugada com a subida de rendimento de Ramos, acabaram por dar origem ao seu sucesso. No final, a segunda ficou resolvida com um 6-3, com a sua passagem do espanhol a consumar-se em 1h50m. Assim se confirmou que é necessário muito mais do que bons fundamentos de jogo para almejar ter resultados consistentes, sendo que a parte mental é fator decisivo para um tenista de topo se manter focado constantemente, com Moutet a não conseguir aproveitar a “embalagem” que adquirira no dia anterior.

UMA INCONSTÂNCIA QUE CUSTOU BEM CARO A HUMBERT

Já com a noite a irromper, o court central acolhia a partida entre Ugo Humbert, terceiro pré-designado, oriundo de França e número 31 mundial e Alejandro Davidovich Fokina, curiosamente um atleta que, embora atrás no ranking, número 48, vinha numa sequência de melhores resultados. Destaque-se que este espanhol de origem balcânica chegara na edição transata até à penúltima fase da competição.

Parecia, contudo, que Humbert teria uma tarefa bem mais facilitada, visto que o tenista de apenas 21 anos, o mais novo ainda em prova, entrava bastante nervoso e irregular, anotando vários erros, com o francófono a somar os dois primeiros jogos do encontro. Apesar de tal começo, Fokina foi ficando mais consistente, usando tanto a esquerda batida como a cruzada para penetrar a mente do seu oponente, com o ascendente a mudar e o break a ser recuperado de pronto.

Desde então e, ao longo do set inicial, foi sempre o hispânico a estar nitidamente mais esclarecido. Humbert decidiu quase sempre mal, querendo encurtar a duração das jogadas, terminando invariavelmente por cometer o erro. Resultado? A primeira partida era concedida pelo parcial de 6-4, após 40′.

O deserto de ideias, bem como de soluções, parecia ir continuando a afetar o jogo do mais cotado, que entrava numa espiral de negativismo, tantos eram os erros não forçados que ia cometendo, sendo que, já tinha uma quebra de serviço contra no segundo set. Contudo, Fokina ainda “abanou”, com a configuração do duelo a ameaçar sofrer uma mutação, mas Humbert durou apenas cerca de uma dezena de minutos sólido, visto que voltou ao que anteriormente havia demonstrado: muita inconsistência, irregularidade e, mais que tudo, pouco predisposto a operar a remontada.

Após 80 minutos de um encontro que acabou por desiludir, pois esperavam-se muitos “pontos ganhantes”, sendo que se registaram bem mais erros. Assim, Fokina acabou por enviar mais um dos favoritos para casa, marcando agora duelo com Ramos na fase seguinte do torneio.

Contada a história dos quartos, falta apenas referir que as meias finais, jogar-se-ão já este sábado. A primeira partida está agendada para as 12h00, ao passo que a segunda está previsto iniciar-se nunca antes das 16h.

Diogo Rodrigues

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