Mais respeito pelo melhor português de sempre!

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Parece-me inegável afirmar que João Sousa atravessa um momento menos bom na sua carreira tenística, mas algo que eu não consigo compreender é a constante necessidade de alguns portugueses menosprezarem os feitos do vimaranense ao longo destes últimos anos somente para criticar e gracejar quando o tenista não consegue vencer os seus encontros.

Para os mais críticos, aproveito para dizer duas datas: 29 de Setembro de 2013 e 1 de Novembro de 2015, sabem o que têm em comum estes dois dias? Foram as datas nas quais o tenista português conseguiu vencer os dois torneios do ATP World Tour, em Kuala Lumpur (Malásia) e Valência (Espanha) algo impensável no panorama nacional se recuarmos uns anos no tempo.

Com isto não estou a desvalorizar as gerações anteriores, repletas de tenistas de qualidade como Rui Machado, Nuno Marques ou João Cunha e Silva, entre muitos outros. Mas claramente há uma era antes de João Sousa e depois de João Sousa, que pode ser verificada através de estatísticas, ora vejamos: antes do auge do João, o nosso país só tinha alcançado uma final de um torneio ATP (Frederico Gil no Estoril Open 2010, num jogo absolutamente épico e que podia ter dado o primeiro troféu de sempre, mas infelizmente o espanhol Albert Montañes levou a melhor), neste momento contamos com 11, duas das quais vencidas nas datas acima descritas.

Fora isto, podemos acrescentar terceiras rondas em três dos quatro grand slams, Australian Open, Wimbledon e Us Open, quartos-de-final no Masters 1000 de Madrid, e tentos outros resultados de relevo, nos maiores torneios do mundo.

De referir também que os títulos foram em torneios da série 250, a categoria mais baixa do escalão ATP, mas por exemplo na Malásia o João derrotou o espanhol David Ferrer nos quartos-de-final, então número quatro do ranking e em Valência foi Roberto Bautista-Agut o último obstáculo rumo à segunda conquista.

João Sousa tem tido uma época difícil
Fonte: João Sousa

Por estas e por outras é que o legado do tenista natural de Guimarães é tão importante para fazer crescer este desporto num país dominado pelo futebol. Por isso é que eu fico tão chateado quando me deparo com criticas injustificadas ao jogador nacional, é certo que há coisas que devem ser melhoradas, e algumas criticas, desde que devidamente justificadas, até podem ajudar no desenvolvimento do nosso jogador, mas nunca as ofensas pessoais ou insultos baratos resolvem o problema.

Há certas partes do jogo de Sousa que devem ser melhoradas, como a sua frágil pancada de esquerda ou o fraco e atacável segundo serviço, e talvez uma mudança técnica fosse favorável para a melhoria do estilo de jogo, mas Frederico Marques esteve presente em todos os grandes momentos do seu pupilo, logo também é uma peça-chave no sucesso do vimaranense, por isso também ele merecia outro tipo de tratamento.

Para finalizar, o currículo de João Sousa, que também inclui o número 28 no ranking como melhor marca e o facto de ter sido cabeça-de-série em alguns torneios do grand slam exigem outro tratamento por parte dos adeptos. Criticar sim, mas com respeito pelo legado que o melhor jogador português de sempre irá deixar a partir do momento em que decidir abandonar a sua carreira desportiva. Gostaria imenso que daqui a uns anos já houvesse um tenista que ultrapassasse largamente os feitos do João, e há atletas com potencial para o atingir, mas nunca pode ser esquecido ou desvalorizado tudo o que ele deu ao ténis português.

Foto de Capa: Valência Open

Eduardo Nunes
Eduardo Nuneshttp://www.bolanarede.pt
Estuda economia em Coimbra, mas não deixa de prestar especial atenção ao que se passa no universo do desporto. O desporto preferido é Ténis, mas não perde uma oportunidade de acompanhar a Académica e o Benfica nas mais variadas modalidades.

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