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Sabia que, um dia destes, este texto teria de ser feito. Acredito que não será tão complicado quanto uma possível Carta Aberta, que poderei fazer na altura em que se retirar, mas não quero, para já, sequer pensar nessa possibilidade, de não termos o privilégio de ver um jogador como este nos courts…
Apesar da sua grandeza ser vista muito além dos números, é importante salientar o que Roger Federer tem feito, ao longo da sua impressionante carreira, 18 torneios do Grand Slam; 24 Masters 100 (no total, 89 torneios ATP); um recorde com 302 semanas como número 1 mundial (sendo que esteve cerca de 237 semanas seguidas, outro recorde), entre 2004 e 2012; tem o Grand Slam de Carreira; é o único a ter vencido por 3 vezes os 3 de 4 torneios do GS na mesma temporada; e é o único da história a ter, pelo menos, 5 vitórias em 3 dos 4 Grand Slam’s existentes.
Aliado a isto, apresenta 28 finais do Grand Slam disputadas; é recordista com 6 títulos do ATP World Tour Finals; tem 4 prémios consecutivos nos Laureus, que são dos mais importantes prémios para qualquer desportista; tem 2 medalhas em Jogos Olímpicos, uma de ouro ganha em pares (Pequim 2008) e uma de prata ganha em singulares (Londres 2012); apresenta mais de 1300 partidas disputadas em toda a carreira, sendo essa uma das maiores marcas da história; e já venceu, igualmente a Taça Davis, pela sua seleção, a Suiça, em 2014.
Essa Taça Davis marcou mais um importante feito histórico de Federer, visto que apenas ele, e o bem conhecido ex-tenista norte-americano, Andre Agassi, conquistaram os 4 Grand Slam’s, a Taça Davis, a medalha de ouro olímpica e o ATP World Tour Finals (Rafael Nadal poderá ser o próximo a juntar-se a este elenco de luxo, mas precisará de vencer um ATP World Tour Finals).

Fonte: sportskeeda.com
Tem mais de 1050 vitórias – 316 correspondem aos eventos de Grand Slam, sendo, mais uma vez, o número 1, neste aspeto, em todo o circuito masculino – desde que começou o seu percurso profissional, e é o segundo tenista com mais vitórias de sempre, apenas atrás de Jimmy Connors, que conquistou 1242 vitórias na sua carreira.
Dados impressionantes? Sem dúvida. E o que torna isto tudo tão “monstruoso” é que ainda se poderia dedicar mais uns parágrafos às estatísticas e aos recordes de Federer. Aquele menino, que começou a jogar aos 8 anos, provavelmente nunca achou que chegasse a este patamar, mas a verdade é que a sua evolução foi realmente bem acompanhada e, apesar de nos primeiros anos não ter sido um jogador assim tão mediático, acabou por ganhar, a seu tempo, todas as atenções possíveis até chegar ao brilhante profissional, e pessoa, que é hoje.
É incrível verificarmos que é o segundo jogador que tem mais dinheiro acumulado desde sempre, mas que essa riqueza consegue ser bem superada pela sua riqueza dentro do campo de batalha e pela riqueza da sua pessoa. É impossível deixar de lado certas palavras quando nos referimos a este tenista, que é a arte em pessoa e um artista do mais completo que possa existir, e em que a raquete quase aparece como uma, real e natural, extensão do seu braço.
No meu caso, gosto especialmente de o designar como “a classe em pessoa”. Mas ele é muito mais para além disto: é fair-play, é dedicação, é elegância, é “smooth”, é a complexidade da simplicidade, é devoção, é uma espetacular longevidade, é um transbordar, novamente, de classe, é a glória em todo o seu esplendor e é tanto mais e mais…
Indo um pouco para os momentos mais recentes, acredito que deve ter sido complicado ter de abdicar da segunda metade de 2016 para recuperar de uma lesão que teria de ser curada, se ele quisesse mesmo continuar a jogar por mais uns bons anos.

Fonte: 9gag.com
Desistir não pertenceu, não pertence e não pertencerá ao vocabulário de Roger Federer. Nunca abandonou um jogo a meio, sempre recuperou bem de qualquer lesão que teve e, no momento em que abandonar profissionalmente este desporto, não será porque quererá desistir, mas sim porque verá que não terá mesmo mais nada para dar a este desporto e a todos os seus fãs, deixando a vida seguir o seu rumo, e os mais jovens começarem a ganhar outro tipo de protagonismo.
É impressionante que, depois de uma lesão, de 6 meses de recuperação (que o afastaram dos 10 melhores da hierarquia e de algumas provas importantes) e após os seus 35 anos, este tenista quase “sobre-humano” consiga entrar num Grand Slam da forma que entrou, só parando na final, e depois de conquistar a mesma. Poucos acreditaram e, felizmente, eu fui daqueles que nunca se cansou de dizer que ainda veria Federer a erguer um possível último – espero que não o seja, obviamente… – troféu do Grand Slam, e a acreditar sempre.
Naquela final, bem… Naquela final estava o seu maior rival de sempre: aquele que havia derrotado mais vezes o tenista suíço do que este o havia derrotado. Depois de todo um esforço para chegar a esta final e, após superadas quaisquer expetativas que existissem, Federer voltou a não quebrar e realizou um dos melhores jogos de que me lembro de o ver fazer contra Nadal.
O jogo em si não foi tão bom quanto o que estas lendas já realizaram no seu passado, mas valeu muito pelo simbolismo e por aquele quinto e último set. É interessante verificar que, provavelmente, um dos fatores que levou o mais recente vencedor do AO a ganhar foi, exatamente, a vertente mental/psicológica, algo raro de acontecer nestes jogos, onde o espanhol claramente se destacava nesse aspeto.

Fonte: ibtimes.co.uk
Com 35 anos, e com uma última vitória em torneios do Grand Slam a datar já do distante ano de 2012, em que venceu Wimbledon, poucos seriam os tenistas a fazer o que este homem fez e, principalmente, depois de uma lesão. Além disso, ainda iria jogar esta final contra Rafael Nadal, outro jogador com problemas recentes com lesões e um dos melhores tenistas de sempre e, também, o melhor tenista na terra batida de todos os tempos.
O título ficou confirmado com a ajuda do sistema eletrónico de arbitragem, algo que, curiosamente, nunca teve muito o apoio de Roger Federer. O resto… Enfim, o resto é história e é emoção, é querer e é glória, é o espetáculo em ação. O “eterno” e único “King Federer” festejou como se do primeiro Grand Slam se tratasse: foi incrível, um momento sem palavras para qualquer apreciador ou fã deste desporto.
No momento das declarações, outro aspeto comprovado: a amizade pura e genuína que reside entre dois senhores do ténis e do desporto mundial. Uma capacidade de fair-play assinalável e um respeito imenso entre ambos. Vejamos, por exemplo, uma das coisas que Federer disse: “O que fizeste foi incrível. No ténis não há empates, mas se houvesse aceitaria empatar este encontro contigo hoje. Por favor continua a jogar ténis. O ténis precisa de ti…”. Palavras, estas, bastante precisas e acertadas, não é verdade? Classe, humildade e reconhecimento, tudo em poucos segundos e em poucas palavras.
Quem me conhece sabe que nunca fui muito apreciador do estilo e do ser de Rafael Nadal, mas a verdade é que, até graças ao próprio Roger Federer, tenho conseguido entender melhor a forma de ser do espanhol, que conquistou muito respeito. Obviamente que, para mim e para muitos, nunca chegará ao patamar do “Rei do Ténis”, mas consigo entender e admitir que estará lá por perto quando terminar a sua carreira.

Fonte: mirror.co.uk
Uma das últimas razões que aponto aqui para o vencedor de 18 Grand Slam’s ser uma verdadeira inspiração para muitos é o facto de nunca se autoproclamar como sendo o melhor, mas sim, demonstrá-lo todas as vezes que entra naqueles courts, a cada dia que passa, a cada jogo que faz e a cada vitória que conquista. Os outros, até os seus maiores rivais, reconhecem tudo isto e, muitos deles, admitem que é mesmo o melhor que já viram e o melhor que alguma vez pisou qualquer tipo de terreno nos encontros de ténis.
Por fim, deixar um pedido: que nos próximos tempos não se ouça ou leia sequer a palavra “reforma”. Quero acreditar que isso ainda está longe de acontecer e que teremos este maestro, e mestre, a jogar por mais alguns anos. Um enorme obrigado por tudo o que Roger Federer tem dado ao ténis e ao desporto. Para as gerações futuras, um desejo: tentem ver e rever os jogos de Federer e, para quem quiser ser tenista, inspirem-se, porque valerá bem a pena. Estamos na presença do melhor tenista de sempre e de um dos melhores desportistas de sempre!
Artigo revisto por: Diana Martins













