O conforto não combina com sucesso

- Advertisement -

A pequena população de cada um destes países parece não servir de razão, visto que “até” Portugal – um país com 11 milhões de habitantes e pouca tradição no ténis – tem 4 atletas no top-200 ATP

Se olharmos para a lista dos números 1 do mundo do ténis, quer nos homens quer nas senhoras, rapidamente podemos verificar que muitas são as suas nacionalidades. Desde a Suíça à Bielorrússia, passando pelos Estados Unidos, muitos países tiveram (e, tradicionalmente, têm) o privilégio de poder partilhar nacionalidade com o melhor ou a melhor tenista do mundo durante um determinado período.

No artigo de hoje, venho abordar o caso dos países nórdicos e tentar esmiuçar o porquê de, salvo exceções de que falarei mais à frente, haver tão poucos nomes grandes nos circuitos profissionais masculino e feminino. Dinamarca, Suécia, Finlândia e Noruega são provavelmente olhados pelo resto da Europa como se fossem os quatro “irmãos” que são conhecidos por serem os países aparentemente mais felizes, mais ricos, com melhores condições de vida, enfim… que proporcionam mais conforto àqueles que neles habitam. Desde que embarquei, há uns largos meses, para a Dinamarca, deparei-me com algumas surpresas – umas fantásticas, outras menos. Tenho a sorte de poder aqui acompanhar de muito perto o ténis nacional, a formação e as diferentes fases de desenvolvimento de muitos atletas e nestes quase sete meses começo a retirar algumas conclusões que aqui partilho com os leitores do Bola na Rede.

Em primeiro lugar sim, em termos de infraestruturas, não vejo muitas razões de queixa para os clubes e os seus atletas. Devido ao (horrível) clima dinamarquês – nórdico em geral – os municípios consideram que a prática desportiva é indispensável para a sanidade física e mental dos seus habitantes e por isso são muitos os pavilhões, as arenas e os complexos desportivos cobertos onde, no caso do ténis, se disputam 2/3 da época, sendo que os atletas apenas “saem à rua” por volta de maio e “recolhem de novo” por inícios de setembro. Se muitas vezes a falta de apoio público é o fator apontado pelos clubes e atletas portugueses para resultados menos vistosos, aqui não é essa a realidade.

O melhor tenista nórdico da atualidade, em ação em Portugal. Conhece?
Fonte: ATP

Rapidamente reparei também na disponibilidade financeira de uma grande fatia dos atletas de todos os escalões etários – raquetes, equipamento, cordas, e sapatilhas novas são constantes com o passar das semanas, tanto nos torneios como nos treinos. A facilidade económica dos “paitrocinadores” é também notória e é uma prática comum a adição de aulas privadas às duas ou três aulas coletivas que os atletas de formação têm ao longo da semana.

Então por que raio não vingam muito mais os atletas desta região do planeta? Afinal, a indisponibilidade económica e a inexistência de infraestruturas apropriadas e disponíveis para os atletas representam uma grande fatia das razões que levam os jogadores a abandonar a modalidade, não é?

Ora bem, na minha opinião é fundamental juntar aos fatores acima referidos o fator “Conforto”. Passo a explicar. Qualquer aspirante a atleta profissional, ou mesmo os fãs mais atentos do desporto em geral sabem que, por experiência própria ou relato na primeira pessoa das maiores estrelas, um denominador comum a 99% deles é a busca incessante por alcançar um sonho distante ou uma vida confortável para eles e para aqueles que os rodeiam. Saltam-me imediatamente à memória os casos de Cristiano Ronaldo no futebol ou de Serena Williams no ténis. Pois essa realidade, em que desde jovens estes “guerreiros” se veem obrigados a contornar obstáculos atrás de obstáculos em busca de um sonho, é muito difícil de encontrar aqui, no Norte da Europa.

Henrique Carrilho
Henrique Carrilhohttp://www.bolanarede.pt
Estudante de Economia em Aarhus, Dinamarca e apaixonado pelo desporto de competição, é fervoroso adepto da Académica de Coimbra mas foi a jogar ténis que teve mais sucesso enquanto jogador.                                                                                                                                                 O Henrique escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

Subscreve!

Artigos Populares

Fernando Santos, Paulo Bento e Carlos Queiroz apontados a seleção que vai estar no Mundial 2026

Fernando Santos, Paulo Bento e Carlos Queiroz são os candidatos a assumir o comando técnico da seleção do Gana.

Igor Jesus confessa: «Não tenho visto jogos do FC Porto»

Igor Jesus esteve na conferência de imprensa de antevisão ao duelo com o FC Porto. O avançado mostrou-se focado no trabalho e confessou não ver jogos dos dragões.

Galeno reclama: «Podem entregar a taça. Querem dar a taça para uma pessoa»

Wenderson Galeno mostrou-se muito insatisfeito com a arbitragem da partida entre o Al Ahli e o Neom, para a Liga Saudita.

Al Ittihad de Sérgio Conceição sofre nova derrota para a Liga Saudita

O Al Ittihad recebeu o Neom e foi derrotado por quatro bolas a três, num encontro da 29.ª jornada da Liga Saudita.

PUB

Mais Artigos Populares

Carlos Vicens: «A equipa mostrou uma versão brava»

Carlos Vicens analisou o empate do Braga frente ao Real Bétis por 1-1, na primeira mão dos quartos-de-final da Europa League.

Antony: «A equipa do Braga tem qualidade com a bola e temos que ter mais atenção»

Antony reagiu ao desfecho do Braga x Real Bétis. Gverreiros empataram a uma bola na primeira mão dos quartos-de-final da Europa League.

Galatasaray regressa às vitórias e vê o título mais perto

O Galatasaray visitou e derrotou o Goztepe por 3-1, na 27.ª jornada da Liga Turca. Fica assim mais próximo de revalidar o campeonato.