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Os principais destaques da primeira semana de Roland Garros

José Maria Reis · 3 min

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O intervalo que existe entre o Australian Open e o Roland Garros é o maior hiato de tempo sem um Grand Slam e, este ano, apesar de até ser um hiato significativamente mais curto devido ao adiamento do Australian Open, pareceu especialmente demorado. O ténis não parou e todos os torneios nos permitem ver os nossos jogadores favoritos, mas a verdade é que a maior parte dos jogadores têm como principal foco estes grandes torneios e é nestes momentos que os vemos a superarem-se e, o facto das principais estrelas do circuito estarem em fim de ciclo, faz com que os Grand Slams sejam sempre o foco principal de atenção.

O sorteio ditou algo inédito, e que, apesar da idade dos jogadores, parecia inimaginável até há bem pouco tempo, que foi o Big 3 (Djokovic, Nadal e Federer) ficar totalmente colocado numa das partes do quadro, tal só foi possível porque Medvedev entrou para o top 2 mundial. Esta situação faz com que a parte de baixo do quadro Quadro esteja muito aberta e com que muitos jogadores possam sonhar com uma chegada à final. Para além deste sorteio, esta primeira semana teve algumas surpresas e é nelas que vou focar a minha atenção por agora.

A primeira foi Dominic Thiem. O austríaco, com excelentes prestações em terra batida, é considerado por muitos o natural sucessor de Rafael Nadal no pó de tijolo e, se nos anos anteriores tem demonstrado esse potencial chegando por duas vezes à final, este ano, que não lhe tem estado a correr particularmente bem, foi precocemente eliminado na primeira ronda do torneio frente ao experiente espanhol, Pablo Andujar. Esta derrota foi a maior surpresa da ronda e ganha contornos especiais se olharmos para os parciais e percebermos que Dominic Thiem esteve a liderar por dois sets a zero, o que torna esta derrota ainda mais surpreendente.

A segunda grande surpresa desta semana, e em contraciclo com Thiem, foi Daniil Medvedev. O russo, atual número dois do mundo e segundo cabeça-de-série do torneio, nunca tinha ganho qualquer partida em Roland Garros e, apesar de partir dessa tal posição de vantagem que o segundo posto do ranking lhe conferia, a sua prestação neste torneio está a ser muito acima daquilo que a maior parte dos especialistas apontaria.

O sorteio acabou por lhe ser bastante benéfico e, até ao dia a que escrevo, acabou por nunca apanhar especialistas em terra batida, o que lhe facilitou muito a vida para chegar a esta quarta ronda. Nesta quarta ronda, a história muda de figura e Medvedev vai ter de mostrar verdadeiramente o que é capaz em terra batida frente a um adversário, Christian Garín, que se sente muito confortável nesta superfície e que, também ele, está a realizar um excelente torneio.

O último destaque, que não é, necessariamente, uma surpresa, pelo menos para quem acompanha ténis de forma mais regular, vai para a geração de italianos que começa a despontar de forma cada vez mais regular. Sinner, Musetti e Berrettini são cada vez mais o presente, e não o futuro, do ténis e, dizer isto quando os dois primeiros ainda não têm 20 anos e o Berrettini já está no top 10 com apenas 25, diz muito desta geração italiana.

Na segunda-feira, estes jogadores têm uma prova de fogo, uma vez que cada um vai defrontar um dos elementos do Big 3, Nadal, Djokovic e Federer, respetivamente, mas já têm garantido um feito histórico já que é a primeira vez na Era Open que vamos ter três italianos na segunda semana de um torneio do Grand Slam. Vai ser extremamente interessante e um desafio de alto nível, tanto para os mais novos como para os mais velhos.

Foto de Capa: ATP Tour 

José Maria Reis

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