Ser Ténis: A beleza de ser Roger Federer

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O court de ténis é, provavelmente, um dos locais mais solitários do mundo. Porém, não se limita a ser um espaço solitário; é-o, curiosamente, enquanto se está na companhia de outra pessoa num recinto com pouco mais de 260m2. Num grande palco, como o de Wimbledon, aos atletas soma-se o público; com quase 16 mil pessoas nas bancadas nada muda para quem está no court: a solidão é a mesma, as dúvidas, o autoquestionamento constante, a insegurança, a angústia face aos consecutivos erros não forçados, o pânico face à sensação de se ser incapaz de dar a volta aos acontecimentos, o trémulo nas pernas aquando do segundo serviço para se evitar um set point potencialmente decisivo.

Num court de ténis “não há rede”, o jogador confronta-se solitariamente com cada winner, com cada erro não forçado, com cada ás, com cada dupla falta, com cada bola que bate na tela e cai do seu lado do court, com a sensação de exaustão física, com as dificuldades para manter a concentração, com a espiral de descrença nas suas capacidades quando os erros se sucedem. Mas há um tenista para quem estes diferentes momentos parecem não existir; esse tenista dá pelo nome de Roger Federer.

Roger Federer já conquistou 19 Grand Slams Fonte: Facebook Oficial Roger Federer
Roger Federer já conquistou 19 Grand Slams
Fonte: Facebook Oficial Roger Federer

O suíço é um fora de série, é alguém que se enquadra num restrito grupo de grandes campeões como Michael Jordan, Michael Phelps, Usain Bolt ou Muhammad Ali. O que diferencia Roger Federer de todos os demais é que enquanto estes usam uma raquete, o Maestro tem-na enquanto extensão natural do seu corpo. Federer joga como respira, desliza no court ao invés de correr, substitui pancadas em slice, amorties e volleys por fouettés, grand jetés e pliés. O ténis do suíço é um bailado no qual não há lugar ao esforço ou ao cansaço. Pés, tronco, raquete e bola assemelham-se a uma peça única, a um fenómeno natural caraterizado por uma peRFeição aparentemente incontrolável. A cada deslocação no court, a cada pancada na bola, a cada ponto ganho fica a sensação de se estar a assistir a um momento ímpar, a estória na história do ténis. Fica a ideia de que quem criou o ténis fe-lo na esperança de que, um dia, surgisse alguém como Federer para ensinar como este deve ser jogado.

Francisco Sampaio
Francisco Sampaiohttp://www.bolanarede.pt
Apaixonado por futebol desde a segunda infância, Francisco Sampaio tem no FC Porto, desde esse período, o seu clube do coração. Apesar de, durante os 90 minutos, torcer fervorosamente pelo seu clube, procura manter algum distanciamento na apreciação ao seu desempenho. Autodidata em matérias futebolísticas, tem vindo recentemente a desenvolver um interesse particular pela análise tática do jogo. Na idade adulta descobriu a sua segunda paixão, o ténis, modalidade que pratica de forma amadora desde 2014.                                                                                                                                                 O Francisco escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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