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    Tóquio 2020, Ténis de Mesa #3: China, como o algodão, não engana

    É com muita pena que relembro o pouco balanço que houve a fazer da participação portuguesa nos Jogos Olímpicos no que toca ao Ténis de Mesa, uma vez que não conseguimos avançar no pote dos últimos 16. Não obstante este facto, a modalidade que mais se parece com xadrez a alta velocidade trouxe-nos momentos bastante intensos ao longo das últimas duas semanas, e tudo graças aos protagonistas do Oriente.

    Teríamos de andar a dormir desde 1988 se não soubéssemos que é sempre a China a “roubar” praticamente tudo o que é medalha em cima da mesa, contribuindo agora com mais sete (quatro de ouro e três de prata) para o total de 76 medalhas arrecadadas no conjunto de todas as modalidades, até ao momento. De louvar o facto de ficar atrás apenas dos Estados Unidos da América nesta edição da competição. Como, aliás, já vem sendo costume desde 2012.

    Depois de vermos os chineses a vencer ouro e prata, tanto em singulares femininos como masculinos, com Cheng Meng e Ma Long no ouro e Sun Yingsha e Fan Zhendong na prata, esta semana viria a proporcionar-nos duelos entre equipas a roçar o surreal, dos quais destaco, também, as participações alemã e japonesa.

    Do lado feminino, a Alemanha chegou a ver a vida a andar para trás nos quartos de final contra a República da Coreia, mas seria capaz de avançar depois de cinco sets para loucos. Depois de tanto esforço, seria com muita pena que perderia na fase seguinte, contra a China, e veria mais tarde a possibilidade de alcançar o bronze ser-lhe negada pelas atletas de Hong Kong.

    Na luta pelo ouro, as japonesas pouco puderam fazer contra as chinesas, que ganhariam com relativa facilidade, por três sets a zero.

    Do lado masculino, a Alemanha chegaria à final com alguma dificuldade e foi nos “quartos” que começou a encarar maiores aflições; primeiro, contra a Taipei Chinesa e, depois, frente ao Japão, em partidas que nos dariam muita água na boca e só terminariam após cinco sets.

    Honestamente, fiquei com a sensação de que a Alemanha teria ficado pelo caminho nas meias finais, como aconteceu no Rio 2016, caso o Japão tivesse a sorte de ter dois em vez de um só Tomokazu Harimoto. Foi com toda a justiça que os nipónicos venceram hoje e levaram o bronze para casa, contra a equipa coreana que, no déjà vu de há cinco atrás, voltou a sair de mãos a abanar.

    Na derradeira batalha para o ouro, os chineses entraram com o pé direito e venceram por um expressivo 3-0 a primeira partida a pares, entre Xu Xin e Ma Long e Patrick Franziska e Timo Boll.

    A segunda partida daria muito mais que falar, com Dimitrij Ovtcharov a bater-se muito bem no primeiro e terceiro sets, sem que, contudo, isso pudesse evitar a derrota face ao n.º 1 mundial, Fan Zhendong.

    Os atletas Ma Long e Timo Boll seriam os últimos a “abanar a mesa” nesta edição dos Jogos Olímpicos. O alemão venceria apenas um set e a história repetir-se-ia: à semelhança da equipa feminina, os atletas da China vencem, indiscutivelmente, pela quarta vez consecutiva, a medalha de ouro por equipas no Ténis de Mesa.

    Foto de Capa: Olympics
    Artigo revisto por Gonçalo Tristão Santos
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