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Poucos o sabem, mas o segredo está lá – mesmo por cima da porta que separa os corredores da tão preciosa relva do Centre Court. Para triunfar no All England Lawn Tennis & Country Club, a fórmula é só uma. Basta entrar no encontro de cabeça erguida e ela revela-se: “if you can meet with triumph and disaster and treat those two impostors just the same.”

Não há momento mais celebrado do que este em toda a temporada tenística. Ao longo das próximas duas semanas – e só mesmo duas, porque toda a fase de qualificação é disputada nos courts da Universidade de Roehampton (de forma a preservar os courts do clube máximo) – 256 jogadores lutam por dois troféus.

Descrever Wimbledon é como descrever um autêntico sonho de criança. Tudo isto porque, afinal, o é mesmo: é aqui que todos querem vencer, mesmo que a sua superfície de eleição assuma outras cores e texturas. É aqui que todos querem ver, um dia, o seu nome escrito a ouro, tal e qual o troféu que ambicionam receber. Não há patamar mais elevado do que aquele no qual um jogador é colocado quando vence na relva britânica.

Mas perceber Wimbledon requer mais: é necessário compreender o passado do ténis, que era muito mais disputado em relva do que nos dias de hoje. Consequentemente, o volley era a pancada que quase de forma obrigatória se seguia ao serviço, primeiro ou segundo; e dali raramente se saía – a prioridade de qualquer jogador passava por ocupar a metade ‘superior’, chamemos-lhe assim, do campo e cobrir a rede até ao fim, com mergulhos, se fosse necessário. Hoje, não é possível a um profissional disputar mais do que três eventos nesta superfície e é em SW’19 que se atinge o expoente máximo. Wimbledon é especial pelos seus 128 anos de existência; Wimbledon é especial por toda a história que tem. Wimbledon é, também, especial porque durante quinze dias todos os atletas vestem branco (e os que ousarem apresentar-se mais coloridos são mesmo penalizados). Para além disto, não há publicidade nos courts do All England Club.

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Voltemos à fase triunfal do torneio. Afinal, é para vencer que todos viajam a Londres. Fazer parte do torneio é bonito, indiscutivelmente, mas somar um triunfo no quadro principal do torneio é uma fase marcante para a carreira de qualquer jogador. Onde íamos? Ah, sim, “if you can meet with triumph and disaster and treat those two impostors just the same.” 

O ‘truque’ é esse mesmo. Encarar o triunfo e o desastre como se fossem o mesmo. Parece simples dito assim, mas nem todos o conseguem fazer – pelo contrário. Quem são, então, os principais candidatos? E os possíveis outsiders?

Gentlemen’s Singles

Roger Federer Fonte: Getty Images
Roger Federer
Fonte: Getty Images

Há, primeiro do que tudo, um dado curioso a ter em conta: os ‘Big Four’ voltam, beneficiando da fórmula do Major britânico que prestigia os resultados em relva e faz assim Murray ‘escalar’ dois lugares, a ser os quatro primeiros cabeças de série. A última vez em que isto se havia verificado fora precisamente há dois anos, também em Londres. O resultado? A tão celebrada vitória de Roger Federer. Será um sinal? Não seria descabido, pois pela primeira vez desde essa mesma conquista o suíço tem verdadeiras condições de voltar a erguer um troféu.

De volta ao seu melhor ténis com o começo da temporada, com cinco finais disputadas (em todas as superfícies), dois títulos (um dos quais na relva de Halle) e a jogar no seu ‘terreno’ de eleição, o helvético regressa a Wimbledon, tal como em 2009, prestes a ser ‘papá’ e tão motivado quanto nas suas primeiras vitórias. O quadro não é fácil, não, mas Sergiy Stakhovsky, o fantasma da última edição, só pode pôr-se à sua frente na final. Para Federer “é uma excelente notícia”, como afirma em tom de brincadeira.

Tal como o ex-número um mundial, também os restantes membros do top4 de cabeças de série sabem o que é vencer em Wimbledon: Rafael Nadal fê-lo em 2008 e 2010, Djokovic em 2011 e Andy Murray é o campeão em título. É precisamente o britânico quem tem o melhor jogo para relva, além de todo o apoio do público e, essencialmente, da malapata quebrada. No entanto, Novak Djokovic surge uma vez mais num bom plano e tem um quadro relativamente acessível; Rafael Nadal, por sua vez, pode voltar a enfrentar Rosol na segunda eliminatória e joga na superfície onde tem sido menos feliz.

Mas desengane-se quem pensar que tudo está resumido aos quatro grandes nomes da actualidade. Tal como na Austrália – talvez ainda mais, devido às condições proporcionadas pela relva -, poderá haver espaço para surpresas. Uma coisa é fundamental: não esquecer a Black Wednesday do ano passado. E assim surgem Stanislas Wawrinka – fora de forma mas com um jogo que assenta na perfeição no piso verde -, Tomas Berdych, Milos Raonic, Ernests Gulbis e até Grigor Dimitrov, todos eles detentores de potentes pancadas que podem causar ‘mossa’.

Ladies’ Singles

Serena Williams Fonte: Getty Images
Serena Williams
Fonte: Getty Images

Ténis feminino e relva resultam numa combinação fantástica: toda a imprevisibilidade do circuito WTA cresce de forma absolutamente entusiasmante nesta superfície, onde se revelam as mais inesperadas jogadoras. A final de 2013 diz tudo: Marion Bartoli e Sabine Lisicki sobreviveram até ao último encontro.

Contudo, e como em qualquer torneio, há sempre quem goste de se afirmar. Há jogadoras com curriculums a manter, com posições a manter e, acima de tudo, com fome de títulos – independentemente de todo o seu passado glorioso. Aqui, é inevitável começar-se por Serena Williams: número um mundial, campeã em cinco ocasiões, a norte-americana é sempre a favorita à vitória.

Tal como ela, também Maria Sharapova (que há exactamente dez anos a surpreendeu na grande final) tem de ser vista como uma das principais ‘ameaças’; mas Simona Halep, que nos últimos meses melhorou de forma significativa, terá, também, algo a dizer. A chinesa Li Na (vencedora do primeiro Grand Slam da temporada) e Agnieszka Radwanska (vice-campeã há dois anos) não merecem ser descartadas do lote de eventuais candidatas, mas o ténis que apresentam nas últimas semanas não convence a seu favor.

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