Portugal é campeão europeu de ténis de mesa por equipas!! Marcos Freitas, Tiago Apolónia e João Pedro Monteiro venceram a Alemanha por 3-1 e são os rostos do melhor resultado de sempre do ténis de mesa nacional. Numa competição disputada em casa, no MEO Arena, em Lisboa, a equipa portuguesa teve de ultrapassar um grupo formado pela Hungria (vitória por 3-0), a Alemanha (derrota por 1-3) e a Áustria (derrota também por 1-3), onde a vantagem no número de jogos ganhos permitiu defrontar e afastar a Rússia nos quartos-de-final (3-1) e depois a Suécia nas meias-finais (novo 3-1). De referir que os alemães tinham ganho os seis últimos europeus da categoria, o que mostra bem a dimensão deste feito.

A partida começou com um frente a frente entre Marcos Freitas e Steffen Mengel, no qual o português se exibiu a grande nível (venceu por 3-0, 11-8 em cada set) e não foi surpreendido pelas bolas longas do alemão. Com 1-0 para Portugal, João Pedro Monteiro defrontou Timo Boll mas deixou-se superiorizar pelo jogo do experiente opositor, que o empurrava sistematicamente para longe da mesa. O resultado de 0-3 (7-11, 1-11 e 8-11) espelha bem a superioridade de Boll. De seguida, Tiago Apolónia defrontou Dimitrij Ovtcharov, onde ficaria decidido quem chegaria em vantagem ao jogo decisivo. O português apresentou-se a um ritmo alucinante e venceu os dois primeiros sets (11-7 e 11-2), mas o adversário – que, importa dizê-lo, é o nº 1 do ranking europeu e o nº 5 do ranking mundial (!) – fez valer o seu estatuto e reduziu para 2-1 (11-13). Porém, no quarto set, Tiago Apolónia beneficiou de vários erros de Ovtcharov para, de forma emocionante (11-9), pôr a selecção nacional dependente apenas do resultado que Marcos Freitas, o melhor português nesta tarde, conseguisse frente a Timo Boll, o melhor alemão.

No jogo decisivo, Freitas e Boll protagonizaram um embate de enorme qualidade, a um ritmo frenético, com jogadas intermináveis e incerteza no resultado até ao fim. Boll parecia estar perto de fechar o primeiro set, mas uma incrível recuperação de Freitas mudou o resultado de 8-10 para 12-10. No segundo set o alemão puxou dos galões e venceu de forma confortável (5-11) mas, no terceiro, o mesa-tenista português distanciou-se logo ao início e não se deixou apanhar (11-6). Na altura decisiva, com Boll já um pouco tenso, Freitas conseguiu sacudir a pressão e venceu por 11-9 um quarto set disputado taco a taco. Portugal era campeão europeu pela primeira vez na sua História!

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Marcos Freitas, Tiago Apolónia e João Monteiro – os rostos do sucesso
Fonte: marcosfreitas.com

É verdade que os “três mosqueteiros” do ténis de mesa nacional tiveram de emigrar para a Alemanha para se poderem dedicar em exclusivo à modalidade e para atingirem o nível de excelência, mas não deixa de ser notável que um país como Portugal, pequeno e sem grande investimento nos desportos que não o futebol, continue a produzir atletas de gabarito mundial. Depois de, nos Jogos Olímpicos de 2012, os atletas portugueses terem falhado por muito pouco as meias-finais, espera-se que possam continuar na senda do sucesso nas Olimpíadas do Rio de Janeiro, daqui a menos de dois anos. No entanto, nada os obriga a isso: todos eles já conquistaram um lugar na História do desporto nacional e até europeu (para além da conquista de hoje, os três também tinham sido medalha de bronze no Europeu de 2011 em Gdansk, não esquecendo o título que Marcos Freitas alcançou nessa mesma competição na categoria de pares).

Em Portugal há demasiada obsessão pelo futebol e pouca cultura desportiva. Em geral, desprezam-se as modalidades durante grande parte do tempo mas, de quatro em quatro anos (ou seja, nos Jogos Olímpicos e pouco mais), exigem-se medalhas a atletas que muitas vezes nem nos damos ao trabalho de conhecer. Quando não são as pessoas a puxar pelos atletas, só podem ser os atletas a puxar pelas pessoas. E é isso que Freitas, Apolónia e Monteiro têm feito com humildade e mestria.

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Lembro-me de, uma altura em que assinava o jornal do Sporting, ler várias vezes sobre um então jovem franzino João Pedro Monteiro e as suas peripécias no ténis de mesa nacional, algures entre 2001 e 2003. Chegou a conquistar inúmeros títulos em vários escalões do clube antes de se transferir para o São Roque e, mais tarde, para a Alemanha. É, por isso, com enorme orgulho que vejo que o seu investimento na modalidade tem dado retorno. Os Jogos Olímpicos de Londres, já com os três atletas a integrarem a mesma equipa, foram outro momento marcante não só para mim, mas para os muitos milhares de portugueses que assistiram aos jogos destes atletas.

É preciso dar também os parabéns a João Geraldo e ao promissor Diogo Chen (restantes convocados), bem como ao seleccionador Pedro Rufino e a Pedro Miguel Moura, presidente da Federação Portuguesa de Ténis de Mesa co-responsável pela organização do Europeu e antigo atleta de eleição do Sporting. A equipa feminina também tem razões para sorrir, ao alcançar a difícil permanência na primeira divisão europeia. Este resultado, a somar ao título em masculinos, parece reforçar a teoria de que o ténis de mesa em Portugal está a consolidar o seu estatuto internacional. Parabéns às duas selecções!

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