Académica OAF 2-0 Vitória SC: Eu dou a cara

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“(…) sexta-feira não vai à escola! Eu dou a cara!”. A indignação de Glória dos Reis Bastos (conforme se identificou) foi amplamente difundida, por ser parte integrante de um vídeo que se tornou viral, intitulado de “Apanhados TVI”.

É justo lembrar esta senhora numa semana atribulada marcada, entre outras coisas (como se já não bastasse o lugar que a equipa ocupava à partida para esta jornada), por uma mensagem anónima a denunciar uma suposta situação financeira dramática da Académica e falta de união do plantel. Gouveia classificou estas atitudes como “cobardes”, e foi altura de alguém dar a cara. No caso, a Académica, com uma exibição personalizada, ilustrada no seu capitão, Marinho, autor de dois golos e de uma exibição carregada da alma e crença de que tanto parecia carecer esta equipa.

Talvez a existência de um inimigo comum tenha contribuir mais para unir o plantel e, consequentemente, criar um compromisso maior com os objectivos da equipa, traduzidos num maior esforço dos onze que entraram em campo.

Assim pareceu, ao longo de todo o jogo, com a Briosa a começar por ganhar o meio-campo, fruto do entendimento de Leandro Silva e Fernando Alexandre que raras vezes deixaram fugir Otávio (o cérebro da construção ofensiva vitoriana) em deambulações criativas ou Cafu, nos cada vez mais habituais repelões de transição. Não dava pelo meio, o Vitória tentava as alas, mas apesar de até conseguido ter criado perigo por uma vez (Dalbert cruzou ao segundo poste, onde apareceu Ricardo Valente, solto de marcação a rematar ao lado), também aí a Académica as vias estavam “entupidas”, com Nii Plange e Marinho a darem contributo importante a nível defensivo, e subindo com critério, sobretudo o burquinês, que durante toda a primeira parte fez a vida negra a Bruno Gaspar e João Afonso, lateral e central do lado direito da defesa vitoriana, com a sua velocidade, escapando-se à marcação para fazer cruzamentos venenosos, que levaram o perigo à baliza de Miguel Silva – por duas vezes faltou alguém para “encostar” a bola, noutra, foi Rui Pedro a beneficiar da iniciativa do extremo direito da Académica para levar o credo à boca dos adeptos vimaranenses com um remate a sair perto do poste direito da baliza de Miguel Silva.

A segunda parte começou atribulada para o Vitória, mantendo-se a toada de domínio dos estudantes, que logo nos primeiros minutos da etapa complementar ganharam um penalty: Nii Plange ganhou em velocidade a João Afonso e foi travado por Pedro Henrique quando se ia isolar. Expulsão do central vitoriano. Rui Pedro foi chamado à conversão, e atirou para defesa de Miguel Silva mas Marinho, na recarga, inaugurou o marcador.

Sérgio Conceição, pela demora na reacção ao penalty e à expulsão de Pedro Henrique, foi o elemento "fora-de-jogo" desta partida
Sérgio Conceição, pela demora na reacção ao penalty e à expulsão de Pedro Henrique, foi o elemento “fora-de-jogo” desta partida

Bouba Saré ocupou a posição de central, provisoriamente, mas isso deixou um buraco enorme no meio-campo, aproveitado pela Académica: Marinho, lançado pelo meio-campo da Briosa, isolou-se perante Miguel Silva, fez um chapéu, a bola embateu no poste, e na recarga atirou para o fundo das redes. Era o delírio no Cidade de Coimbra. 52 minutos e a Briosa vencia 2-0. A Mancha Negra cantava o hino nacional, em jeito de provocação, os White Angels respondiam, numa desgarrada fantástica que marcou, positivamente, o espectáculo.

Sérgio Conceição mexeu na equipa. Tirou Bouba Saré e Ricardo Valente, fazendo entrar, para os seus lugares, Francis e Moreno. Com isto, deixou o meio-campo descoberto. Otávio não conseguiu criar, e as alas não tiveram quem as assistisse. A Académica controlou o jogo e até esteve mais perto do 3-0 do que o Vitória do 2-1, com Leandro a atirar a bola ao poste e Rabiola a cabecear perto da baliza de Miguel Silva.

A Briosa sai, assim, dos lugares de despromoção, novamente, e olha para as últimas nove jornadas do campeonato com mais confiança, depois de ter vulgarizado um candidato à Europa. O Vitória não conseguiu manter a série de quase cinco meses sem perder fora de portas para a Liga e atrasou-se na luta pela Europa, ficando a quatro pontos do quinto classificado e a 2 (à condição) do sexto.

A Figura:

Marinho – Marcou os dois golos de uma vitória importantíssima na luta pela manutenção. Só por isso, merecia este galardão. Porém, Marinho foi mais que isto, com uma contribuição inexcedível, ofensiva, defensiva… e mentalmente, assentando-lhe bem o papel de capitão.

O Fora-de-Jogo:

Sérgio Conceição – Não foi feliz na leitura do pós-penalty. Para além de demorar a reparar o buraco que ficou no eixo da defesa do Vitória, quando o fez, não tomou a melhor decisão, deixando exposto o meio-campo, ao ponto de a equipa não conseguir construir, ofensivamente, sendo, ao mesmo tempo, permeável.

Sala de imprensa:

Sérgio Conceição

“Se o Minuto 49 foi  decisivo? Decisivo foi o mau jogo que fizemos. E com a expulsão ficou mais difícil. (…) houve muito duelos perdidos e fico”

“Foi um jogo menos conseguido de uma equipa que tem tido um trajecto fantástico. Há dias assim”

“A Académica ganhou com justiça e desejo que se mantenha na Primeira Divisão”.

Fernando Alexandre

“Creio que houve sempre consciência do momento. Conseguimos sempre manter o equilíbrio, de uma forma notável, perante o que se passou durante a semana, e houve uma crença no trabalho que se faz”

Gouveia

“Tivemos aquela pontinha de sorte que não tivemos noutros jogos (Marítimo, Boavista, fora). A sorte faz parte do acreditar e nós hoje acreditámos, e fomos aquele grupo fantástico de que vos tenho falado”.

Não respondeu à pergunta “Ainda tem o mesmo empresário?”.

Sobre o bis de Marinho ser uma recompensa justa para um jogador que tem sido muito fustigado por lesões “Eu também mereço porque tenho sofrido muito ]risos]. Mas fico feliz por ele, claro. Vamos continuar a luta, que isto vai ser até ao fim”

“Foi um dos melhores jogos da Académica esta época.”

Pedro Machado
Pedro Machado
Enquanto a França se sagrava campeã do mundo de futebol em casa, o pequeno Pedro já devorava as letras dos jornais desportivos nacionais, começando a nascer dentro dele duas paixões, o futebol e a escrita, que ainda não cessaram de crescer.                                                                                                                                                 O Pedro não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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