5 grandes clássicos na Pedreira | SC Braga x SL Benfica

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Palco mítico, dois históricos do nosso futebol à procura da liderança e de proporcionar mais um grande episódio na história do clássico ao qual já começa a faltar termo identificativo, como ‘O Clássico’ é para o FC Porto x Benfica e para o FC Porto x Sporting ou o ‘Derby Eterno’ se relaciona ao Benfica x Sporting.

Como habitual, o Bola na Rede relembra cinco grandes e polémicos jogos no Municipal de Braga entre arsenalistas e águias, porque não é só pelo futebol que se torna épico um confronto de duas grandes equipas – as peripécias da antevisão e os bate-bocas do rescaldo, os inesquecíveis intervenientes e os contextos emocionais são parte essencial do fenómeno, como a cereja no topo do bolo ou o abraço na despedida.

5.

SC Braga 3-2 SL Benfica (Primeira Liga 2005-06) – A primeira vitória de sempre de António Salvador contra o Benfica (depois de duas derrotas e um empate) pintou-se de contornos épicos, de jogão de bola com um grande Braga a afundar ainda mais o campeão o título: isto porque o Benfica não vencia há três jogos e chegou a Braga para tentar se aproximar da liderança – começando bem, porque Anderson faz o 0-1 logo aos 20’. Mas na segunda parte seria cinema: depois de Cesinha empatar aos 68’, Julio “Maxi” Bevacqua – um argentino com currículo aventureiro pela América Latina – marca aos 87’ aquele que se pensava ser o golo da vitória; Num plot twist bem improvisado, Nuno Gomes cancela a vantagem aos 92’, obrigando o herói Bevacqua a trabalho extra para salvar outra vez o dia aos… 95’!

Era 19 de Novembro. O Benfica de Koeman, aos repelões desde o início da época, que vinha de dois empates para a Liga e uma derrota para a Liga dos Campeões (o 0-1 de Marcos Senna), perde tragicamente em Braga e na semana seguinte não passa do empate a zero contra o Belenenses, na Luz. Pior série da época e o 6º lugar à 12ª jornada.

Adivinha: quantos golos marcou Bevacqua ao serviço dos arsenalistas? Não é dificil imaginar.

4.

SC Braga 1-0 SL Benfica (Meias-finais da Liga Europa 2010-11, 2ª Mão) – Talvez o mais emblemático confronto entre as duas equipas. Depois de intensa luta pelo campeonato 2009-10, arsenalistas e águias disputavam agora a glória europeia, lutando pelo bilhete para Dublin onde estaria o super FC Porto de Villas Boas à espera (depois de esmagar o Villareal de Juan Carlos Garrido, 4.º final na La Liga, por 5-1).

Na Luz houve 2-1 apertadinho para encarnados, com Cardozo a resolver à lei da bomba; Mas o Braga de Domingos destacava-se pela combatitividade e recebeu um Benfica já a pedir misericórdia, depois duma época catastrófica, cheia de humilhações contra portistas – e o Benfica que chega à Pedreira é já uma sombra daquele que consegue 18 vitórias consecutivas entre Dezembro e Março, sequência precisamente terminada em Braga, numa derrota por 2-1.

Depois dessa sequência houvera berro físico do onze utilizado obsessivamente – o flanqueador Salvio perdeu a fase final da temporada, e na segunda-mão da meia-final da Liga Europa o meio-campo compôs-se com Fábio Coentrão subido, relegando César Peixoto para a lateral. Aimar, suspenso na primeira-mão, dera lugar a Carlos Martins – e a equipa nunca teve argumentos para contrariar a tranquilidade arsenalista.  Mossoró, Hugo Viana, Alan, Lima e Meyong, os cinco mais adiantados. Um luxo, não?

3.

SC Braga 1-1 SL Benfica (Primeira Liga 2011-12) – O inacreditável episódio das faltas de luz tem que constar em qualquer top de jogos entre os dois. Foram três, num total de 34 minutos. O FC Porto tinha empatado em Olhão na véspera, o que permitiria ao Benfica ascender ao primeiro lugar em caso de vitória. Só que aos 25 minutos, pumba, apagão. Dez minutos de espera. Quando parecia estar tudo resolvido e já se jogava haviam quatro minutos, pumba, outro. Mais dez minutos. E mais outro, até ao intervalo, antes do Braga – Lima, nomeadamente – fazer o 1-0 aos… 45’+34. Na pausa questionava-se pelos corredores senão seria melhor interromper e continuar noutro dia, se possível a horas de Sol. Em declarações à Lusa, os responsáveis da EDP enxotavam a poeira dos ombros, porque seria «um problema interno do estádio». Artur Moraes, que fora do Minho para Lisboa nesse Verão, não tinha papas na língua, afirmando acontecerem  «coisas do outro mundo» quando o Benfica ia à Pedreira, chegando até a dizer que faltara água quente nos balneários, rematando: «Todo o momento que queríamos acelerar o jogo, acontecia o apagão. É difícil assim. E depois de o Sporting de Braga fazer o golo acabaram os apagões».

Do outro lado, a responsabilidade recebia-se como batata quente que ia directamente para o lixo. «O desagradável incidente devido a quebras de energia e, por consequência, falha na distribuição de água, durante o período de aquecimento e primeira parte do jogo, afectou todos os intervenientes, directa ou indirectamente ligados ao espectáculo: Sporting de Braga, Benfica, equipa de arbitragem, sócios e adeptos de ambas as equipas (…) não se tratou, portanto, de acção voluntária ou propositada, tendo em vista prejudicar alguém».

Tudo resumido, um igual – que Rodrigo empatou aos 70 e poucos, quase duas horas depois do apito inicial. Resultado insonso que manteve a seca de Jorge Jesus em Braga ao comando do Benfica – só ganharia no ano seguinte – e que impediu Leonardo Jardim de meter Nuno Gomes em campo, para o tão esperado reencontro com o clube de sempre, depois de ser dispensado nesse Verão.

2.

SC Braga 1-4 SL Benfica (Primeira Liga 2018-19) – Jornada 31, corrida para o título. Benfica ia na frente desde a vitória no Dragão, à 24ª. À 25ª, aquela patetice do 2-2 caseiro frente ao Belenenses, depois de estar a ganhar por dois. Sérgio Conceição não desarmava e contava tudo vitórias.

Neste Domingo de 26 de Abril, o Benfica jogava às 17h30 e o FC Porto iniciava às 20h30 em Vila do Conde. O Benfica de Lage, cheio de miudagem a dar virtude ao onze, entrou na Pedreira meio-amorfo, numa tendência inocente daquela temporada de dar as primeiras partes de avanço – Wilson Eduardo faz o 1-0 aos 35’ e as equipas vão assim para a cabine. Nunca se saberá ao certo como foram as palestras de Abel Ferreira e Bruno Lage, mas a entrada arrasadora do Benfica na segunda metade será sempre a melhor resposta disponível: Félix, Rafa e Pizzi começaram a dar recital, a sorte do jogo pendeu para os encarnados – que aí jogaram de branco – e o 1-4 final coroou uma segunda volta irrepreensível, com 18 vitórias em 19 jogos e 72 golos marcados.

Umas horas depois, o Porto deixava dois pontos (1-1) nos Arcos e permitia a definitiva fuga benfiquista.

1.

SC Braga 3-0 SL Benfica (Primeira Liga 2022-23) – A novela Enzo não permitiu a apreciação justa da colossal exibição arsenalista nessa noite, com Artur Jorge a manietar Schmidt a toda a linha. Três que podiam ser seis, um Benfica irreconhecível como não se vira sequer em Guimarães – por isso, o primeiro grande abre-olhos (derrota) da temporada; para os da casa, a candidatura a um título pelo qual lutariam até visitarem… a Luz, na segunda volta.

Ricardo Horta, que passou por episódios rocambolescos no mercado de Verão, teria nesse jogo a total redenção perante os mais desconfiados adeptos minhotos.

Pedro Cantoneiro
Pedro Cantoneirohttp://www.bolanarede.pt
Adepto da discussão futebolística pós-refeição e da cultura de esplanada, de opinião que o futebol é a arte suprema.

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