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A missão de Renato Paiva

Francisco Nogueira · 3 min

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Admito ser daqueles adeptos que programam o seu dia em torno de um jogo dos encarnados, seja da equipa principal ou da equipa B.

Sou muitas vezes questionado por amigos meus de como ser possível ter tempo e vontade de assistir a tanto jogo. Muitas vezes em direto e outras (por motivos profissionais) já horas depois do término.

A razão ou as razões são até muito simples.

Primeiramente o facto de gostar tanto de futebol e do SL Benfica. Depois porque a equipa principal embora seja a equipa cabeça de cartaz, não é a única e muitos dos futuros talentos encarnados coabitam no Seixal espalhados pelas diversas equipas.

Pensar na equipa B é o mesmo que pensar em muitos grandes profissionais que por lá passaram e acredito que a fábrica vai continuar a trabalhar arduamente e a produção continuará a ser exemplarmente bem feita.

Senão vejamos o exemplo da equipa principal.

Bruno Lage, Nuno Tavares, Ruben Dias, Ferro, Zlobin, Jota, Gedson e André Almeida são só alguns dos nomes que passaram pela equipa secundária e que hoje fazem parte da equipa principal.

Este início de época tem sido algo irregular.

Em casa o SL Benfica B tem seis pontos em 12 possíveis. Jogar fora é que tem sido o problema, pois até aqui nenhum ponto foi conquistado.

Se isto significa que os alarmes devem ser ligados? Pois eu penso que não, aliás, tenho a certeza que não.

Os objetivos da equipa não passam apenas por ganhar. Lógico que ganhar é sinónimo de sucesso. Mas numa equipa secundária, o sucesso não é só visto pelo número de pontos que são amealhados durante o campeonato.

Senão vejamos o seguinte exemplo:

Na época 2015/2016 o FC Porto B conquistou o título de campeão após 46 duras batalhas. O sucesso foi conquistado sem que isso se tivesse refletido na equipa principal. Desse plantel apenas André Silva jogou na equipa A, dando rendimento desportivo e financeiro. Outros até tiveram minutos, mas mais nenhum saiu pela porta grande.

A questão que impera aqui é se ganhar é sinónimo de formar?

Recordo uma época em que as coisas não correram bem ao plantel secundário encarnado. Foi necessário a chamada de elementos da equipa principal para ajudarem a chegar à manutenção. Neste caso falo de Gonçalo Guedes e Nelson Semedo. Como grandes profissionais que são e que revelaram ser naquele momento, ambos desceram um degrau sem nunca terem abdicado da vontade e determinação que os definem. O objetivo foi a muito custo assegurado e os dois jogadores acabaram por ser determinantes. Hoje, são jogadores de seleção nacional e grandes figuras do campeonato espanhol.

Gonçalo Guedes, um jogador que cresceu bastante na equipa B e é hoje referência no Valencia CF
Fonte: SL Benfica

Neste aspeto toda a estrutura encarnada tem feito um trabalho exímio. Desde o primeiro ano ao comando de Luís Norton de Matos até chegar a Renato Paiva que a equipa B tem sido brindada com uma grande montra de talentos constituindo um grande alicerce da equipa principal.

É possível fazer um onze só de elementos que jogaram na equipa B sendo posteriormente lançados na equipa A.

Guarda Redes – Bruno Varela

Defesas laterais – Nélson Semedo e João Cancelo

Defesas Centrais – Ruben Dias e Lindelof

Médios – André Gomes, Florentino Luis, Gedson Fernandes e Renato Sanches

Avançados – Ivan Cavaleiro e Gonçalo Guedes

Por estas razões, penso que os objetivos da equipa orientada por Renato Paiva passam por apresentar um bom futebol, um futebol de ataque e de posse. Terminar a época numa posição fora dos lugares de descida será o suficiente se os outros objetivos forem alcançados.

Objetivos estes que passam principalmente por continuar a formar jovens jogadores que possam ser no futuro opções válidas para a equipa principal.

Seguramente que um dos adeptos muito atentos a todos estes jogos será o Mister Bruno Lage.

Foto de Capa: SL Benfica

Francisco Nogueira

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