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A traição dos mini-estádios da Luz

Pedro Beleza · 3 min

A traição dos mini-estádios da Luz

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O Benfica fez uma primeira volta praticamente irrepreensível nos jogos fora de casa. Não fosse a derrota em Braga, e os encarnados teriam 100% de vitórias nas deslocações aos redutos adversários. Para além disso, ainda que o futebol praticado na altura não fosse de uma espetacularidade única, o Benfica sofreu pouquíssimos golos e ganhava os jogos com vários golos de diferença.

Ao virar da época, tudo mudou. O Benfica perdeu em Paços de Ferreira de forma escandalosa – relembro que na altura estava em cima da mesa a possibilidade de aumentar a vantagem para nove pontos em relação ao FC Porto. Logo na deslocação seguinte, o Benfica concedeu novamente pontos no empate em Alvalade. Nos jogos fora, seguiram-se Moreirense, Arouca e, por último, Rio Ave. Frente ao Moreirense e ao Arouca, o resultado final mostra que o Benfica foi feliz e conseguiu o objetivo dos três pontos. A história do jogo, porém, revela um padrão incompreensível nas deslocações mais recentes: extrema dificuldade em controlar o jogo.

Era visível até ao mais desatento dos adeptos que este apático Benfica acabaria por cair mais cedo ou mais tarde. O Benfica tremeu em Moreira de Cónegos e em Arouca, mas saiu ileso de ambos. Em Vila do Conde, onde habita uma equipa com qualidade reconhecida, a previsão geral tornou-se realidade e o impacto do estrondo do Benfica a cair no Estádio dos Arcos foi atenuado pelo enorme tropeção do FC Porto na Madeira.

O Benfica tem sentido enormes dificuldades fora da Luz Fonte: Facebook do Sport Lisboa e Benfica
O Benfica tem sentido enormes dificuldades fora da Luz
Fonte: Facebook do Sport Lisboa e Benfica

Surpreendentemente, este vacilar nos jogos fora de casa começou precisamente quando os adeptos do Benfica, altamente empolgados pela possível conquista do bi-campeonato, deram início a mais uma “onda vermelha”, que acompanha a equipa de norte a sul. Os mini-estádios da Luz, como referiu Jorge Jesus antes da partida frente ao Arouca, são visíveis sempre que o Benfica joga fora do seu próprio terreno. Como é óbvio, à exceção de Alvalade, do Dragão e do Axa, os adeptos das águias dominam por completo as bancadas dos adversários. Este domínio, contudo, não se traduz no relvado. “A jogar em casa”, o Benfica não entra forte e dominador. Pelo contrário, apresenta-se quase sempre receoso, mole e lento. Traídos pelo conforto de jogar com o apoio da maioria dos adeptos, os jogadores encarnados acomodam-se na partida, menosprezando estupidamente o adversário (aquele que joga verdadeiramente em casa).

O efeito é o oposto ao esperado, uma vez que, com tanto apoio das bancadas, a falta de ambição, vontade, garra e espírito de sacrifício fica bem patente no decorrer do jogo. O Benfica não pode dar-se ao luxo de desperdiçar uma das grandes vantagens da grandiosidade do clube: a enorme massa adepta. Os mini-estádios da Luz têm-se revelado altamente perigosos porque a mentalidade incutida aos jogadores não é a correta. O facto de o vermelho ser a cor dominante nas bancadas não faz com que o jogo seja mais fácil, longe disso. No entanto, é precisamente essa a imagem deixada pela triste atitude dos jogadores nesta segunda volta e deve ser imediatamente revista.

O Benfica tem de correr mais, tem de querer mais. Não basta ser mais.

P.S. Um facto curioso e que se adequa ao texto: das oito partidas que faltam para o final do campeonato, o Benfica irá jogar seis na grande Lisboa. Relembro que bastam apenas essas seis vitórias para o que 34º título de Campeão Nacional entre nos livros da história do Benfica.

Pedro Beleza

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