A traição dos mini-estádios da Luz

- Advertisement -

paixaovermelha

O Benfica fez uma primeira volta praticamente irrepreensível nos jogos fora de casa. Não fosse a derrota em Braga, e os encarnados teriam 100% de vitórias nas deslocações aos redutos adversários. Para além disso, ainda que o futebol praticado na altura não fosse de uma espetacularidade única, o Benfica sofreu pouquíssimos golos e ganhava os jogos com vários golos de diferença.

Ao virar da época, tudo mudou. O Benfica perdeu em Paços de Ferreira de forma escandalosa – relembro que na altura estava em cima da mesa a possibilidade de aumentar a vantagem para nove pontos em relação ao FC Porto. Logo na deslocação seguinte, o Benfica concedeu novamente pontos no empate em Alvalade. Nos jogos fora, seguiram-se Moreirense, Arouca e, por último, Rio Ave. Frente ao Moreirense e ao Arouca, o resultado final mostra que o Benfica foi feliz e conseguiu o objetivo dos três pontos. A história do jogo, porém, revela um padrão incompreensível nas deslocações mais recentes: extrema dificuldade em controlar o jogo.

Era visível até ao mais desatento dos adeptos que este apático Benfica acabaria por cair mais cedo ou mais tarde. O Benfica tremeu em Moreira de Cónegos e em Arouca, mas saiu ileso de ambos. Em Vila do Conde, onde habita uma equipa com qualidade reconhecida, a previsão geral tornou-se realidade e o impacto do estrondo do Benfica a cair no Estádio dos Arcos foi atenuado pelo enorme tropeção do FC Porto na Madeira.

O Benfica tem sentido enormes dificuldades fora da Luz Fonte: Facebook do Sport Lisboa e Benfica
O Benfica tem sentido enormes dificuldades fora da Luz
Fonte: Facebook do Sport Lisboa e Benfica

Surpreendentemente, este vacilar nos jogos fora de casa começou precisamente quando os adeptos do Benfica, altamente empolgados pela possível conquista do bi-campeonato, deram início a mais uma “onda vermelha”, que acompanha a equipa de norte a sul. Os mini-estádios da Luz, como referiu Jorge Jesus antes da partida frente ao Arouca, são visíveis sempre que o Benfica joga fora do seu próprio terreno. Como é óbvio, à exceção de Alvalade, do Dragão e do Axa, os adeptos das águias dominam por completo as bancadas dos adversários. Este domínio, contudo, não se traduz no relvado. “A jogar em casa”, o Benfica não entra forte e dominador. Pelo contrário, apresenta-se quase sempre receoso, mole e lento. Traídos pelo conforto de jogar com o apoio da maioria dos adeptos, os jogadores encarnados acomodam-se na partida, menosprezando estupidamente o adversário (aquele que joga verdadeiramente em casa).

O efeito é o oposto ao esperado, uma vez que, com tanto apoio das bancadas, a falta de ambição, vontade, garra e espírito de sacrifício fica bem patente no decorrer do jogo. O Benfica não pode dar-se ao luxo de desperdiçar uma das grandes vantagens da grandiosidade do clube: a enorme massa adepta. Os mini-estádios da Luz têm-se revelado altamente perigosos porque a mentalidade incutida aos jogadores não é a correta. O facto de o vermelho ser a cor dominante nas bancadas não faz com que o jogo seja mais fácil, longe disso. No entanto, é precisamente essa a imagem deixada pela triste atitude dos jogadores nesta segunda volta e deve ser imediatamente revista.

O Benfica tem de correr mais, tem de querer mais. Não basta ser mais.

P.S. Um facto curioso e que se adequa ao texto: das oito partidas que faltam para o final do campeonato, o Benfica irá jogar seis na grande Lisboa. Relembro que bastam apenas essas seis vitórias para o que 34º título de Campeão Nacional entre nos livros da história do Benfica.

Pedro Beleza
Pedro Beleza
Benfiquista até ao último osso, mudou-se do Norte para Lisboa para poder ver o seu Benfica e só depois estudar Jornalismo. O Pedro é, acima de tudo, apaixonado pelo desporto rei e não perde uma oportunidade de ver um bom jogo de futebol.                                                                                                                                                 O Pedro escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

Subscreve!

Artigos Populares

FC Porto chega a acordo com o Rennes para garantir o empréstimo de Seko Fofana

O FC Porto está a ultimar os detalhes com o Rennes para garantir o empréstimo de Seko Fofana até ao final da presente temporada.

FC Porto B vence Vizela e Feirense soma terceiro triunfo consecutivo frente ao Portimonense: Eis os resultados do dia da Segunda Liga

O FC Porto venceu o Vizela por 1-0 e o Feirense derrotou o Portimonense pelo mesmo resultado, na 19.ª jornada da Segunda Liga.

Benfica goleia Racing Power e distancia-se na liderança da Primeira Liga Feminina

O Benfica goleou o Racing Power por 4-0, no encontro referente à 10ª. jornada da Primeira Liga Feminina.

Saint-Étienne pensa em João Sacramento para substituir Eirik Horneland no comando técnico

O Saint-Étienne equaciona a contratação de João Sacramento para substituir Eirik Horneland no comando técnico do clube francês.

PUB

Mais Artigos Populares

Maurizio Sarri critica direção da Lazio e confessa: «Os rapazes disseram-me que querem sair porque não veem grandes ambições no clube»

Maurizio Sarri teceu críticas à direção da Lazio na conferência de imprensa após o empate com o Lecce para a Serie A.

Olheiro BnR | Alioune Ndoye

No ano de 2001, a cidade senegalesa de Rufisque foi o berço do mais recente herói da nossa cidade berço. A pequena cidade nos arredores de Dakar viu crescer Alioune Ndoye.

Antigo internacional irlandês refere que Ruben Amorim estava interessado num dos avançados da moda da Premier League

Clinton Morrison, nome histórico do Crystal Palace, afirmou que Ruben Amorim tinha interesse em Jean-Philippe Mateta e que chegou mesmo a encorajar o Manchester United a intensificar esforços pela sua contratação neste mercado.