Alfa Semedo: O regresso do “Pogba” da Guiné-Bissau

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Médio possante fisicamente, com potencial a nível técnico, veio diretamente para Portugal para integrar os juniores do Benfica. Com rótulo de diamante “box-to-box” africano ainda por lapidar, foram muitas as expetativas criadas em torno do jovem Guineense.

Ao fim de duas épocas nos escalões de formação, foi emprestado ao Vila-Franquense do CNS (Campeonato Nacional de Seniores), para ganhar experiência de futebol profissional/semiprofissional. Realizou 34 jogos ao serviço das “piranhas do Tejo”, onde apontou quatro golos. A suas prestações em campo satisfizeram as pretensões do clube encarnado, que viu nele potencial para render mais no futuro. Foi assim que decidiram na época seguinte o empréstimo ao Moreirense FC, onde poderia assim ter o desafio ideal para evoluir enquanto futebolista.

Não foi fácil a estadia em Moreira de Cónegos em termos de estabilidade desportiva. Com as várias mudanças de treinador ao longo da época, foi difícil para o jogador ganhar rotinas em campo, tanto que jogou a médio defensivo, central e até lateral.

Foi já na segunda metade da época, com Petit ao comando da equipa monegasca, que Alfa Semedo conseguiu ganhar o ritmo e a confiança necessários.

Ao todo, na época 2017/2018, foram mais de 30 jogos realizados e três golos apontados. E, tal como Yuri Ribeiro, foi também resgatado para integrar o plantel do Benfica na edição 2018/2019, como central ou médio defensivo. O plantel encarnado ganha mais um jovem com qualidade, disponibilidade e vontade de lutar por um lugar no onze titular.

Muitos o comparam a “Pogba”. Mas a verdade é que muito dessa comparação se deve ao simples facto de terem ambos o mesmo porte físico. Alfa Semedo ainda está longe de se poder equiparar ao médio francês do Manchester United.

Mas, se referirmos esta pequena semelhança de Alfa Semedo com Pogba, ambos têm a capacidade física que mais ninguém lhes pode dar!

Primeira sessão de treino do jovem de vinte anos junto do plantel encarnado
Fonte: SL Benfica

A enorme facilidade que tem em chegar a zonas de embate e progredir no campo com a bola nos pés faz dele um jogador difícil de parar nos duelos individuais. E, quando ganha a bola, não tem medo de a ter nos pés. Segura-a com facilidade e tenta sempre descobrir o colega em melhor posição de a receber. A jogar curto ou longo, consegue quase sempre tomar a melhor decisão. Também dota de um remate forte, que constitui sempre perigo nas imediações da área contrária.

Para a posição em que joga, a quantidade de vezes em que não tem bola é tão ou mais importante do que a quantidade de vezes em que a tem. E nisso o jovem Guineense ainda tem muito que evoluir, até porque tem algumas dificuldades no processo tático do jogo. Apesar da dimensão física, são muitas as vezes em que não faz uso da sua velocidade e da sua força para abordar com antecipação e agressividade cada lance adversário, sendo também muito perentório a sair da zona central para as zonas laterais do campo. Ao lembrarmo-nos de Fesja, que é um autêntico “trator”, e considerando-o o melhor médio defensivo sem bola a atuar no campeonato português, o campo de ação e de invasão que Alfa Semedo tem está longe de chegar ao mesmo patamar que o do sérvio. Como não tem a mesma capacidade mental de ler o jogo, ocupa mal os espaços, pelo que acaba por chegar tarde aos lances, criando muitas vezes problemas à equipa quando esta defende.

Para Alfa Semedo ter qualquer tipo de chance de singrar no Benfica e ser comparado aos melhores médios da atualidade ainda tem de evoluir bastante. Num patamar de exigência como o do Benfica, precisa de dar mais de si em campo – mais do que o que deu no Moreirense FC. Mas as condições estão criadas para que Rui Vitória faça dele um belíssimo trinco.

Resta ainda saber se este regresso se previu mesmo para a eventual saída de Samaris e de criar um fôlego a Fesja, ou se simplesmente foi resgatado para integrar os sub-23 ou a equipa B. Apesar dos planos dos responsáveis do clube, Alfa Semedo irá ter tempo para mostrar onde é que deve ser o seu lugar no clube.

Foto de Capa: SL Benfica

Artigo revisto por: Manuela Baptista Coelho

João Reis
João Reishttp://www.bolanarede.pt
Desde de 1993 que a cor que lhe corre nas veias é vermelha e branca! Quando era mais novo, chegou a jogar no clube rival de Lisboa, mas nunca escondeu que o seu grande amor era o Glorioso. Tem uma enorme admiração pelo Liverpool FC. Gostava de um dia ir a Anfield Road e cantar bem alto a canção que imortalizou os Gerry & The Pacemakers: "You'll Never Walk Alone!" A dar os primeiros passos como treinador de futebol, o seu maior sonho é treinar o clube de coração e alma, o Sport Lisboa e Benfica.                                                                                                                                                 O João escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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