Análise aos reforços | SL Benfica

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Após três épocas sem qualquer evidente sucesso desportivo, o Benfica chega à época de 21/22 ainda em crise, com grande fome de títulos e principalmente com a ambição de voltar à competitividade alcançada nos anos anteriores.

A verdade é que as últimas temporadas mostraram-se complicadas por vários motivos e aspetos: desde a instabilidade na direção causada pela saída do ex-presidente Luís Felipe Vieira, à aparente falta de um projeto fixo para o rumo do clube, em que se seguissem determinadas ideias para alcançar os objetivos pretendidos.

Com Jorge Jesus foi feito um fortíssimo investimento no plantel que acabou por fracassar de forma estrondosa, que acentuou e de que maneira, a crise da equipa encarnada, pois, desportivamente, o sucesso do clube ficou muito aquém das expectativas. Dessa forma emergiu uma enorme necessidade de mudança.

Assim sendo, o Benfica escolheu que Roger Schmidt seria a pessoa indicada para assumir o comando técnico da equipa encarnada, e com essa mesma escolha percebeu-se que iria existir uma mudança de mentalidade no que toca ao futuro rumo do clube.

Roger Schmidt Benfica
Fonte: Paulo Ladeira/Bola na Rede

Essa renovação de pensamento refletiu-se na forma como o Benfica atacou o mercado para a nova época. Foi possível verificar a existência de critérios na montagem da nova equipa e nas novas contratações, critérios esses que foram ao encontro das características do jogo do técnico alemão.

Os encarnados reforçaram-se de forma excelente e bem pensada ao adicionarem à equipa jogadores para todos os setores do terreno. Jogadores como Enzo Fernandéz, David Neres, Fredrik Aursnes, Alexander Bah, Petar Musa, João Victor, Mihailo Ristic, John Brooks e Julian Draxler.

Nesse sentido é importante olhar para esses mesmos reforços e analisar o seu desempenho desde que chegaram a Lisboa para representar as águias.

Começando pelo setor defensivo, o Benfica reforçou-se com dois laterais e dois centrais. Os centrais, João Victor e Brooks, chegaram com objetivos diferentes, mas a verdade é que ainda não obtiveram minutos suficientes para mostrar realmente algo merecedor de grande atenção, muito por culpa de António Silva, que inesperadamente agarrou a titularidade e não a deixou escapar mais. João Victor, principalmente, poderá agora na paragem para o mundial, nas partidas a contar para a Taça da Liga, ganhar algum espaço e mostrar a sua qualidade, face à ausência dos habituais titulares que não se vão encontrar disponíveis.

Por sua vez, os laterais contratados, Bah e Ristic, têm-se mostrado reforços bastante úteis e capazes de lutar por um lugar no onze inicial. Bah começou a época como suplente de Gilberto, mas após alguns jogos acabou por merecer a titularidade e desde então não tem desiludido. É muito presente nas manobras ofensivas e tem uma grande capacidade de criação espaços na ala para assistir os seus colegas. Possui características diferentes do seu concorrente de posição, o que é bastante positivo. Já Ristic não teve tantas oportunidades, mas quando as mesmas surgiram soube aproveitá-las, ao realizar grandes exibições. Mostrou-se um substituto à altura, capaz de discutir o lugar com Grimaldo, algo que já carecia no Benfica há algumas épocas.

Enzo Fernández Benfica
Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

No que toca ao meio-campo, os encarnados reforçaram-se com Enzo Fernandéz e Fredrik Aursnes. Provavelmente as melhores contratações efetuadas pelo Benfica na presente época. Para além de terem sido ótimos negócios, foram jogadores que causaram impacto desde o momento que chegaram.

Enzo, que até se esperava que chegasse apenas em Janeiro, integrou a equipa quando ela era ainda miúda e faz parte do plantel desde a pré-época. Mesmo já tendo alguns meses de competição efetuados antes de rumar ao Benfica, o ex-CA River Plate tem sido uma peça absolutamente fundamental nos encarnados somando já três golos e quatro assistências nos jogos realizados até ao momento. Encaixou verdadeiramente que nem uma luva no sistema de Roger Schmidt. Um médio muito completo, exposto ao jogo e bastante atrevido a rematar à baliza. Um diamante na equipa do Benfica, que tem apenas 21 anos, algo realmente surpreendente tendo em conta toda a sua qualidade.

Aursnes, ao contrário de Enzo, chegou à Luz de forma mais despercebida, mas rapidamente se mostrou nos grandes palcos e demonstrou a razão pela qual foi contratado. Tem sido o verdadeiro “Joker” dos encarnados, capaz de jogar de forma irrepreensível em qualquer posição, quando solicitado. Alguém que tem vindo a surpreender cada vez mais ao longo do tempo, e promete ser uma das principais figuras das águias até ao final da temporada.

Por último, o setor ofensivo, que beneficiou da vinda de dois extremos e uma ponta de lança: David Neres, Julian Draxler e Petar Musa.

Neres, que chegou à Luz proveniente do FK Shakhtar Donetsk, encontrou, em Lisboa, o local perfeito para reaver o seu melhor futebol e reavivar a sua carreira, que há já algum tempo se encontrava numa fase complicada. Tem sido excelente sob as ordens de Roger Schmidt, contabilizando sete golos e oito assistências em 20 jogos até ao momento. Um ótimo reforço, que tem tido a oportunidade de mostrar todo o seu talento e ajudado de forma significativa o conjunto encarnado

Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

Draxler, tal como Neres, chegou também em moldes parecidos, tendo em conta a necessidade de reavivar o seu melhor futebol, há muito ofuscado nas sombras de grandes nomes em Paris. Apesar de ter jogado relativamente pouco tempo, manifestou-se competente e com capacidade de ser uma mais-valia no plantel benfiquista, quando saudável.

Musa, inicialmente visto como a terceira ou até quarta opção no planeamento para os avançados para a temporada, conquistou o seu espaço e tem vindo a trabalhar para lutar pela titularidade com Gonçalo Ramos. Normalmente vindo do banco, o ex-Boavista FC, exprime todo o seu potencial com as suas ações dentro das quatro linhas, causando sempre grande impacto ao entrar, contabilizando cinco golos e uma assistência em 629 minutos jogados. É alguém que surpreendeu até ao momento, e sem dúvida alguém a ter em conta até ao final da temporada.

Naquele que foi o primeiro mercado de transferências da era Roger Schmidt, estes foram os reforços pensados para acrescentar qualidade à equipa, e a verdade é que, até ao momento, não é possível apontar falhas no modelo de pensamento utilizado para a presente época, algo que já não acontecia há algum tempo no Sport Lisboa e Benfica.

Guilherme Terras Marques
Guilherme Terras Marques
Orgulhoso estudante da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, vê no futebol e na sua cultura uma paixão. É apenas mais um jovem ambicioso que sonha fazer do jornalismo desportivo a sua vida. Escreve com o novo acordo ortográfico

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