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Bailando para o 36

Redação BnR · 2 min

Bailando para o 36

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Para quem tapa o sol com a peneira e festeja campeonatos ainda antes de festejar o Natal será “sorte”, “vouchers” e o “poder da estrutura”. As hashtags criativas, os “comidos de cebolada” e outras demência afins são o perfeito retrato do espírito dos dois clubes: há o que fala e é o campeão da moral e depois há o que ganha. O Benfica falou durante muitos anos e com isso viu o Porto dominar a seu bel-prazer o futebol português. Calou-se e voltou a ganhar. Não tem grande segredo. Para quem não brinca ao futebol e já tem 35 campeonatos no museu é o campeonato mais saboroso de sempre. Erro crasso, pois, do rival ao não perceber que a sua patética campanha ao longo de toda a época só lhe foi prejudicial para si e benéfica para o Glorioso.

Estávamos no início do ano quando Jorge Jesus e a estrutura do Sporting – seguidos de pronto pelos seus adeptos-carneiros – decidiram fazer aquilo com que tanto atacam o tricampeão. A sobranceria atingiu níveis épicos e meteu a gasolina que estava a faltar no Ferrari. A partir daí foram 17 vitórias em 18 jogos, a confirmação de Jonas de ouro, o recorde de pontos (!!!!) da história dos campeonatos e o melhor ataque da prova. Um trabalho soberbo de Rui Vitória, que chegou de mansinho, se viu a quase dez pontos do objectivo e manteve sempre a postura, elegância e classe que se exige a um treinador desta casa.

Aguentou uma equipa nos limites físicos e mentais e que, a cada jogo, ia encontrando forças e alento nas provocações que diariamente chegavam do outro lado. Um título muito seu ao qual juntou uma fantástica campanha europeia onde olhou nos olhos de duas das melhores equipas do mundo e trouxe de volta o Benfica europeu, que joga à terça e quarta-feira e não à quinta. À volta de Jonas construiu um colectivo fortíssimo, com um espírito à prova de bala e que foi atropelando adversários a partir do início do ano. Estava, aí, montada a maré encarnada que empurraria a equipa para o 35.º

A forma como o Sport Lisboa e Benfica se reergueu da chacota e das traições de que foi alvo no início da época é simplesmente a prova de que este Clube é muito maior do que qualquer pessoa e manter-se-á SEMPRE destinado àquilo para que nasceu: ganhar. E pensar no 36.º. O Senhor Costa, companheiro de bancada que a injustiça da vida levou dias antes do tricampeonato, também deve estar feliz. Ele merece, porque era sempre “cincazero”.

Foto de capa: SL Benfica

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