Boavista FC 2-2 SL Benfica: Nélson, não retires quem fez o Benfica jogar

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A CRÓNICA: SAEM TAARABT E EVERTON, ENTRA A PRESSÃO EM FORMA DE MUSA

Na tribuna de imprensa de uma partida de futebol, vários são os meios de comunicação social que compõem a respetiva ficha técnica e as rádios, como as televisões e os jornais, dispõe-se defronte para o relvado com a pretensão de efabular o encontro.

Contudo, na noite que congelava o Estádio do Bessa, a voz dos profissionais foi incapaz de se superiorizar aos clamores dos adeptos do Boavista FC e do SL Benfica. Consta-se que cada um deles, antes da entrada no recinto, bebeu um copo de vinho do Porto.

Quem não bebeu álcool foi, certamente, Taarabt. Após uma perda de bola de Yusupha a meio-campo, Everton recuperou e conduziu o esférico para o flanco esquerdo. Aí, o extremo combinou com Gonçalo Ramos que solicitou a desmarcação de Darwin.

O avançado rompeu a linha da grande área, viu Rafa onde ninguém esperava encontrá-lo e o camisola 27, com nota artística, pede a Taarabt que finalize uma bonita jogada coletiva: o marroquino disse sim e colocou o SL Benfica em vantagem (20’). 0-1!

As câmaras filmaram o movimento de Cannon!? Pergunto isto porque, num livre ofensivo, o lateral direito do Boavista FC saiu da pressão de três homens como se a mesma não existisse e cruzou para Musa que desperdiçou a oportunidade (28’).

Quem era parte integrante do público, pressentia que Everton queria ser um dos protagonistas da partida. Do nada, o brasileiro rasga a defesa boavisteira com um passe para Darwin e os adeptos benfiquistas levantam-se: o camisola 9 cruza atrasado, Rafa embrulha-se com Javi Garcia e Grimaldo surge na acalmia que lhe é característica (30’). 0-2!

Chegou o tempo das águas, aqueles sumos que dadivam os jogadores com energia e um ou dois chás e pausa para a micção.

A pantera subiu ao relvado repleta de atitude. Musa (47’), recetor de um passe de Pérez, quis desviar a bola do alcance de Vlachodimos, mas a mancha parecia de lixivia e, como tal, não deu tréguas.

O Boavista FC parecia crescer na partida face à tentativa de gestão encarnada. Para reduzir, a equipa liderada por Petit necessitava de uma Musa inspirador (73’): após recuperação de bola no reduto encarnado, Makouta encontra Gustavo Sauer no flanco direito: o médio enfrenta Grimaldo, tabela com o avançado croata que, de calcanhar, devolve o esférico, progride e desfere um remate ao poste mais próximo de Vlachodimos. 1-2!

As bancadas animaram-se, a bola foi ao centro do terreno e a pressão sobre o portador da bola aumentou. Hamache (75’) projeta um petardo do meio da rua e faz a bola embater no poste.

Gorré trouxe velocidade ao jogo, é um facto. E o SL Benfica ressentiu-se à passagem do minuto 80: o camisola sete, no flanco esquerdo, faz a diagonal, ludibria Otamendi e a bola sobra para Makouta; o box-to-box, oriundo de trás, remata de primeira e envia a bola ao ângulo superior esquerdo da baliza adversária. 2-2! A igualdade estava reposta!

Até ao término da partida, nada digno de registo. Para uma sexta-feira “antártica”, foi privilegiado o espetáculo e a emoção durante os 90 minutos.

 

A FIGURA

SL Benfica Boavista FC
Fonte: Paulo Ladeira/ Bola na Rede

Segunda parte do Boavista FC – A garra de Petit parecia ter sido personificada nos segundos 45 minutos da partida. Até à saída de Taarabt, o Boavista FC não foi capaz de ter bola e de conseguir criar estragos na defesa do SL Benfica.

Contudo, mal o marroquino deixou a quadra, o Boavista FC acreditou e fez das tripas coração para operar a reviravolta (ou parte dela). Gustavo Sauer e Makouta souberam aproveitar as fragilidades dos encarnados e presentearam os adeptos com um precioso ponto.

 

O FORA DE JOGO

SL Benfica Boavista FC
Fonte: Paulo Ladeira/ Bola na Rede

Substituições do SL Benfica – A saída de Taarabt e Everton prejudicou, sem sombra de dúvidas, a gestão da vantagem e da própria partida.

O SL Benfica perdeu posse de bola, de profundidade e de velocidade no jogo. Durante a estadia da dupla em campo, as águias tiveram o jogo controlado e conseguiam facilmente estancar as investidas ofensivas do Boavista FC. Sem eles, voltaram os fantasmas…

 

ANÁLISE TÁTICA – BOAVISTA FC

Petit voltou a montar um 3-4-3 bastante enquadrado dentro daquilo que é modelo de jogo do SL Benfica.

Bracalli alinhou entre os postes, com Reggie Cano, Javi García e Tiago Ilori como defesas centrais. Este último viu-se obrigado a ser substituído por aparentes queixas musculares, e Hamache foi chamado para o lugar do português.

No meio-campo, Sebastián Pérez atuava como médio mais recuado, com ligação à defesa na construção ofensiva, e Makouta atuava a “8”. Nathan e Filipe Ferreira preenchiam as alas, tentando dar mais largura ao jogo dos axadrezados.

Na frente de ataque, Gustavo Sauer e Petar Musa eram os homens-alvo, com a ajuda de Yusupha e os seus movimentos interiores de aproximação.

  ONZE INICIAL E PONTUAÇÕES

Rafael Bracalli (6)

Reggie Cannon (6)

Javi García (6)

Tiago Ilori (5)

Nathan (7)

Sebastián Pérez (6)

Makouta (7)

Filipe Ferreira (6)

Gustavo Sauer (7)

Yusupha Njie (6)

Petar Musa (7)

SUBS UTILIZADOS

Hamache (6)

Kenji Gorré (6)

Fran (5)

 

ANÁLISE TÁTICA – SL BENFICA

Com a novidade da inserção de Adel Taarabt no onze inicial, Nélson Veríssimo permaneceu com o 4-4-2 tradicional em que colocou o SL Benfica a jogar.

Vlachodimos na baliza e com a linha defensiva central composta pelos já veteranos Vertonghen e Otamendi. Os lateria escolhidos foram o já habitual Alejandro Grimaldo e Valentino Lázaro.

No meio-campo, Taarabt surgiu, como já dito, como par de Julian Weigl. A atuar como extremos, voltaram Rafa Silva e Everton, no apoio a Gonçalo Ramos e Darwin Núñez.

ONZE INICIAL E PONTUAÇÕES

Odysseas Vlachodimos (6)

Valentino Lázaro (4)

Nico Otamendí (6)

Jan Vertonghen (6)

Alex Grimaldo (6)

Julian Weigl (6)

Adel Taarabt (8)

Rafa Silva (6)

Everton (7)

Gonçalo Ramos (6)

Darwin Núñez (6)

SUBS UTILIZADOS

João Mário (5)

Nemanja Radonic (5)

Roman Yaremchuk (5)

Gilberto (5)

 

BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA

Boavista FC

BnR: Boa noite, mister! Existiu alguma modificação da mensagem que transmitiu na entrada na partida para a entrada na segunda metade? Que aspetos táticos decorreram das saídas de Taarabt e Everton?

Petit: Isso tem que perguntar ao Nélson. Tentar melhorar e foi o que fizemos. Com a retirada do Yusupha e a entrada do Gorré. Queríamos levar o SL Benfica para o corredor e depois vir para o corredor central e para o lado oposto. Queríamos encontrar o 1 vs.1 e 2 vs.1. Na primeira parte não fizemos isso, mas na segunda parte trabalhamos em termos defensivos e em termos ofensivos. E quero aqui também dar uma palavra aqui a alguns jogadores que se tem adaptado a posições que não são as deles.

 

SL Benfica

BnR: As substituições foram um dos fatores que levaram ao declínio da exibição do SL Benfica?

Nélson Veríssimo: Não, não tenho essa opinião. Claro que podemos estar suscetíveis a esse tipo de opinião. No nosso entendimento, naquele momento, já não estávamos a ter o controlo do jogo. Tiramos o Taarabt e o Everton e colocamos em jogo o Nemanja e o João Mário precisamente para ter mais bola e para gerir a posse. Queríamos dar conforto à equipa. A entrada do Nemanja serviu para atacar a profundidade da linha defensiva do Boavista FC. Julgo que as coisas não estejam associadas umas às outras.

Artigo redigido por Andreia Araújo e Romão Rodrigues

Redação BnR
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