Publicidade

Bruno Lage | Crónica de uma saída anunciada (e por demais retardada)

Márcio Francisco Paiva · 2 min

Vê mais Bola na Rede no teu Discover Seguir no Google

Só faltava a laje, para colocar à cabeça de uma cova há muito escavada. Só faltava a Madeira, para fabricar um caixão há muito encomendado. Talvez por custar enfrentar a morte, mesmo que se trate da morte de um ciclo, ainda não tinha havido coragem (como de costume…) para deixar ir Bruno Lage.

Numa clara demonstração de falta de punho, liderança e visão do (ainda) presidente do Sport Lisboa e Benfica, a anunciada e desejada saída de Lage do comando técnico dos futuros vice-campeões nacionais só se materializou quando o próprio ex-técnico dos encarnados se viu forçado a colocar o lugar à disposição.

No entanto, mais do que a saída, surpreendeu a queda de Bruno Lage. De viver um estado de graça por graça de Jaime Graça a cair em desgraça sem que ninguém ache graça alguma foi um instantinho. Em cerca de ano e meio, Lage caiu sem paraquedas do pico mais alto dos céus divinos (Monte Eusébio, creio ser o nome) até às mais profundas profundezas do Inferno da Luz.

Compreender-se-ia, com relativa facilidade, que Lage alcançasse um patamar razoável e caísse para um não tanto razoável. Não se compreende, nem muito menos se explica, que um treinador atinja um patamar em que bate recordes históricos positivos e caia depois para um patamar em que quebra recordes históricos negativos.

Bruno Lage sai do SL Benfica com 48 jogos, 38 vitórias, 5 empates e 5 derrotas
Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Todavia, não foi (apenas) por culpa própria que Lage caiu tanto. Luís Filipe Vieira podia e devia ter amparado a queda do setubalense ainda nos anos a.C. (antes do Covid). Não o fez então, não o fez depois e não o fez agora! Talvez, quiçá, tenha visto a luz e decidido ignorar desta vez. O problema é que, desta feita, a luz era da traseira de um camião, contra a qual o Ferrari vermelho se enfaixou. Por falar em enfaixar, podem pintar de azul e branco as faixas de campeão…

O futebol encarnado perdeu qualidade. Logo, o SL Benfica perdeu jogos (e competições). Logo, Bruno Lage perdeu o emprego. Feliz ou infelizmente, as coisas são algebricamente assim. É tempo agora de Lage procurar uma nova aventura e das águias procurarem um novo aventureiro. E terá que ser um enorme aventureiro o próximo timoneiro do clube da (pouca) Luz, porque não é qualquer pessoa sã que aceita treinar uma equipa cuja ala direita é composta por André Almeida e Pizzi.

No momento da despedida, pouco mais posso escrever (já que não posso utilizar profanações). Podia socorrer-me de toda uma miríade de estatísticas e dissertar sobre elas e tentar explicar o inexplicável. Podia recolher toda uma panóplia de opiniões e citações e pronunciar-me sobre as mesmas. Contudo, neste momento de emoções fortes e dilacerantes, apenas um número interessa: um.

Bruno Lage sai do SL Benfica com um título de campeão magistralmente conquistado e com um triunfo em cinco jogos após a retoma. Foi bom, muito bom, enquanto durou, mas nada dura para sempre (nada, Vieira, nada…). Obrigado pelos bons momentos, Lage. Espero que a vida te vista de sorte, mas o teu ciclo terminou. Ponto final. Parágrafo. Fim.

Márcio Francisco Paiva

Redação Bola na Rede · ver artigos

Continua a ler

as mais recentes
Fórmula 1

Antevisão GP Singapura: Max Verstappen conquista a 50.ª pole position da carreira

A ANTEVISÃO: MAX VERSTAPPEN CONQUISTA A PRIMEIRA POLE EM SINGAPURA, OS FERRARI PROMETEM DAR LUTA E A MERCEDES FICA AQUÉM DAS EXPETATIVAS Está a ser um fim de semana perfeito para Max Verstappen. Depois da vitória na corrida Sprint, o tetracampeão mundial foi o mais rápido no circuito de Marina Bay e conquistou a sua primeira pole position em Singapura e a 50.ª da carreira na Fórmula 1. Será que o Max Verstappen do final de 2025 está de volta?

Gonçalo Carneiro · 3 min de leitura
Ler a crónica
Opinião

Lamber as feridas do Dragão | Benfica x Vitória SC

Quase três semanas depois, e com muita polémica em torno da seleção nacional, as emoções do campeonato estão de volta. O Benfica é o último dos três grandes a apresentar-se nesta jornada. Após os triunfos de Sporting e FC Porto os encarnados estão obrigados a vencer para não se atrasarem ainda mais na corrida pelo título. As águias vão defrontar o Vitória SC, que tem estado a realizar um campeonato aquém das expetativas, e este poderá ser o adversário ideal para sarar as feridas provocadas no Estádio do Dragão. Marco Silva tem algumas dores de cabeça para esta partida, mas nada que não se resolva. O treinador encarnado não vai poder contar com os lesionados Daniel Banjaqui, Alexander Bah, Jaden Umeh, Jakub Kaminski e Enzo Barrenechea. Georgiy Sudakov é o único do departamento médico que está em dúvida. Clément Lenglet também não vai a jogo por estar a cumprir castigo após a expulsão frente ao FC Porto. Oportunidade para Alessandro Circati estrear-se como titular no eixo da defesa.  Com Banjaqui e Bah indisponíveis, Fredrik Aursnes irá ocupar o lado direito da defesa. Nada que o médio norueguês já não esteja habituado, pois recentemente desempenhou essa função ao serviço da sua seleção. Em relação a Sudakov, mesmo que entre na convocatória não será titular. Andreas Schjelderup deverá ocupar novamente a posição 10 atrás de Vangelis Pavlidis.

Rui Alves Maria · 5 min de leitura
Ler a crónica

Newsletter Bola na Rede

Estamos a preparar a newsletter do Bola na Rede. Deixa o teu email e és dos primeiros a recebê-la. Sem spam.

Feito. Ficas na lista e avisamos-te quando arrancar.