Circo sem música, palhaços à solta | SL Benfica

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A presença dos dirigentes do Flamengo no Dragão, aos risos após cada golo do FC Porto, foi um ataque institucional e uma grave ofensa à reputação dos dirigentes lisboetas. A conivência de Jorge Jesus para este namoro – algo com o qual demonstrou estar sempre pronto e à vontade – daria por si só razões para rescisão de contrato.

Exigia-se uma atitude mais imperativa do presidente atual, que foi permitindo a montagem da tenda deste circo sem interferir ou sequer mostrar qualquer desagrado. Que Jorge Jesus não era o seu treinador já todos conseguíamos perceber – mas haveria certamente outras formas de o demonstrar.

A última atuação e número circense teve como protagonista Pizzi, que volta a ter o destaque que foi perdendo no lado desportivo pela sua capacidade em interferir com a estabilidade do cargo técnico, suportado pelos pesos-pesados dum plantel peso-pluma.

O médio português insurgiu-se contra o técnico, colocou todo o plantel do seu lado e liderou o suposto “motim” que ocorreu no Seixal, dando a Jesus mais motivos para consumar a sua vontade.

Deste episódio rocambolesco e tradutor da desconcertante relação vivida no último ano e meio entre jogadores e treinador, poderão ser retiradas milhentas conclusões – que serão esmiuçadas nas próximas semanas por quem o sabe realmente fazer.

Circo SL Benfica Pizzi
Pizzi terá tido uma discussão acesa com Jesus na véspera da saída do técnico
Fonte: Sebastião Rôxo / Bola na Rede

No entanto, duas sobressaem: em primeiro lugar, o peso de Pizzi no balneário e a sua preponderância na dança de cadeiras dos últimos anos, alavancada pela sua amizade com os mais veteranos elementos do plantel – os rumores que os associam ao implodir de Bruno Lage têm agora outra perspectiva.

Em segundo, a conclusão de que Jorge Jesus ficou retido, em termos comunicacionais, numa era que se regia pela lei do grito e pelo fetiche à autoridade, num país que nunca soube viver sem a mesma ser imposta de forma vincada.

A prova definitiva de que a nova geração de treinadores portugueses, encabeçada por Rúben Amorim e Bruno Lage e que se destacam pelo primor comunicacional e forma pedagógica de liderar, obedecem mais às variantes culturais que definem os jogadores de agora, imunes e aversos ao carisma errático e de chapa quente que caracterizam Jesus ou, como atestado pelas inúmeros episódios de há uns tempos para cá, José Mourinho.

Continuam-se a rir os dirigentes brasileiros, que alcançam o que sempre quiseram. Com Jorge Jesus à sua disposição, há agora bota para descalçar: Paulo Sousa, que deu ares da sua icónica lealdade e compromisso com causas maiores ao abandonar a Polónia – a dois meses do play-off crucial de acesso ao Mundial – e aceitou o convite para experimentar o Brasileirão.

“Karmicamente”, serviu apenas para ser o isco que fez Jorge Jesus morder e agora é um peão nas politiquices e joguinhos de interesses, estando a interferir numa reconciliação que todos querem que aconteça em Terras de Vera Cruz.

 

Pedro Cantoneiro
Pedro Cantoneirohttp://www.bolanarede.pt
Adepto da discussão futebolística pós-refeição e da cultura de esplanada, de opinião que o futebol é a arte suprema.

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