Última horaEntre a ‘segurança’ e a ‘juventude’: Rui Borges com decisão importante a tomar nas próximas horas no Sporting
Publicidade

Deixem o Futebol em Paz

Nadine Gil · 5 min

Vê mais Bola na Rede no teu Discover Seguir no Google

Chega ao fim uma semana muito agitada fora das quatro linhas. Não entremos em rodeios introdutórios e vamos diretos ao assunto, que tem muito que se lhe diga. Ora, então, em jeito de protesto, o Benfica não esteve presente no Portugal-Hungria e solicitou reuniões à Federação Portuguesa de Futebol e à Liga Profissional de Futebol. Esta semana os ‘encarnados’ já não tinham comparecido à Gala Quinas de Ouro, pelo mesmo motivo, que explicaram através de um comunicado oficial. As ‘águias’ quebraram o silêncio face àquela que consideram ser uma “inequívoca dualidade de critérios da justiça desportiva” e expuseram a sua revolta perante o “clima de impunidade” a que se assiste no futebol português. Sublinharam ainda a “ineficácia das principais instituições” no que diz respeito a uma “total ausência de decisões” em processos que impliquem clubes que não o Benfica. Porque, nesse caso, meus amigos, é o verdadeiro manda e faz.

Mas que rol de acontecimentos provocou este agastamento nos responsáveis do Benfica? Para não deixar os menos atentos a ‘navegar na maionese’, passo a explicar (e passo também a expressão) algumas das palhaçadas a que temos assistido neste campeonato.

Para começar, é óbvia e clara a impunidade de Pinto da Costa e de Bruno de Carvalho, presidentes do FC Porto e do Sporting, respetivamente, no que toca às constantes críticas que fazem à arbitragem portuguesa. Evidente é também o contraste dessa impunidade relativamente às sanções aplicadas a Luís Filipe Vieira, presidente do Benfica. Recuando à já distante 2.ª jornada, em que o Benfica defrontou, em casa, o Vitória de Setúbal, Luís Filipe Vieira dirigiu-se a João Ferreira, membro do Conselho de Arbitragem, e teceu algumas críticas a Manuel Oliveira, árbitro nomeado para apitar aquela partida. Resultado: 60 dias de suspensão para o líder das ‘águias’ por “lesão da honra e da reputação” dos “membros dos órgãos da estrutura desportiva, elementos da equipa de arbitragem, dirigentes, jogadores, demais agentes desportivos ou espetadores”. No entanto, parece que a justiça só funciona de um dos lados da 2.ª Circular. Em águas de bacalhau está o inquérito aberto pela Liga de Clubes contra Bruno de Carvalho, pelos incidentes no túnel de Alvalade após o jogo com o Arouca. Carlos Pinho, presidente do Arouca, acusa o dirigente ‘leonino’ de uma tentativa de agressão, e há imagens que testemunham esse momento vergonhoso. Cabe à Liga de Clubes avaliar o caso e apurar responsabilidades. Vários meses se passaram e ainda nada aconteceu. Já para não falar das constantes críticas à arbitragem por parte de Bruno de Carvalho. Poderia enumerá-las, mas tenho mais pontos a comentar e não haveria linhas suficientes para tantos exemplos. Mas, no final de contas, é como disse o presidente do Sporting, referindo-se a esse caso: “eu, castigado? Seria o cúmulo dos cúmulos”.

A Norte, o que acontece é semelhante. Pinto da Costa tem-se desdobrado em críticas à arbitragem portuguesa. Fê-lo, por exemplo, após o jogo em que o FC Porto defrontou o Desportivo de Chaves, na 14.ª jornada, reiterando que “os árbitros erram, errar é humano, mas também quando um jogador erra tiram-no da equipa”; foi ainda mais longe e finalizou desta forma: “não compreendo como é que o conselho de arbitragem não toma medidas, um dia as pessoas perdem a paciência”. Posso mencionar ainda os comentários de Pinto da Costa à arbitragem do Benfica-V. Setúbal (!): “a arbitragem vai ser sempre discutida quando o Benfica não ganha, mesmo que não haja razão concreta. Tenho a certeza de que, quando o Benfica não ganhar, será contestada, toda a gente já percebeu isso”. Não critico o facto de os dirigentes dos clubes puxarem a brasa à sua sardinha, porque, se se sentem injustiçados, pois que se façam ouvir! Mas, se é para haver castigos, inquéritos, processos e demais burocracias, que haja equidade e justiça na hora das avaliações.

 

Alvoroço que se instalou no Dragões Diário, a newsletter do ‘clube da Invicta’. Na semana passada, os ‘azuis e brancos’ deram-se ao incrível trabalho de enumerar 11 lances em que Pizzi, médio do Benfica, deveria ter visto cartão amarelo e não viu. Isto, na ótica dos ‘dragões’, trocado por miúdos, significa nada mais, nada menos que um adiamento do quinto cartão amarelo para o internacional português, que resulta numa suspensão de um jogo. O FC Porto fala mesmo num clima de “proteção” de Pizzi e numa adulteração da “verdade desportiva”. Dou a mão à palmatória à elaboração de teorias da conspiração desta dimensão.

A dualidade de critérios que atinge Rui Vitória Fonte: UEFA
A dualidade de critérios que atinge Rui Vitória
Fonte: UEFA

Também não é possível falar em clima de coação no futebol português sem referir a ‘simpática’ visita de membros alegadamente pertencentes à claque Portista, os Super Dragões, ao centro de treinos dos árbitros, na Maia. Artur Soares Dias foi ameaçado e instalou-se um ambiente de condicionamento aos árbitros. Aconteceu em janeiro. Isto sai impune? É de ameaças e terror que o futebol português se faz?

O Benfica não quis ser “comido de cebolada” e o comunicado gerou logo reações. Como de costume, o Sporting deu o ar de sua graça (mais do mesmo, portanto) e anunciou que iria apresentar uma participação contra o ‘clube da Luz’, por aquele que considera ser um ataque às organizações que gerem o futebol. A verdade é que o Conselho de Disciplina da FPF abriu mesmo um processo disciplinar ao Benfica. Cada cabeça, sua sentença.

Neste momento, assiste-se a um alvoroço sem precedentes na I Liga de futebol. Parece que se assiste também a uma rivalidade em que todos se queixam e onde quem fizer mais barulho leva a taça para casa. Esta pressão não abona em nada o futebol português. Estamos a uma semana do clássico Benfica-FC Porto, no Estádio da Luz, e as equipas vão entrar no relvado em polvorosa, não só pela luta pelo primeiro lugar da classificação, como também pelo frenesim que se vive fora de campo. Se vai haver mais pano para mangas até ao final do campeonato, já daqui a menos de dois meses? Arrisco responder que sim. Até porque só um pode ser campeão, e a técnica da oratória já tem barbas.

Nadine Gil

Redação Bola na Rede · ver artigos

Continua a ler

as mais recentes
Opinião

Quando os outsiders deixam de pedir licença | Premier League

Há uma altura em todas as épocas em que olhamos para a classificação da Premier League e procuramos os intrusos. Aqueles clubes que, por alguma razão, decidiram não respeitar a hierarquia habitual e instalaram-se em lugares que, à partida, pareciam reservados aos mesmos de sempre. Este ano, apenas cinco jornadas decorreram para dois nomes já começarem a desviar a atenção, o Brighton e o Leeds. O primeiro está em terceiro. O segundo, em quinto. Ambos invictos e separados por apenas um ponto. Mas talvez mais interessante do que a posição que ocupam seja a sensação de que nenhum dos dois parece estar ali por acaso... Mas analisemos com factos. O Brighton já marcou 16 golos em cinco jornadas, mais do que qualquer outra equipa do campeonato, e só perdeu um jogo. O Leeds sofreu apenas três golos e ainda não conheceu a derrota.

Francisca Marafona Graça · 4 min de leitura
Ler a crónica
Opinião

Cristiano Ronaldo: Obviamente, Finish

Existem momentos em que no espaço futebolístico e mediático não se fala noutro tema. Sendo esses momentos absolutamente inevitáveis, em muitos deve haver consciência por parte dos protagonistas, ações algo dignas e a capacidade de seguir em frente. Assim deve ser, não só pelo respeito por quem está a ver (o país e até o mundo), mas sobretudo pelo respeito por si próprios. Assim foi, tem sido e devia ser o recente escândalo em torno da seleção nacional, envolvendo Pedro Proença, Jorge Jesus e maioritariamente Cristiano Ronaldo.   Em vez de ir cronologicamente e ao pormenor a cada um dos acontecimentos que fizeram parte desta polémica, que já foram repetidos várias vezes pelos média ou tentar perceber, ponto por ponto, quem teve razão e quem não teve, que seria muito aborrecido e sinceramente já é algo enjoativo (pois há teorias e boatos sobre o que qualquer uma das partes terá dito ou feito), é mais necessário colocar um ponto final em todo este embaraço. Todo este imbróglio deixa fragilizado o prestígio da Federação Portuguesa de Futebol (mais que a do seu Presidente), a figura do Selecionador Nacional e ainda mais, o legado e a imagem de Cristiano Ronaldo.

Jorge Afonso · 12 min de leitura
Ler a crónica

Newsletter Bola na Rede

Estamos a preparar a newsletter do Bola na Rede. Deixa o teu email e és dos primeiros a recebê-la. Sem spam.

Feito. Ficas na lista e avisamos-te quando arrancar.