Deixem o Futebol em Paz

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Chega ao fim uma semana muito agitada fora das quatro linhas. Não entremos em rodeios introdutórios e vamos diretos ao assunto, que tem muito que se lhe diga. Ora, então, em jeito de protesto, o Benfica não esteve presente no Portugal-Hungria e solicitou reuniões à Federação Portuguesa de Futebol e à Liga Profissional de Futebol. Esta semana os ‘encarnados’ já não tinham comparecido à Gala Quinas de Ouro, pelo mesmo motivo, que explicaram através de um comunicado oficial. As ‘águias’ quebraram o silêncio face àquela que consideram ser uma “inequívoca dualidade de critérios da justiça desportiva” e expuseram a sua revolta perante o “clima de impunidade” a que se assiste no futebol português. Sublinharam ainda a “ineficácia das principais instituições” no que diz respeito a uma “total ausência de decisões” em processos que impliquem clubes que não o Benfica. Porque, nesse caso, meus amigos, é o verdadeiro manda e faz.

Mas que rol de acontecimentos provocou este agastamento nos responsáveis do Benfica? Para não deixar os menos atentos a ‘navegar na maionese’, passo a explicar (e passo também a expressão) algumas das palhaçadas a que temos assistido neste campeonato.

Para começar, é óbvia e clara a impunidade de Pinto da Costa e de Bruno de Carvalho, presidentes do FC Porto e do Sporting, respetivamente, no que toca às constantes críticas que fazem à arbitragem portuguesa. Evidente é também o contraste dessa impunidade relativamente às sanções aplicadas a Luís Filipe Vieira, presidente do Benfica. Recuando à já distante 2.ª jornada, em que o Benfica defrontou, em casa, o Vitória de Setúbal, Luís Filipe Vieira dirigiu-se a João Ferreira, membro do Conselho de Arbitragem, e teceu algumas críticas a Manuel Oliveira, árbitro nomeado para apitar aquela partida. Resultado: 60 dias de suspensão para o líder das ‘águias’ por “lesão da honra e da reputação” dos “membros dos órgãos da estrutura desportiva, elementos da equipa de arbitragem, dirigentes, jogadores, demais agentes desportivos ou espetadores”. No entanto, parece que a justiça só funciona de um dos lados da 2.ª Circular. Em águas de bacalhau está o inquérito aberto pela Liga de Clubes contra Bruno de Carvalho, pelos incidentes no túnel de Alvalade após o jogo com o Arouca. Carlos Pinho, presidente do Arouca, acusa o dirigente ‘leonino’ de uma tentativa de agressão, e há imagens que testemunham esse momento vergonhoso. Cabe à Liga de Clubes avaliar o caso e apurar responsabilidades. Vários meses se passaram e ainda nada aconteceu. Já para não falar das constantes críticas à arbitragem por parte de Bruno de Carvalho. Poderia enumerá-las, mas tenho mais pontos a comentar e não haveria linhas suficientes para tantos exemplos. Mas, no final de contas, é como disse o presidente do Sporting, referindo-se a esse caso: “eu, castigado? Seria o cúmulo dos cúmulos”.

A Norte, o que acontece é semelhante. Pinto da Costa tem-se desdobrado em críticas à arbitragem portuguesa. Fê-lo, por exemplo, após o jogo em que o FC Porto defrontou o Desportivo de Chaves, na 14.ª jornada, reiterando que “os árbitros erram, errar é humano, mas também quando um jogador erra tiram-no da equipa”; foi ainda mais longe e finalizou desta forma: “não compreendo como é que o conselho de arbitragem não toma medidas, um dia as pessoas perdem a paciência”. Posso mencionar ainda os comentários de Pinto da Costa à arbitragem do Benfica-V. Setúbal (!): “a arbitragem vai ser sempre discutida quando o Benfica não ganha, mesmo que não haja razão concreta. Tenho a certeza de que, quando o Benfica não ganhar, será contestada, toda a gente já percebeu isso”. Não critico o facto de os dirigentes dos clubes puxarem a brasa à sua sardinha, porque, se se sentem injustiçados, pois que se façam ouvir! Mas, se é para haver castigos, inquéritos, processos e demais burocracias, que haja equidade e justiça na hora das avaliações.

Nadine Gil
Nadine Gilhttp://www.bolanarede.pt
Alentejana que se mudou para a capital para estudar Jornalismo. Vibra intensamente pelo Sport Lisboa e Benfica e só perde um jogo em casos extremos. Erros gramaticais provocam-lhe arrepios.                                                                                                                                                 A Nadine escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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