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E agora, Rui Vitória?

Pedro Afonso · 3 min

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Depois do desastre na Luz, o FC Porto assumiu a liderança da Primeira Liga, agora com dois pontos de vantagem sob os encarnados e escassos jogos para terminar a temporada. Na jornada seguinte, frente ao Estoril, o Benfica voltou a tremer para arrecadar os três pontos, alcançando-o apenas aos 92 minutos após cabeceamento de Salvio. Depois das críticas a que foi submetido pela abordagem que fez na segunda parte do clássico, além das substituições mal conseguidas, o último jogo não veio aliviar os adeptos nem dar mais confiança no treinador das águias. Assumindo o pior desfecho, ficará a seguinte pergunta no ar “E agora, Rui Vitória?”

Começando pela primeira parte do clássico entre águias e dragões da 30ª. jornada, a ideia que fica é que os encarnados queriam mais ganhar a partida, que estavam dispostos a dar tudo para sair dali mais líderes. Jogaram mais e melhor, tentaram mais o perigo e dominaram os primeiros 45 minutos. Via-se uma equipa com vontade de ser campeã e elogios não faltariam a Rui Vitória se a equipa mantivesse o ritmo na segunda parte e conquistasse a vitória. Mas isso não aconteceu.

De regresso dos balneários, a palestra do timoneiro encarnado pareceu ser tudo aquilo que os adeptos não queriam que acontecesse. Os jogadores recuaram, dando o espaço e liberdade aos azuis e brancos, perderam velocidade, perderam a posse, a dominância e, no fim de tudo, perderam o jogo. No futebol, o limite entre herói e vilão está sempre a roçar um no outro, e Rui Vitória passou de um lado para o outro desde o intervalo até ao fim do jogo.

Muita contestação houve devido ao facto de Rafa ter saído para entrar Sálvio, e pior foi quando Samaris entrou e saiu Cervi, dando a ideia à restante equipa de que era para defender o empate. O contrassenso veio de seguida, ao colocar Seferovic em campo, longe de ser uma carta debaixo da manga (mas também, pouca opção existe devido ao pouco investimento no mercado) que parecia estar só a enganar e ver se o pessoal caía na ideia de que o Benfica ainda estava a discutir o resultado. Por fim, o azar surgiu no pontapé do meio da rua de Herrera. Noite desastrosa que podia ter corrido tão bem.

O golo de Herrera aos 90 minutos deixou o Benfica a depender de outros para ser campeão
Fonte: SL Benfica

Pegando agora nas estatísticas, Rui Vitória ainda não conseguiu vencer o FC Porto na sua carreira como treinador e o Benfica perdeu quatro, empatou três e venceu apenas um dos últimos oito encontros frente aos dragões e Vitória não demonstra ser o indicado a fazer quebrar esse ciclo. Demonstra medo, receio, cautela e demasiado pânico em perder o encontro – e a liderança como no passado fim de semana -, que depois acaba mesmo por fazer com que isso aconteça.

A depender dos resultados de outros, o Benfica pode agora vir parar ao terceiro lugar, falhando a classificação para a Liga dos Campeões caso perca em Alvalade, ou pode ser campeão caso vença todas as partidas e beneficie de pelo menos uma derrota do FC Porto (ou dois empates).

Supondo a não concretização do tão aclamado penta, estará Rui Vitória em perigo? A resposta é: provavelmente não. Se Luís Filipe Vieira segurou Jorge Jesus depois de perder tudo e após anos sem ganhar o campeonato, segurará também um tricampeão que deixou escapar o penta por pouco. No entanto, a rédea ficará curta. A dúvida quanto à capacidade do treinador de lidar com a pressão de ter de vencer depois de um ano em jejum ficará sempre presente e a cada falhanço a contestação deve crescer.

Rui Vitória merece todo o respeito. Quer seja pelo que já alcançou pelo Benfica no passado, quer seja pelo presente, ao ter conseguido erguer uma equipa que foi colocada fora da luta ainda antes de dezembro, com a falta de investimento que houve esta temporada, encontrando um sistema que fez o Benfica estar na luta pelo pentacampeonato até ao fim. Quando duvidarem dele, é preciso lembrar isso.

Agora resta esperar pelo resto do campeonato, pelas restantes decisões de Rui Vitória e pelo seu futuro. Que ele fique, pois é sinal que levantamos o troféu pelo quinto ano consecutivo!

Foto de Capa: SL Benfica

Pedro Afonso

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