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E depois de Jonas?

Rafael Raimundo · 3 min

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sl benfica cabeçalho 1Quase 100 golos pelos encarnados. Uns de magia, outros de encostar apenas, mas, sobretudo, muitos que valeram vitórias.

Chegado após ser dispensado pelo Valência, vinha com o nome, mas com pouca competitividade. Poucos seriam aqueles que sabiam da importância que viria a ter no Benfica. Nem mesmo o speaker do estádio da Luz adivinhava dizer tantas vezes o nome dele. É também conhecido por Pistolas, Jonas Pistolas. Desde avançado, a extremo improvisado, a médio ofensivo ou a falso 9 – aquele que joga atrás do ponta de lança – é capaz de ser um pouco de tudo. Com um pé direito capaz de fazer o impensável, é um jogador que qualquer equipa do campeonato português gostaria de ter. Contudo, se mais ninguém que não o Benfica o pode ter, também o Benfica tem de começar a preparar o futuro sem ele.

A idade pesa e a forma física, consequentemente, também vai sofrer uma quebra natural. Ninguém é eterno e Jonas também não o é, com muita pena dos adeptos do Benfica, e também de quem aprecia a qualidade do jogador. Torna-se importante então perceber a diversidade de jogadores existentes no plantel encarnado, as características que o compõem e se há capacidade para manter o tipo de jogo até agora trabalhado por Rui Vitória. De momento, não existe ninguém capaz de desempenhar o papel de Jonas, a não ser o próprio.

Fonte: SL Benfica
Jonas é, neste momento, um jogador insubstituível no onze do Benfica                                                                Fonte: SL Benfica

O mexicano Jiménez é também um jogador móvel, mas apenas na frente de ataque. Não tem a capacidade, ou a característica, de Jonas de vir atrás buscar jogo – o brasileiro por vezes pisa zonas mais recuadas no terreno como se de um médio se tratasse. Jiménez é um avançado que espera essencialmente que a bola chegue à sua zona de conforto, seja de forma direta, com diagonais de rutura ou transições rápidas. Um pouco à semelhança de Seferovic, razão pela qual raramente jogarem juntos. Possivelmente, a solução passará por voltar ao sistema habitual de jogo em 44-2, com um dos avançados a jogar mais recuado.

Talvez Diogo Gonçalves a funcionar como segundo avançado, numa espécie de jogador livre para criar, e explorar as suas potencialidades como rematador de longa distância, seja uma opção válida; ou mesmo Rafa, caso consiga superar o fraco momento de forma que atravessa há já algum tempo. Na frente Jiménez ou Seferovic ficariam com a tarefa de finalizar o dobro do que têm feito até agora.

Diogo Gonçalves poderá ser uma boa opção caso Rui Vitória aposte no 4-3-3 Fonte: SL Benfica
Diogo Gonçalves poderá ser uma boa opção caso Rui Vitória aposte no 4-3-3
Fonte: SL Benfica

Esta possibilidade é uma tentativa de “recriar Jonas” com dois jogadores, o que naturalmente trará responsabilidades defensivas acrescidas a outros jogadores. Nomeadamente aos extremos. Caso a opção seja manter o 4-3-3 que tem sido a tática implementada pelo técnico Rui Vitória, com dois extremos de características vincadamente de ataque e um avançado posicional, é imprescindível que jogadores como Pizzi ou Krovinovic sejam capazes de fazer transições rápidas de forma a apoiarem a linha da frente, o que ao contrário do que acontece com Jonas, que mesmo a jogar como único avançado recua no terreno, exigirá uma maior disponibilidade física por parte de ambos.

Certo que ainda é um pouco prematuro, Jonas disse que ainda queria fazer mais uma época no clube e só depois acabar a carreira, mas para não haver dificuldades de maior na altura de arranjar substituto para o brasileiro é bom que se comece a pensar em soluções o mais cedo possível. Entretanto enquanto for salvando a equipa, ninguém pensa sequer nisso.

Foto de Capa: SL Benfica

Rafael Raimundo

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