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É Natal, é Natal, tudo está igual

André Eusébio · 3 min

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O ano civil vai terminar sem que a primeira volta do campeonato esteja concluída – na verdade, vem aí uma super-jornada, com embates directos entre os quatro primeiros classificados da tabela classificativa. Por isso mesmo, face à quantidade de partidas que há ainda por jogar, volto a não considerar essencial ter em conta os critérios de desempate da igualdade de pontos que coloca os três grandes na “pole position”. Vermelhos, verdes e azuis somaram dez vitórias, três empates e uma derrota e por isso se encontram os três com 33 pontos no topo da tabela classificativa. Chegámos ao Natal e tudo está igual.

Tabela Classificativa
Tabela Classificativa

Fujamos agora da tabela e olhemos para o futebol. Será que em relação ao ano passado a única coisa que falta ao Benfica são três pontos? Venha de lá esse grande “não”. Se olharmos então para esta recta final do ano, o Benfica tem vindo a mostrar-se cada vez mais pobre. Depois de um jogo sem especial encanto em Vila do Conde, os encarnados fizeram um jogo miserável contra o Arouca e outro igual contra o Olhanense (de notar que em ambos os jogos o Benfica se encontrou a perder e a correr contra o prejuízo por duas ocasiões em cada partida), e para acabar, o futebol praticado no Bonfim põe-nos a pensar sobre se o Benfica está a lutar pela primeira metade da tabela classificativa. Numa equipa em que Rodrigo e Lima têm a obrigação de substituir Cardozo com eficácia; em que Sulejmani, Markovic ou Gaitán devem responder com criatividade à sombra de Salvio; em que o eixo da defesa é fixo e devia já jogar de olhos fechados; e em que Matic e Enzo são já raízes da estrutura, como é que as ideias de jogo são tão poucas ou nenhumas? Como é que o Benfica não sai para o contra-ataque de forma mortífera como acontecia o ano passado se há quem distribua no meio e quem seja capaz de desequilibrar na frente? Como é que o Benfica não faz um remate à baliza na primeira parte em Setúbal? O mercado de Inverno, a montra milionária e o castigo aplicado a Jesus não desculpam as fracas exibições nem podem afectar a motivação de profissionais do futebol do 15º plantel mais valioso do Mundo.

Não seja esta análise indiciadora de que acho que o Benfica está pelo referido acima injustamente no primeiro lugar. À semelhança dos rivais, o Benfica encontra-se na frente, mas isso pouco indica. Na verdade, ao invés de um percurso vincado que resultasse na posição que ocupam na tabela, a igualdade pontual entre os três mostra sim falta de argumentos que justifiquem maiores discrepâncias nesta altura. Não esquecendo que as armas com que o Sporting atacou o campeonato são diferentes das utilizadas por Benfica e Porto, falta um clique, uma resposta colectiva, uma coesão una que permita a uma das equipas iniciar uma fuga em direcção ao título, coisa que até agora não aconteceu.

Mais uma vez não esquecendo que a primeira volta não está terminada, acredito que a segunda ronda vai ter características completamente diferentes: Benfica e Porto fora da Liga dos Campeões mas com compromissos europeus, ainda assim; Sporting manifestamente candidato ao título; Porto com o trono dos últimos anos ameaçado e com uma equipa técnica pouco firme.

Sirva este Natal para que os treinadores pensem na forma como vão atacar 2014. Pela proximidade que tem ao presépio, que seja Jesus o feliz iluminado.

André Eusébio

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