É para lutar até ao fim

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O Sporting alcançou uma vitória justíssima no Estádio da Luz, numa jornada tão esclarecedora que me permite concluir duplamente: na actualidade, o Sporting de Jorge Jesus é (muito) superior ao Benfica de Rui Vitória, tanto numa óptica de “onze jogadores”, como colectivamente; por outro lado, a qualidade do treinador e dos jogadores do Sporting continua a não ser acompanhada pela sua classe dirigente, como, uma vez mais, se pôde constatar após o derby.

É este o ponto de partida: não há como escamotear a realidade (para quê, de resto?). Noutros tempos, gritaria aos quatro ventos o que me vai na alma – no entanto, cá em casa há agora menores e, sinceramente, quando o eco se deixava calar as coisas permaneciam na mesma. Por isso, tratem os benfiquistas de cumprir o seu papel – tal como fizeram heróica e eroticamente ao minuto 69 – e parem de disparar indiscriminadamente, do presidente ao jardineiro, que nisto, primeiro que tudo, é preciso acertar nos alvos: as referências à actuação de Carlos Xistra, por exemplo, depois de uma molha daquelas (chove muito em Lisboa por estes dias) são simplesmente absurdas; uma perda de tempo. Se o choradinho resultasse, não se demorariam 68 temporadas a bater marcas no futebol.

Podíamos enumerar o que nos trouxe até aqui: recordaríamos saídas e entradas e passaríamos pela pré-época. A lista, porém, seria demasiado longa e fastidiosa; outra perda de tempo. Na realidade, a estrutura – essa figura moderna e abstrata do nosso universo –, falhou nalgumas das suas decisões cumprindo a regra (tão certa, quanto incompreensível) de agravar a instabilidade e o desequilíbrio a cada festa no Marquês. Os erros, porém, corrigem-se: chegados aqui, haja competência e vontade, dentro e fora do campo, para inverter a situação, tal como sucedeu na época passada. É assim a vida: hoje, podemos ser despedidos por vestir a roupa errada; amanhã, quem sabe?, estamos a brilhar na Liga onde jogam os campeões.

Rui Vitória (também) errou. Ainda assim, parece-me algo precipitado e injusto sentenciar à partida a sua incompetência para o cargo, como alguns jornais parecem começar por fazer (por decreto ou por encomenda). Apelo aos benfiquistas por um esforço de memória: de quantos jogos “grandes” precisou Jorge Jesus para, com mais e melhores argumentos que os actuais, deixar de oferecer prendas aos nossos adversários? Nos momentos difíceis – enquanto portistas e sportinguistas lhe ridicularizavam as qualidades e o português –, Jorge Jesus pôde contar connosco, aprendeu e cresceu, e os dois títulos por si perdidos deram lugar a um bicampeonato.

Rui Vitória já errou no arranque da época; mas não foi o único  Fonte: Sport Lisboa e Benfica
Rui Vitória já errou no arranque da época; mas não foi o único
Fonte: Sport Lisboa e Benfica

A realidade é muito simples: a nossa equipa está mais fraca; os três reforços por que implorei, em texto e rezas ao deitar, nunca chegaram e os que chegaram, afinal, não são reforços. Por outro lado, a (saudada) aposta nos jovens do Seixal não permite (nem nunca permitirá) solucionar lacunas e desequilíbrios prementes – é uma regra prática, polémica e que custa a aceitar, mas comprovada por outras estratégias assentes na formação: Rui Patrício, por exemplo, ganhou pela primeira vez, no último domingo, no Estádio da Luz.

Concluindo: Rui Vitória tem de melhorar. Porém, só isso não bastará. O rendimento e a atitude dos jogadores tem, obrigatoriamente, de atingir níveis superiores – e convinha, com certa urgência, que apetecesse a todo o grupo vestir esta camisola. Por fim, é indispensável corrigir, já em Janeiro, os erros cometidos na construção deste plantel, com a contratação de, pelo menos, dois jogadores titulares. Caso estas condições não se reúnam, parece-me, à primeira vista, muito difícil alcançarmos o tão desejado tricampeonato. Nesta fase, importa sempre recordar: neste clube, não há tempo para esperar, nem pausas de dois ou três anos na luta pelos títulos. É para lutar até ao fim; sempre! – por muito que queiram, o Benfica nunca será um clube de segunda.

Foto de Capa: Sport Lisboa e Benfica

João Amaral Santos
João Amaral Santoshttp://www.bolanarede.pt
O João já nasceu apaixonado por desporto. Depois, veio a escrita – onde encontra o seu lugar feliz. Embora apaixonado por futebol, a natureza tosca dos seus pés cedo o convenceu a jogar ao teclado. Ex-jogador de andebol, é jornalista desde 2002 (de jornal e rádio) e adora (tentar) contar uma boa história envolvendo os verdadeiros protagonistas. Adora viajar, literatura e cinema. E anseia pelo regresso da Académica à 1.ª divisão..                                                                                                                                                 O João não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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