Eleições no Benfica | O benfiquismo está vivo

- Advertisement -

As eleições do Sport Lisboa e Benfica revelaram, mais uma vez, a complexidade emocional e institucional que envolve o maior clube português. Rui Costa e João Noronha Lopes foram os protagonistas de uma disputa que, durante quinze dias, pareceu mais uma crónica de agravos do que um debate sobre o futuro. O que se esperava ser uma campanha de ideias e visões transformou-se num campo de trocas sucessivas de acusações, num duelo de palavras em que se perdeu o essencial: a reflexão sobre o rumo e a identidade do Benfica. Entre promessas, suspeitas e slogans, o valor construtivo do diálogo ficou irremediavelmente diluído.

Na noite eleitoral, o desfecho foi inequívoco. A Lista G, liderada por Rui Costa, conquistou uma vitória expressiva, com uma maioria esmagadora de votantes e votos. O recorde de participação foi prontamente celebrado e tornou-se o símbolo imediato da jornada.

Adeptos do Benfica
Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

Contudo, há algo de inquietante nesse enfoque quase eufórico sobre o número, como se a força democrática do momento se esgotasse na estatística. As eleições do Benfica não são um campeonato de participação, são um ato de consciência coletiva, um instante de solenidade máxima em que se decide mais do que um presidente: decide-se a forma como o clube se vê a si próprio. O recorde, por mais impressionante que seja, não deve eclipsar o silêncio necessário à ponderação, nem substituir o gesto de humildade que a vitória impõe.

Ainda assim, entre o ruído e o fervor, houve sinais de nobreza que importa sublinhar. Rui Costa, ao convidar os candidatos para a tribuna no jogo frente ao Casa Pia, mostrou a face mais digna do benfiquismo: a que reconhece no adversário a partilha de um mesmo amor, de uma mesma fé encarnada.

Jogadores Benfica
Fonte: Ana Beles/Bola na Rede

Nesse gesto de cortesia, o presidente mostra a vontade de unir o que as semanas anteriores haviam fragmentado. E se há algo que permanece após meses de tensão e incerteza, é precisamente esse sentimento de pertença comum, essa ideia de que todos, independentemente da lista ou da narrativa, servem um mesmo ideal. João Noronha Lopes, Cristóvão Carvalho, Luís Felipe Vieira, Martim Mayer e João Diogo Manteigas, este último com mais de um ano de entrega visível, deram corpo a essa devoção silenciosa que transcende o resultado eleitoral.

O Benfica vive do seu povo, e é nele que reside tanto a sua grandeza como o seu risco. Por isso, mais do que celebrar recordes, importa compreender o peso do que foi escolhido. Porque, nas palavras de Salgueiro Maia, um grande benfiquista, “se o povo quiser ir para o inferno, é para o inferno que iremos”.

Viva o Sport Lisboa e Benfica.

Subscreve!

Artigos Populares

Barcelona quer que Camp Nou seja a sede da final da Champions League em 2029

O Barcelona quer que o Camp Nou seja o estádio escolhido para sediar a final da Champions League da temporada 2028/29.

Youth League: eis os resultados desta terça-feira

Realizaram-se alguns jogos do playoff de acesso aos oitavos de final da Youth League durante esta terça-feira.

Sporting cede jovem defesa-central ao Real Valladolid

O Real Valladolid garantiu o empréstimo de Duarte Correia com opção de compra. O defesa-central de 18 anos fazia parte dos sub-19 do Sporting.

EHF EURO 2026: Não há limite para os Heróis do Mar | Andebol

Há campanhas que se avaliam por resultados. Outras mudam...

PUB

Mais Artigos Populares

A Ilusão do Semáforo: a Fórmula 1 começa muito antes de Melbourne

A Fórmula 1 gosta de vender a ideia de...

Muito mais que uma corrida, o corta-mato é a alma do Desporto Escolar | Atletismo

É a prova rainha do calendário do Desporto Escolar,...

Saída de Pep Guardiola do Manchester City: há 3 treinadores a serem apontados como sucessores do espanhol

O Manchester City pode trocar de treinador no final da temporada. Xabi Alonso, Enzo Maresca e Cesc Fàbregas estão a ser associados aos ingleses.