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Este Benfica continua infectado

André Eusébio · 4 min

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Terceiro Anel

Analisando este Benfica sob o prisma da Medicina, podemos dizer que o clube da Luz ainda permanece infectado, apesar da vitória no Algarve na partida deste domingo. E o vírus que causou esta infecção continua resistente, fazendo com que quase todos os jogos do Benfica sejam pouco consistentes e estejam repletos de falhanços.

Mas voltando um pouco atrás no filme, torna-se necessário afirmar que o Benfica tinha total obrigação de vencer o Olhanense. E isto porque estamos a falar de um Olhanense que tem um plantel bastante fraco, que pratica um futebol quase sem ligação, e que joga em casa emprestada! E por isso mesmo, e porque ainda existe alguma lógica neste sublime desporto, a equipa algarvia tem lutado com todas as suas forças para não cair na zona de descida, situação essa que não tem conseguido, porque, de facto, e com todo o respeito, será complicado para esta formação evitar o triste desfecho de uma descida de divisão. Portanto, tínhamos à partida para este desafio um Olhanense sem nada a perder, defrontando em casa um Benfica que não podia perder pontos, sob pena de ver o Sporting ainda mais confortável na liderança.

E se dúvidas houvesse quanto ao momento menos feliz do Benfica, naquilo que diz respeito aos jogos da Liga Zon Sagres, bastava olhar para as despidas bancadas do Estádio do Algarve. Posto isto, os encarnados lançaram-se ao jogo com Enzo Pérez castigado e com Markovic a juntar-se (mais uma vez) ao rol de lesionados. Ivan Cavaleiro regressou à titularidade, em detrimento de Sulejmani, a quem se proclamava um lugar no onze inicial. E a verdade é que, tal como se esperava, o Benfica assumiu desde cedo o controlo do jogo. Jogava a um ritmo lento, sem grande intensidade, mas isso parecia ser o suficiente para derrotar um débil Olhanense. Até que, pasme-se, houve uma falha defensiva no Benfica! Aos sete minutos de jogo, Silvio adormeceu e perdeu a bola, acabando o lance no fundo da baliza de Artur, após recarga de Femi a uma primeira defesa do guarda-redes brasileiro, dos comandados de Jorge Jesus. Sem saber muito bem como, o Olhanense estava na frente do marcador, pedindo-se então muito mais determinação à equipa do Benfica.

A verdade é que os encarnados reagiram, e quase sempre através de Gaitán, na ala esquerda, iam sendo criados desequilíbrios. E após um desses raides do jogador argentino, Lima acabou por empatar o jogo para o Benfica. O jogo estava empatado; tudo parecia, enfim, encaminhado de vez para que o Benfica desse a volta. Porém, e imagine-se lá, voltaria a haver novo deslize defensivo! Regula rematou de longe, com força e colocação, mas Artur lançou-se à bola tarde demais, voltando assim a comprometer. E assim, o David voltava a desfeitear o Golias, desesperando a massa adepta benfiquista, ainda a passar pelo período traumático pós-Arouca. Mas ainda antes do intervalo, Matic tirou um coelho da cartola, ao voltar a empatar o jogo, depois de um remate fulminante de fora da área.

Benfica venceu, mas não convenceu  Fonte: www.maisfutebol.iol.pt
Benfica venceu, mas não convenceu
Fonte: Maisfutebol

Com o marcador empatado a duas bolas, o alarme soava, e de que maneira! Podia estar ali mais um escândalo à beira de acontecer, o que a suceder poderia ter implicações dramáticas em todo o conjunto encarnado. Para a segunda parte, Raul José lançou Sulejmani, saindo Ivan Cavaleiro. E a verdade é que esta alteração teve de imediato resultados práticos, já que logo no reatamento da partida o internacional sérvio ex-Ajax colocou o Benfica em vantagem, após um excelente trabalho individual. E, de facto, Sulejmani acabou por transmitir uma nova vida ao ataque benfiquista, com rápidas incursões pela ala esquerda. A partir daí, o Benfica foi controlando a partida, mas jogando sempre a um ritmo muito baixo, por vezes quase de treino, nunca deixando totalmente calmos os seus adeptos – e muito provavelmente Jorge Jesus, a cumprir o seu último jogo de castigo. Destaque ainda para a lesão de Artur Moraes, que saiu a contas com uma luxação no ombro direito. Oblak entrou para o seu lugar, mas só viria verdadeiramente a passar por um calafrio já nos minutos finais do desafio.

Depois de 100 minutos de futebol (sim, tivemos 10 minutos de compensação), o Benfica acabou por vencer por 3-2 um aflito Olhanense, mas voltou a mostrar muita insegurança, demonstrando a todos que tem uma defesa de papel, um futebol com pouco ou nenhum dinamismo, e elementos completamente apáticos (Ola John entrou na segunda parte, mas esteve completamente tolhido de movimentos). E assim temos um Benfica na luta pelo título, a dois pontos do Sporting, mas claramente sob o tratamento de antibióticos, que tardam a surtir o efeito desejado para combater tão terrível vírus.

André Eusébio

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