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Evitar (todos) os erros

João Amaral Santos · 3 min

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Faltam oito finais e nenhuma pode ser negligenciada. O jogo do ano (ou do título) será sempre, a partir daqui, aquele que se segue, disputado em casa ou fora, qualquer que seja o adversário. O Benfica depende apenas de si para manter o 1.º lugar; para chegar ao tricampeonato 29 anos depois. Porém, qualquer erro, qualquer desconcentração ou qualquer relaxamento podem alterar, por completo e de imediato, esta situação, esbanjando a equipa uma vantagem que conquistou com todo o mérito e toda a justiça – e já agora: no sítio e na hora certas.

Quando Mitroglou – o avançado relegado pelos rivais e com que o Benfica se tem vindo a contentar (até ao momento autor de 19 golos nesta época) –, festejando mais um golo, mais uma vitória e mais uma goleada, despiu a sua camisola aconteceu exactamente, num resumo dum segundo imperfeito, tudo aquilo que nesta fase não pode acontecer ou que, no mínimo, deve ser evitado: um erro, uma desconcentração e um relaxamento. Pouco me importam as suas razões, se o acto foi ou não intencional, instintivo ou reflectido, se foi estratégia ou, simplesmente, uma explosão de alegria.

Numa ou noutra justificação, a resposta peca sempre por desvirtuar a forma de ser, de estar, desta equipa (e do seu treinador) e que tão bem explica (a todos os defensores da verdade desportiva) a sua actual posição, quer em Portugal quer na Europa dos oito. Ao grego faltou concentração ou, como alternativa, consideração pelo próximo adversário. Pelo sim, pelo não, escolho acreditar na primeira hipótese – cometer um erro acontece a todos e Mitroglou, na verdade, já conquistou crédito para, desta vez, ser perdoado.

Estratégia ou esquecimento? Um erro. Fonte: SL Benfica
Estratégia ou esquecimento? Um erro
Fonte: SL Benfica

Trabalho e humildade

O Benfica desloca-se ao Bessa. O Boavista está longe dos seus tempos áureos; no entanto, o seu recinto sempre foi, e continua a ser, sinónimo de grandes dificuldades. Apesar da confiança – que se sente no relvado e se propaga no apoio de milhões –, a base para esta vitória terá sempre de passar pela receita de sucesso demonstrada, semanalmente, em cada lance e em cada jogo: muito trabalho e muita humildade. É fundamental respeitar o adversário e jogar, do primeiro ao último minuto, como se tudo se resolvesse aqui e agora, de preferência, usando do talento colectivo e individual de que dispomos.

Rui Vitória, o verdadeiro artífice desta caminhada, lidera um grupo consciente da responsabilidade que lhe cabe; do momento que vive e da missão que tem pela frente. É essa vontade de vencer o jogo e o campeonato, semelhante à do adepto comum, que tem feito a diferença e pode, mantendo-se a toada, elevar este grupo à imortalidade que as nossas memórias permitirem. Jardel e Mitroglou (castigados) não vão a jogo; Luisão, Lisandro, Fejsa, Carcela e Gaitán estão a braços com problemas físicos. No entanto, ninguém duvida da capacidade dos escolhidos por Rui Vitória para disputarem mais esta final e, sobretudo, para arrecadarem mais três pontos.

Provavelmente, o Benfica não teve, ainda, a oportunidade de jogar com o seu melhor “onze” – um caso sem paralelo, comparativamente com os nossos rivais. Rui Vitória tem encontrado soluções para colmatar todas e quaisquer ausências, mesmo aquelas que, teoricamente, influenciariam decisivamente a nossa dinâmica e o nosso rendimento. O segredo, para além do talento dos “maneis” e dos “dez vezes renascidos”, reside em todos os atributos pessoais e profissionais que este texto tem vindo a enumerar: a atitude de todos os jogadores, jovens ou veteranos (seja com os 37 de Paulo Lopes ou com os 18 de Renato Sanches), e a sua vontade de vencer. Mantendo sempre esta postura – e evitando os erros que só os humanos cometem – teremos um final feliz.

Foto de Capa: SL Benfica

João Amaral Santos

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