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Jogos da Minha Vida | FC Internazionale Milano 4-3 SL Benfica

Pedro Cantoneiro · 3 min

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E se o remate de Nuno Gomes ao poste entrasse?

É uma das grandes questões do universo benfiquista desde aquele 25 de Março de 2004. Às 20h locais, entravam num Giuseppe Meazza a meio gás as equipas do FC Internazionale de Milão e o SL Benfica de José António Camacho, em recuperação nacional e europeia. Uma semana antes, na Luz, Toldo fez o que pode para segurar o 0-0 o que obrigava os encarnados a marcar em Itália.

Para quem começou a acompanhar o fenómeno futebolístico nos adventos do novo milénio, a eliminatória contra os italianos significou a primeira impressão do Benfica europeu das histórias de pais e avôs, onde o Benfica ombreava naturalmente contra outros gigantes do continente. Depois de duas épocas de falta às provas da UEFA, 2003-04 foi um ano interessante e com jogos épicos, onde se inclui a exibição monumental de Moreira em Trondheim.

Moreira; Miguel, Luisão, Ricardo Rocha e Armando Sá; Petit e Tiago; João Pereira, Zahovic e Simão; Nuno Gomes.

Foram estes os homens que Camacho escolheu para carimbar a passagem aos quartos de final, no seu 4-2-3-1 predilecto. O Benfica entra muito bem no jogo e á passagem da meia-hora, Armando Sá controla pela esquerda e entra no meio-campo contrário; Vai em progressão até ao último terço e descobre Nuno Gomes sozinho no centro do terreno: recebe, um, dois toques e remata rasteiro fora-da-área. Toldo lança-se mas bola vai direitinha ao poste e entra junto ao outro. PALO, GOL… CLAMOROSO – diz resignadamente o comentador italiano nos highlights mais genuínos que encontramos no Youtube.

O lance a seguir é o um dos maiores SEs da história europeia do Benfica: novamente Armando Sá pela ala esquerda, túnel a Buruk, compasso de espera na linha de fundo enquanto o Nuno se ajeita na zona de penalty – a bola entra lá – e poste, desta vez a caprichar-se para fora. Seria o 0-2 e a missão do Inter ficaria dificílima, que aproveitou o velho ditado do “quem não marca sofre” para igualar o resultado após jogada genial de Karagounis e dum mortal à retaguarda de Obafemi Martins. O intervalo chegava com um sabor demasiado amargo e o Benfica tinha todo o direito em confrontar a justiça divina.

Os seis mil adeptos benfiquistas que viajaram até Itália tinham acabado de ver um verdadeiro recital da turma encarnada, frente a um Inter bem abaixo do que poderia fazer, já que não teve ninguém que pautasse o jogo da equipa e entregasse um toque de classe nas definições ofensivas. Zaccheroni, que tinha começado com três defesas, já nesta altura tinha mudado para a linha de quatro atrás, descendo Zanetti para a lateral ao lado de Adani, Gamarra e Iván Córdoba.

Apesar da melhoria tímida do Inter, o jogo revolucionou-se com a entrada do talentosíssimo Recoba, que ao primeiro toque na bola faz golo. Dois minutos depois oferece a Vieri o 3-1 como viria a fazer a Martins, para o 4-2. O 10 milanês arrumou com um meio-campo cansado do Benfica, depois da primeira parte de controlo total: Camacho é obrigado a mexer e troca menino por menino, João Pereira por Manuel Fernandes, e adiciona Sokota à frente de ataque em troca com Zahovic.

Recoba, El Chino, um génio como os maiores e um dos mais controversos fora dos relvados
Fonte: UEFA

Com o croata fixo entre Adani e Gamarra, Nuno Gomes teve liberdade para explanar o seu futebol: é ele que sobra dentro da área para o segundo golo benfiquista e é ele que, num movimento habitual da sua parte, num um-dois mete Tiago com a baliza à mercê do terceiro golo. À meia-hora do segundo tempo, o marcador fixava-se em 4-3 depois de 18 minutos loucos. O sonho era possível e estava ali tão perto, era legítimo o Benfica desejar mais e merecia-o.

Até ao final, a equipa de Camacho viveu dicotomia frágil, porque quem defrontava Recoba-Vieira-Martins não podia lançar-se com todo o coração na procura da felicidade. Foi nesse impasse que os minutos foram passando e o jogo partido só contribuiu para engrandecer as boas exibições dos guarda-redes. Moreira e Toldo, apesar dos golos sofridos, não mereciam qualquer crítica.

Assim, o Benfica foi capaz de marcar três golos em Milão e sair eliminado. Eliminado mas de queixo levantado e com a reputação em sentido ascendente, marcando o final da fase mais negra da sua história.

Foto de Capa: SL Benfica

artigo revisto por: Ana Ferreira

Pedro Cantoneiro

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