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Foram dias e dias de reflexão

João Rodrigues · 3 min

Foram dias e dias de reflexão

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Terceiro Anel

Há imenso tempo que não escrevia sobre o Benfica para o Bola na Rede. Outros afazeres, esquecimentos, rubrica do Recordar é Viver, entre outras coisas. Mas o amor pelo clube nunca esmorece, bem pelo contrário! O sentimento que nutro pelo Sport Lisboa e Benfica é algo que parece não parar de aumentar, até atingir níveis preocupantes para a minha própria saúde.

Como já cheguei a referir num outro artigo, eu padeço das características da maioria dos benfiquistas. Vou do 8 ao 80, da euforia à depressão, da loucura ao cataclismo, do clímax às trevas. E há quase 3 semanas, após aquele malfadado Rio Ave vs Benfica, senti-me sem chão. Logo naquele sábado em que fiz questão de ir a Vila do Conde para ver o maior clube português em acção, logo nesse dia tinham que me falhar. Exibição desgarrada, nalguns momentos patética, um insulto para os milhares de benfiquistas que transformaram Vila do Conde num arrastão vermelho. Nem o posterior empate do FC Porto na Choupana me valeu de grande consolo, diga-se. O regresso a Lisboa foi pesaroso, triste, cinzento. Depois de chegar a casa pensei, pensei, pensei, pensei, pensei, pensei…pensei. Talvez tivesse chegado de vez a altura de me desligar um pouco do Benfica, de dar ouvidos à minha mãe que há anos que me pede para sofrer menos e para começar a ligar “àquilo que realmente importa”.

Como o campeonato parou, tentei perceber se valeria a pena afastar-me um pouco da realidade benfiquista. Estava desolado, desconsolado, totalmente revoltado com um clube que tinha estragado o meu fim-de-semana, que tinha feito com que eu temesse que já não atingíssemos o 34ª título nacional. Não assisti a programas de comentário desportivo, não li jornais desportivos, não tive coragem para ver os golos do nosso campeonato, evitei falar sobre futebol. Contudo, e com um computador à frente, temos acesso a tudo. E por isso mesmo acabei por ceder e por rever um sem número de vezes vídeos e mais vídeos referentes ao Benfica, ao título do ano passado, a toda a sua história. Ok, o meu fim-de-semana havia sido uma tragédia, mas este clube apaixonante já me deu tanto, já me deu tanta alegria, já o coloquei à frente de tanta e tanta coisa. Por que razão não haveria de continuar a fazê-lo por mais umas semanas?

Nação benfiquista em suspenso, união tremenda;  Fonte: Facebook do Sport Lisboa e Benfica
Nação benfiquista em suspenso, união tremenda;
Fonte: Facebook do Sport Lisboa e Benfica

Despachámos o Nacional, no sábado passado, com uns primeiros 60 minutos demolidores; ver jogar Gaitán, Salvio e Jonas é como ir ao Scala de Milão; as assistências na Luz já não baixam dos 45 mil espectadores; o bicampeonato, que nos foge há 30 anos, está ali à vista. Senti que não podia deixar de apoiar, senti que eu e os restantes milhões de adeptos benfiquistas deviam acreditar, senti que devia relembrar-me das palavras sábias do meu grande amigo Francisco Vaz de Miranda, o adepto mais optimista e impressionante que já conheci em toda a minha vida; senti que o Benfica precisava de mim.

Porque eu preciso muito do Benfica, muito mesmo. Acham isso patético e estúpido? Podem achar à vontade, não o condeno. Mas só eu sei (não, não vou reproduzir aqui um célebre cântico leonino…) como estarei se conquistarmos o campeonato e só eu sei como serei feliz e como retirarei dividendos disso em termos pessoais, caso a aguardada conquista se confirme.

Massa adepta benfiquista, tens aqui um pessimista por natureza a dar o mote: vamos dar tudo no apoio, vamos dar tudo na confiança à equipa, não vamos embandeirar em arco, vamos ser inteligentes! Este período de reflexão só me deixou uma certeza: é impossível desligar-me do Sport Lisboa e Benfica. Impossível, uma total impossibilidade.

P.S. : Jonas, só uma coisa: assinas um contrato matrimonial comigo?

 

João Rodrigues

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