Jorge Jesus | Coentrão como exemplo na roda das adaptações

- Advertisement -

A adaptação foi aceite pelo treinador seguinte, Rui Vitória, que tentou replicar as mesmas rotinas em diversas fases do seu reinado – em 2015-16, até chegar Renato Sanches em Dezembro, ou em 2016-17, com resultados satisfatórios a nível interno mas catastróficos a nível internacional. Viu-se em jogos dessa campanha de Champions, nomeadamente nos embates contra o Nápoles de Sarri e o Borussia de Tuchel que a fórmula Fejsa-Pizzi deixava o sérvio demasiado exposto, já que o português não tem a capacidade física que outros conseguem oferecer.

Daí talvez a opção de Rui Vitória pela transformação em 4-3-3 na época seguinte, fazendo acompanhar Pizzi de outro elemento na zona central para cobrir essas mesmas deficiências, equilibrando o onze e entregando outras liberdades aos alas. A opção foi certeira nesse sentido, a equipa recompôs-se e lutou com o FC Porto pelo campeonato até ao fatídico jogo de Herrera na Luz, mas não houve títulos para a validar.

Espera-se então que Jesus tenha essa mesma consciência: ele melhor que ninguém saberá dessa incapacidade defensiva do português e daí também os rumores de que Pizzi estará a ser pensado para zonas centrais sim, mas mais à frente no papel de 9,5 tão bem desenvolvido no sistema do técnico. Ele próprio o disse, no dia 8 do mês vigente, em entrevista à BTV, pode fazer essas duas posições [n.d.r.: atuar como extremo ou no corredor central], mas é um jogador de último passe. E os jogadores de último passe não jogam nas laterais: jogam nos corredores centrais. Vamos ver o que é melhor.»

Primeiro onze do Benfica 2020/2021, num amigável com o Estoril
Fonte: Bola na Rede

No primeiro onze de 2020-21, Pizzi manteve-se à direita da linha média, por força da presença de Waldschmidt no apoio a Vinícius. O papel que lhe permitiu os melhores números da carreira não é uma impossibilidade, mas há fila para oportunidades nos corredores e os 31 anos de Luís Miguel já obrigam a outro tipo de gestão a nível físico.

O que sobressai à vista nos primeiros dois onzes de Jorge Jesus é a colocação de Franco Cervi à esquerda da linha defensiva, posição que encaixa nas características do argentino, a quem o espirito abnegado e disponibilidade física para os equilibrios no flanco sempre colocaram na pole position para essa eventualidade.

Aconteceu esporadicamente e em situações de desespero, mas nunca como situação permanente, muito por força da presença de Alex Grimaldo, com quem combina especialmente bem nas associações do último terço.

A preseverança e espírito de equipa do argentino obrigaram-no não raras vezes a um papel de equilibrio tático, situação que difere e muito das características com que chegou em 2016. Jorge Jesus poderá ver nele um protótipo de lateral aguerrido (tal e qual Coentrão), o que possibilitará oportunidades em barda na pré-época – fruto da lesão prolongada de Grimaldo – para se consolidar na lateral e ganhar novo fôlego nas escolhas da equipa, ele que já o ano passado esteve na porta da saída mas acabou por se manter.

Outra das situações mais expectáveis ao nível de nova abordagem nos terrenos pisados em campo será Diogo Gonçalves, ainda que a exemplar época no Famalicão obriguem a uma certa precaução. O extremo alentejano tem histórico de lateral direita – foi ocasionalmente utilizado aí por Rui Jorge nos sub-21 portugueses, num 4-4-2 losango – e as suas características poderão motivar a Jorge Jesus ensaios nesse sentido. A concorrência é forte, mas a renovação em Julho último poderá transmitir intenções de permanência no plantel: com que papel, saberemos mais à frente.

Quaisquer que sejam as opções do técnico português, só será possível discerni-las com o avançar do tempo e a continuidade de competição – a próxima semana é preenchida com embates frente ao Belenenses SAD (dia 25) e Farense (26), existindo jogo frente ao Braga de Carvalhal na 4.ª feira seguinte, dia 2 – e serão essas oportunidades competitivas que irão traduzir todas as ideias do staff técnico na procura dos melhores resultados.

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão 

Pedro Cantoneiro
Pedro Cantoneirohttp://www.bolanarede.pt
Adepto da discussão futebolística pós-refeição e da cultura de esplanada, de opinião que o futebol é a arte suprema.

Subscreve!

Artigos Populares

Substituto de Ricardo Mangas? Sporting mostra interesse em lateral esquerdo que jogou contra Portugal no Mundial 2026

O Sporting e o Deportivo de A Coruña estão a acompanhar Deiver Machado. Lateral de 32 anos encontra-se sem clube.

Imprensa inglesa garante: Zeno Debast oferecido a gigante da Premier League

Imprensa inglesa diz que Zeno Debast foi oferecido ao Arsenal e que o defesa do Sporting custaria à volta de 40 milhões de euros.

Braga entre os vários clubes interessados em médio que joga nos Países Baixos

O Braga é um dos clubes que está interessado em Younes Taha. Twente ofereceu proposta de renovação de contrato.

Vasco da Gama de Pedro Emanuel vai à Colômbia e empata jogo da Taça Sul-Americana

O Vasco da Gama de Pedro Emanuel empatou 2-2 com o Independiente Medellín na primeira mão dos oitavos de final da Taça Sul-Americana.

PUB

Mais Artigos Populares

Sporting: Ricardo Mangas já está em Itália para mudar de clube

Ricardo Mangas vai deixar o Sporting e assinar com o Monza, da Serie A. Lateral de 28 anos já se encontra por Itália.

Mundial 2026 | A vitória do futebol coletivo e aparição das últimas danças

Terminado mais um Mundial, é tempo de balanços e de reviver os momentos mais marcantes de uma competição

O jogo de cadeiras no futebol italiano

O futebol italiano não se encontra nos seus tempos mais áureos. Não é recente, mas vem-se agravando ao longo dos anos.