Somos nós

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Se procuram factos aqui, neste texto especificamente, esqueçam. Isso não vai acontecer e explico-vos fácil e rapidamente porquê. Vim falar da razão pela qual existe o futebol, na minha óptica. Podem falar na vertente negócio; na implicação que o Marketing tem, cada vez mais, no futebol; no peso do dinheiro; no facto de os jogadores serem, na sua maioria, uns mercenários; mas podem também falar e abordar o futebol pelo lado mais genuíno, mais verdadeiro, mais emocional. Sim, esse lado existe. Ainda existe. E, enquanto existir, vai existir sempre futebol. Esse lado existe por causa de mim… E de ti, e de todos aqueles que  enchem cafés e estádios ao final de semana. Esse lado somos nós! Os adeptos, os fãs, os apaixonados, os que não são comprados, os verdadeiros!

Os que davam tudo para estar lá dentro e não estão. Os que pagavam para jogar  e/ou treinar e não o podem fazer. Os que, ao vivo ou não, estão sempre com a equipa. Falam mal, podem assobiar, podem criticar, podem prometer que foi a última vez que perderam tempo com ‘isto’, mas no fim de semana seguinte estão lá! Porque é mais forte do que eles? Porque é mágico? Porque é amor? Porque é tudo isso, é futebol!  É o adepto que dá verdadeiro significado ao futebol, é através dele que  o futebol existe no seu estado mais puro, mais honesto.

E obviamente no Benfica isso é  notório. Quer gostem, quer vos seja indiferente, quer odeiem, o Benfica tem adeptos únicos!

Não me venham, por favor, com o estereótipo do adepto benfiquista. Vamos clarificar as coisas de modo rápido. Todos os clubes têm adeptos parvos, adeptos cuja figura é uma fotocópia da do Zé Povinho, adeptos adeptos do vinho de gararrafão, adeptos conflituosos, adeptos apaixonados, facciosos, inteligentes, adeptas bonitas… Simplesmente, se os adeptos benfiquistas são mais (ora, afinal até existem factos aqui), é natural que o número de parvos, conflituosos e amantes do Zé Povinho seja grande. O que não quer dizer que em proporção o Benfica tenha adeptos mais parvos e ‘matarruanos’ do que os outros clubes – até porque a parvoíce e a “matarruanice” ainda não se medem, infelizmente. Portanto, chega desse estereótipo face ao adepto benfiquista. Sim, é o clube do povo. E então? Julgo que qualquer Benfiquista tem orgulho nisso.

Adeptos Encarnados / Fonte: benficapositivo.wordpress.com/
Adeptos encarnados
Fonte: benficapositivo.wordpress.com

Continuando, os adeptos do Benfica são únicos. Talvez não sejam tão críticos e impacientes quanto os do Porto, talvez não sejam tão pacientes quanto os do Sporting, mas umas vezes mais e outras menos, estão lá! Estão sempre lá! São eles que levam bem alto o nome do Benfica de Norte a Sul. São eles que fazem o ‘Inferno da Luz’!  E acreditem que o ‘Inferno da Luz’ é algo bonito de se presenciar. É único entrar ali, na Catedral, e sentir aquele ambiente, a imensidão de gente de camisolas vermelhas, as bandeiras, os canticos, ‘o cheiro’ a jogo, a relva… Entra-se e diz-se: “Olá, irmãos”!

Sente-se isso. Estão todos lá para o mesmo e isso é algo de especial, isso é difícil (diria até impossível) de exprimir com palavras. Isso é a mística. Isso é, neste caso específico, o Benfica. E o Benfica somos nós!

O ano passado, o Benfica teve tudo na mão – refiro-me à possibilidade de ter uma época de sonho através da conquista de todos os troféus – e perdeu tudo! No final, nos últimos jogos, nos últimos minutos, no fim (é uma redundância propositada, para se perceber que foi mesmo no final, no fim mesmo). E quem é  que esteve lá? Quem é que continuou lá, apesar da dor, do sofrimento e do enorme ‘melão’  – sim, porque não admiti-lo? – que é ter tudo na mão e perder tudo? Exactamente, os adeptos. Sempre eles.

É isso que nos torna especiais. Há Benfiquistas que criticam (e é bom que assim seja), há os que falam mal, há os facciosos, há tudo e mais alguma coisa, mas o importante é dar-se o apito incial e todos pararem porque joga o Benfica! Importante é estarem sempre lá. E acreditem que, invariavelmente, isso ajuda muito, e vai traduzir-se, mais cedo ou mais tarde, em conquistas…

Volto a dizer, o futebol, no seu estado mais genuíno, são os adeptos. Nós  somos os adeptos. O futebol somos nós!

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