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Questões estruturais

André Eusébio · 3 min

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lanternavermelha

Falta muita coisa. Curiosidade: eu não estou a falar do Benfica futebol, falo do Benfica clube. O Benfica é futebol, mas sabemos, ou deveríamos saber que não é só isso. Eu sou, e acredito que muitos de vocês também, do Benfica. E não apenas da equipa principal de futebol do Benfica. Temos uma estrutura enorme, mas temos muitas questões estruturais para resolver. Temos uma estrutura enorme, mas então como se justifica não sermos os melhores enquanto clube? Temos Judo, Futsal masculino e feminino, Basquetebol masculino e feminino, Andebol, Hóquei masculino e feminino, Voleibol, Atletismo nas suas diversas variantes, Futebol, obviamente… Temos Telma Monteiro, Vanessa Fernandes, Marco Fortes, Nélson Évora, Gonçalo Alves, Betinho, um projecto Olímpico e Paralímpico, entre muitas outras coisas muito positivas!

E esse crescimento sustentado é bom e dá frutos, mas a questão é: esses frutos chegam? A resposta é óbvia e é não. Simplesmente porque o Benfica merece sempre mais e porque a aposta no clube em si tem de ser maior. Se queremos ser os melhores temos de ter resultados dignos disso. Não no futebol, mas em tudo, generalizando, obviamente. Não critico, por isso, a aposta que tem sido feita para além do futebol, que tem sido, na minha opinião, uma aposta crescente e sustentada. Não critico, porque temos, de facto, excelentes condições actualmente para as diversas práticas desportivas, uma excelente logística e atletas conceituados e de enorme valor nos nossos quadros. Mas critico o facto de a performance da equipa principal de futebol condicionar toda a ideia de ‘momento actual’ do Benfica. E isso deve-se… exacto, a questões estruturais. Temos as mais diversas equipas do Benfica a fazerem excelentes prestações, tanto a nível masculino como feminino. Óbvio que ainda é cedo para falar, mas, de um modo geral, as equipas encarnadas estão de facto a realizar ou a iniciar uma boa época. Contudo, quando se fala do Benfica, diz-se que o momento é mau. Não é!

Portanto, cabe à direcção, aos responsáveis de comunicação, aos adeptos e a todos os intervenientes do Benfica enquanto clube perceberem isso e, por um lado, verem o real momento actual do clube, e, por outro, exigir mais em determinadas coisas – sim, o futebol pode ser uma delas.

Luís Filipe Vieira com o diretor das Modalidades, Carlos Lisboa, e restante corpo técnico / Fonte: http://www.record.xl.pt/
Luís Filipe Vieira com o director das Modalidades, Carlos Lisboa, e restante corpo técnico
Fonte: Record

Não quero com isto camuflar, escamotear ou qualquer outro verbo com esta terminação que designe o mesmo a situação da equipa principal de futebol do Benfica. Nada disso. Ela existe, de facto. Mas também não é, na minha opinião, assim tão dramática quanto alguns a querem pintar. Também não quero entrar pela defesa da equipa técnica ou pelo ataque à mesma, nem pela defesa ou ataque ao senhor Luís, pois não é esse o meu propósito. Nem é por aí que quero entrar.

O Benfica é um enorme clube, com condições de topo a nível nacional (pelo menos), com uma grande estrutura (em dimensão); portanto, vamos catapultar isso para aquilo que o Benfica merece: ser o melhor clube. Sei que o futebol ocupa uma percentagem gigante da realidade Benfica, dos activos Benfica, do interesse externo no Benfica – e atenção que também eu tenho um enorme interesse na realidade futebolística do clube e dou-lhe, obviamente, uma grande importância – mas sei também que o Benfica não é nem pode ser só isso. É esse o foco, aqui. Espero que não seja só aqui e que se reflicta a curto, médio ou até longo prazo no meu Benfica.

O Benfica tem uma enorme estrutura, falta apenas resolver algumas questões estruturais…

André Eusébio

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