17h15. Estádio Municipal do Fontelo. Um calor abrasador, acima dos 30 graus, recebeu Benfica e FC Porto para o pontapé de saída da nova época do futebol feminino português.
Ivan Baptista apresentou as encarnadas num 4x2x3x1, sem grandes alterações em relação ao onze esperado, enquanto Daniel Chaves respondeu com um 4x3x3 e três novidades face ao último teste diante do Celta de Vigo: Morgan Stone reforçou o meio-campo, Daniela Santos (ex-jogadora do Benfica) entrou para o eixo defensivo e Fatumata Sissé assumiu uma das posições no ataque.
Sem as lesionadas Lara Perruca e Alex Kerr, duas ausências importantes, o FC Porto enfrentava o primeiro grande teste antes da sua estreia entre a elite do futebol feminino nacional.
O 5-1 final evidenciou a diferença entre as duas equipas, sobretudo na capacidade encarnada para controlar o jogo através da pressão e da ocupação dos espaços. O FC Porto sentiu muitas dificuldades na primeira fase de construção perante um Benfica que defendia alto e rapidamente recuperava a posse.
As bolas paradas foram a principal arma portista. Morgan Stone ainda marcou num lance invalidado por fora de jogo milimétrico no lance que antecedeu o golo inaugural dos encarnados. Fátima Pinto até chegou ao empate de penálti, mas em organização ofensiva faltou ligação entre o meio-campo e o ataque.
Do outro lado, Caroline Møller assumiu enorme preponderância entre linhas e Lúcia Alves deu uma profundidade constante ao corredor direito, desequilibrando repetidamente a estrutura defensiva azul e branca. O 2-1 de Nycole Raysla antes do intervalo acabou por devolver ao Benfica uma vantagem que já traduzia a maior qualidade da sua exibição.
Depois do intervalo, a diferença tornou-se ainda mais evidente. O Benfica aumentou a intensidade da pressão, empurrou definitivamente o FC Porto para trás e protagonizou uma segunda parte de enorme nível, com Carolina Tristão (nem parece ter apenas 17 anos) a encher o campo no miolo das comandadas de Ivan Baptista.
Lúcia Alves continuou a ser uma ameaça permanente pela direita, Møller apareceu para finalizar e as encarnadas encontraram espaços com uma facilidade crescente até ao 5-1.
Para o FC Porto, que inicia agora uma realidade completamente diferente entre as melhores equipas portuguesas, a Supertaça deixou uma amostra clara da exigência que encontrará na elite. Para o Benfica, mesmo depois de perder referências importantes durante o verão, ficou uma primeira demonstração de que a fasquia continua muito alta.

