Não é de agora, é de sempre

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Portugal tem, salvo algumas exceções, uma forte tendência para criticar tudo o que seja de origem lusitana e para idolatrar o que vem para lá da fronteira. Para o caso cujo assunto será o guião desta pequena, e coerente, sequência de palavras pode resumir-se mais ou menos assim: um é português e o outro é estrangeiro. Falo de Bruno Varela e do mais recente menino querido da Luz, Mile Svilar.

A questão, e para que não se confunda com outros parâmetros de análise à performance individual de cada jogador, não tem que ver com a qualidade de ambos os guarda-redes, nomeadamente aquilo que os distingue. Nesse aspeto reconheço mais qualidade a Svilar – mais seguro no ataque à bola, entre os postes, e até na atrevidura (sim, esta palavra existe, e consta no Priberam, famoso dicionário da Língua Portuguesa) com que sai da baliza para ajudar os companheiros nas bolas que são colocadas nas costas dos defesas centrais. O busílis da questão é o respetivo tratamento a que tiveram direito.

Bruno Varela foi lançado como opção de recurso para substituir o veterano Júlio César e assumiu sem receios a titularidade. Esteve em forma na Supertaça e nas primeiras jornadas do campeonato. Houve adeptos que chegaram até a pensar que ali poderia estar o substituto de Ederson, pelo menos enquanto não chegasse outro guarda-redes com qualidade para se afirmar como indiscutível dono da posição. Porém, e para grande mal do jovem guarda-redes português, Rui Vitória apenas esperava a oportunidade que justificasse uma ida de volta para o banco de suplentes. Essa oportunidade não demorou muito a chegar.

Varela foi visto como uma alternativa temporária, mas depressa voltou para o banco Fonte: SL Benfica
Varela foi visto como uma alternativa temporária, mas depressa voltou para o banco
Fonte: SL Benfica

À passagem da 6º jornada da Primeira Liga, no Estádio do Bessa, Varela errou na forma como atacou um remate de Fábio Espinho e acabou por comprometer o resultado da partida, o suficiente para lhe ser retirada a titularidade. Rodeado de críticos e de treinadores de bancada, acabou por não voltar a jogar com regularidade.

Rafael Raimundo
Rafael Raimundohttp://www.bolanarede.pt
Desde pequeno que passa as tardes de sábado a ver tudo o que seja desporto. Adora o seu clube, mas tem enorme facilidade em reconhecer quando algo não está bem. Sempre disposto a ouvir novas opiniões, desde que bem fundamentadas, e a debatê-las quando necessário.                                                                                                                                                 O Rafael não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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