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O Clássico Que Marca

João Valente · 4 min

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sl benfica cabeçalho 1Esta semana há festim do bom lá para os lados do Porto. Consta, no calendário da Liga Portuguesa, que Benfica e FC Porto vão discutir a liderança do campeonato. Isto, se não der empate e o Sporting saltar lá para a frente, mas isso já são consta para daqui a uma semana.

Falar de jogos entre estes dois é debater história. Salta à vista a inconsistência do Benfica para ganhar jogos no estádio do Dragão e o azar, também do Benfica, para ganhar jogos em casa aos portistas.

Feitas as contas podíamos arrumar a crónica desta semana por aqui e esperar, ou melhor, rezar para que Jonas, ou Jiménez, ou Seferovic encarnassem a pele de Lima, em 2014, ou de Nuno Gomes, em 2006, em mais uma rara vitória do Benfica no Porto por 0-2.

Porém, a minha missão desta semana é falar-vos do clássico que mais me marcou. Sem dúvida nenhuma que os 0-5 na era de Jesus e de David Luiz a lateral-esquerdo foram dos mais marcantes. Ou o ano em que o Kelvin decidiu dar o campeonato ao Porto quando o empate entregava o título ao Benfica. Todos nos lembramos de Jesus a ajoelhar-se e de Vítor Pereira a fazer a minimaratona em círculo, mais tarde vingada por Eliseu em cima de uma acelera.

Estes jogos são feitos de momentos marcantes como os que referi. Tinha muito mais sentido recordar um clássico jogado no Dragão visto que o desta sexta-feira será lá disputado. Contudo, o jogo que mais me marcou entre estes dois foi disputado na Luz.

Dia 2 de Março de 2012 o Benfica perdeu 2-3 frente ao FC Porto, no estádio da Luz Fonte: FC Porto
Dia 2 de Março de 2012 o Benfica perdeu 2-3 frente ao FC Porto, no estádio da Luz
Fonte: FC Porto

No dia 2 de Março de 2012, pelas 20:15, foi dado o pontapé de saída num Benfica vs Porto, apitado por Pedro Proença. Vítor Pereira era o treinador dos dragões e Jesus ainda orientava as águias.

A coisa começou logo mal quando Hulk, aos 7 minutos, decidiu espetar uma buja de ângulo apertado na baliza de Artur Moraes. 0-1 Para o Porto, mais do mesmo. O Benfica reagiu e foi para cima de um Porto que tinha Maicon, peça importante desta crónica, e Rolando na defesa. Sim, esse Rolando que hoje anda por Marselha a treinar, jogar e fazer serviço comunitário com argelinos.

Uma defesa frágil para uma equipa que tinha James, Hulk e Moutinho na parte mais adiantada do campo. Maxi ainda era nosso, Javi Garcia jogava a médio-defensivo e era o fio condutor entre a defesa, ao encargo de Luisão e Garay com um menino a quem o Benfica tinha prometido ajudar num acordo com a Cercica chamado Emerson, e o ataque.

Engraçada a história de Emerson. Fez uma época inteira a lateral-esquerdo e foi, no melhor dos elogios, horrível. Quando jogou a central, em Stanford Bridge, para os quartos-de-final da Liga dos Campeões, fez o jogo da vida dele e foi o mais próximo que o Brasil teve de ter um Maldini.

Adiante. O Benfica foi para cima deles e aos 42 minutos deu frutos. Cardozo, não gosto dele mas reconheço-lhe a eficácia, aproveitou a confusão na grande área do Porto gerada por um remate de Maxi que esbarrou na muralha de pernas que por lá andava e rematou sem hipóteses para Helton. Ainda querem falar de Casilas?

O jogo foi para o intervalo empatado. Na segunda parte fomos nós a começar melhor. Minuto 47. Falta de Lucho sobre Gaítan, Aimar cobrou o livre à direita, Cardozo meteu a cabeça entre os defesas e deixou Helton a ver a bola entrar. 2-1 para o Benfica e remontada feita. Fácil.

O problema é que estes jogos têm sempre qualquer coisa de especial. Nunca parece que as coisas vão correr bem a quem está a ganhar. Quando correr porreiro, quando não corre o Herrera dá canto aos 92 minutos e o Lisandro faz o 1-1 no Dragão.

Aqui não nos correu bem a nós. Aos 64’ James, após uma recuperação de Fernando, galgou 25 metros, fez o clássico um-dois com Fernando, e à entrada da grande-área meteu o 2-2 lá dentro. Jogo empatado. Menos mal.

Seguiram-se 23 minutos de sustos, mãos levadas à cabeça, soltaram-se asneiras. Jesus gesticulou abruptamente para Javi ter atenção às diagonais de James, Vítor Pereira disse umas quantas verdades a Maicon. O jogo estava partido. Ou seja, podia dar para qualquer um dos lados.

A defesa do Benfica não foi capaz de parar um ataque que contava com Hulk e James  Fonte: UEFA
A defesa do Benfica não foi capaz de parar um ataque que contava com Hulk e James
Fonte: UEFA

Até ao momento da fatalidade. Esse momento ocorrer aos 87 minutos. James ia em progressão até ser travado, em falta, por Gaítan. O colombiano ajeitou a bola, ergueu a cabeça e tirou as medidas à área do Benfica. Cobrou o livre, uma bola alta que só não foi balão por não estava vento naquela noite, que pingou à entrada da pequena área à guarda de Artur Moraes. Artur encheu-se de coragem e foi à bola, o problema é que já lá estava, como um pequeno escuteiro na primeira viagem com o grupo à Serra da Estrela, Maicon.

O brasileiro fez lembrar outro brasileiro. Luisão, que em 2005, também na Luz, e naquela baliza, num gesto semelhante fez na altura o 0-1 frente ao Sporting que nos ajudou a conquistar o título no Bessa uns dias mais tarde.

Desta vez a fava saiu ao Benfica que sofreu o 2-3 perto do fim e nunca mais deu a volta. O Porto saiu de lá com os 3 pontos que mais tarde contribuíram para mais um título azul.

Porque é que este jogo me marcou? Eu falhei o Benfica vs Porto, na Luz, quatro vezes antes deste. Este foi o primeiro que fui ver e o último. Não é um trauma, mas é-me impossível não entrar naquele estádio e não recordar o único clássico que lá assisti.

Foto de Capa: SL Benfica

João Valente

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