📲 Segue o Bola na Rede nos canais oficiais:

O (grande) mérito do Benfica

- Advertisement -

sl benfica cabeçalho 1

Dos muitos méritos desta equipa do Benfica, o maior – e aquele que, porventura, garante e melhor justifica a liderança do campeonato – é o reconhecimento das suas próprias limitações. As lacunas existem. Aliás, estão lá desde o primeiro dia. Os erros cometidos na preparação desta época (a começar pelo estágio nas Américas) explicam-nas perfeitamente e são tão evidentes que, ao longo de todos estes meses, sempre importou recordar esses erros: primeiro, para melhor os contornar e, depois, para que nunca mais sejam repetidos. Este Benfica não é perfeito nem invencível, tal como nenhuma outra equipa do mundo o foi – é um facto que jamais se tentou encobrir e que, a bem da verdade, não incomoda assim tanto.

Na opinião de inúmeros comentadores (uns supostamente isentos; outros nem tanto), estão-nos vedados títulos ou recordes de melhor jogador, equipa ou futebol praticado. Outros agentes, com mais responsabilidades no nosso futebol, disseminam as mesmas ideias: dirigentes que insistem no tema da arbitragem; treinadores no da sorte. Nestes casos, não nos é reconhecido valor ou mérito, localizando-se noutros locais as melhores individualidades, o melhor colectivo e o melhor futebol praticado – como se pela simples repetição destes argumentos tudo se tornasse verdadeiro. Nesta lógica, depreende-se que o sucesso do Benfica, tanto no plano interno como no externo, se deve, unicamente, a factores aleatórios ou fortuitos, comprovados num rol de teorias da conspiração diária capaz de colocar em causa, mais que a honestidade intelectual, a própria sanidade mental de quem as cria e lhes dá eco. Estranhar como pode a equipa adversária ser melhor, perante a evidência dos seus erros e defeitos, resulta exclusivamente da ausência de percepção do real. Não tanto por falta de capacidade consciente – embora também! –, mas mais pelo contexto em que decorrem os acontecimentos presentes, sobretudo, num universo em que a acção das massas é movida pela emoção, em detrimento da razão.

Para o leitor melhor entender o meu ponto de vista, deixo aqui um pequeno resumo da época: nem o Sporting com Jorge Jesus esteve assim tão bem, nem o Benfica com Rui Vitória esteve assim tão mal. De facto, a diferença competitiva entre as equipas encurtou-se. Porém, tal não significa que exista suficiente matéria para que se concretize, para já, uma verdadeira inversão de posições. A onda de entusiasmo criada em torno do Sporting de Jorge Jesus (aliada à estratégia de comunicação delineada por Bruno de Carvalho) apenas dificulta a aceitação conveniente dos acontecimentos e dos erros e defeitos próprios – e, quando assim é, normalmente, mais do que o presente, é o futuro que sai comprometido.

Rui Vitória usufruiu da tranquilidade necessária para evoluir com a equipa Fonte: SL Benfica
Rui Vitória usufruiu da tranquilidade necessária para evoluir com a equipa
Fonte: SL Benfica

A verdadeira força deste Benfica (em comparação com os demais adversários) provém, provavelmente, da honestidade com que se vê a si próprio, evitando, por isso, pretensões desmedidas ou excessivamente vaidosas. Perante as dificuldades iniciais – nunca é demais recordá-las, pois, atente-se, estivemos a oito pontos de distância do topo –, este grupo sempre demonstrou disponibilidade para reflectir numa solução e, fundamentalmente, admitir os seus erros e corrigi-los. Este gesto, tantas vezes difícil, revelou, acima de tudo, uma notável dose de humildade, de vontade e de trabalho na busca por uma meta comum: um compromisso firme com os objectivos do clube. Só desta forma foi possível superar tantos e tamanhos obstáculos. Termos presidente, treinador, dirigentes e comentadores a afirmarem sermos os melhores nunca bastará para, de facto, sermos os melhores.

Os adeptos compreenderam-no na perfeição. Esta equipa já mereceu, por entre recorrentes banhos de multidão, acaloradas ovações não só na hora das (muitas) vitórias, mas também na das (poucas) derrotas. Esta abordagem colectiva permitiu-nos compreender com clareza até onde poderíamos ir nas mais diversas competições e como se poderia fazer mais e melhor em todas elas. Uma postura que garantiu, entre outras coisas, o reforço da união e da tranquilidade em torno deste projecto, contribuindo decisivamente para a consequente evolução de Rui Vitória e dos seus jogadores.

João Amaral Santos
João Amaral Santoshttp://www.bolanarede.pt
O João já nasceu apaixonado por desporto. Depois, veio a escrita – onde encontra o seu lugar feliz. Embora apaixonado por futebol, a natureza tosca dos seus pés cedo o convenceu a jogar ao teclado. Ex-jogador de andebol, é jornalista desde 2002 (de jornal e rádio) e adora (tentar) contar uma boa história envolvendo os verdadeiros protagonistas. Adora viajar, literatura e cinema. E anseia pelo regresso da Académica à 1.ª divisão..                                                                                                                                                 O João não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

Subscreve!

Artigos Populares

Benfica com alteração de última hora no onze inicial

O Benfica e o Estoril estão a jogar durante o final de tarde deste sábado, num encontro da 17.ª jornada da Primeira Liga.

Lyon de Paulo Fonseca vence no terreno do AS Mónaco com bis de Pavel Sulc

O Lyon de Paulo Fonseca bateu o AS Mónaco por 3-1 e somou a quarta vitória consecutiva. Pavel Sulc apontou os dois golos da equipa francesa.

Elye Wahi regressa à Ligue 1 com empréstimo ao Nice

Após não conseguir marcar na sua época de estreia no Eintracht Frankfurt, Elye Wahi foi emprestado ao Nice até ao final da temporada.

Luís Guilherme na chegada a Lisboa para reforçar o Sporting: «Acredito que vou ser campeão»

O extremo brasileiro recentemente adquirido pelo Sporting por cerca de 17 milhões de euros mostrou-se confiante com o futuro em Portugal.

PUB

Mais Artigos Populares

Armando Evangelista não descarta regresso a Portugal no futuro: «Há sempre esse desejo de querer voltar»

Armando Evangelista falou com o Bola na Rede sobre vários temas ligados ao seu trabalho no Damac, da primeira divisão da Arábia Saudita. O técnico admitiu que o regresso a Portugal está sempre em cima da mesa.

Tondela vence Arouca e reacende luta pela manutenção da Primeira Liga

O Tondela venceu o Arouca por 3-1, em encontro da 17.ª jornada da Primeira Liga. O conjunto beirão soma agora 12 pontos na competição.

Armando Evangelista elogia dois jogadores do Damac e admite recorrer ao mercado português: «É sempre muito apetecível»

Armando Evangelista falou com o Bola na Rede sobre vários temas ligados ao seu trabalho no Damac, da primeira divisão da Arábia Saudita. O técnico falou do mercado e elogiou Morlaye Sylla e Kewin Silva.