O (grande) mérito do Benfica

- Advertisement -

sl benfica cabeçalho 1

Dos muitos méritos desta equipa do Benfica, o maior – e aquele que, porventura, garante e melhor justifica a liderança do campeonato – é o reconhecimento das suas próprias limitações. As lacunas existem. Aliás, estão lá desde o primeiro dia. Os erros cometidos na preparação desta época (a começar pelo estágio nas Américas) explicam-nas perfeitamente e são tão evidentes que, ao longo de todos estes meses, sempre importou recordar esses erros: primeiro, para melhor os contornar e, depois, para que nunca mais sejam repetidos. Este Benfica não é perfeito nem invencível, tal como nenhuma outra equipa do mundo o foi – é um facto que jamais se tentou encobrir e que, a bem da verdade, não incomoda assim tanto.

Na opinião de inúmeros comentadores (uns supostamente isentos; outros nem tanto), estão-nos vedados títulos ou recordes de melhor jogador, equipa ou futebol praticado. Outros agentes, com mais responsabilidades no nosso futebol, disseminam as mesmas ideias: dirigentes que insistem no tema da arbitragem; treinadores no da sorte. Nestes casos, não nos é reconhecido valor ou mérito, localizando-se noutros locais as melhores individualidades, o melhor colectivo e o melhor futebol praticado – como se pela simples repetição destes argumentos tudo se tornasse verdadeiro. Nesta lógica, depreende-se que o sucesso do Benfica, tanto no plano interno como no externo, se deve, unicamente, a factores aleatórios ou fortuitos, comprovados num rol de teorias da conspiração diária capaz de colocar em causa, mais que a honestidade intelectual, a própria sanidade mental de quem as cria e lhes dá eco. Estranhar como pode a equipa adversária ser melhor, perante a evidência dos seus erros e defeitos, resulta exclusivamente da ausência de percepção do real. Não tanto por falta de capacidade consciente – embora também! –, mas mais pelo contexto em que decorrem os acontecimentos presentes, sobretudo, num universo em que a acção das massas é movida pela emoção, em detrimento da razão.

Para o leitor melhor entender o meu ponto de vista, deixo aqui um pequeno resumo da época: nem o Sporting com Jorge Jesus esteve assim tão bem, nem o Benfica com Rui Vitória esteve assim tão mal. De facto, a diferença competitiva entre as equipas encurtou-se. Porém, tal não significa que exista suficiente matéria para que se concretize, para já, uma verdadeira inversão de posições. A onda de entusiasmo criada em torno do Sporting de Jorge Jesus (aliada à estratégia de comunicação delineada por Bruno de Carvalho) apenas dificulta a aceitação conveniente dos acontecimentos e dos erros e defeitos próprios – e, quando assim é, normalmente, mais do que o presente, é o futuro que sai comprometido.

Rui Vitória usufruiu da tranquilidade necessária para evoluir com a equipa Fonte: SL Benfica
Rui Vitória usufruiu da tranquilidade necessária para evoluir com a equipa
Fonte: SL Benfica

A verdadeira força deste Benfica (em comparação com os demais adversários) provém, provavelmente, da honestidade com que se vê a si próprio, evitando, por isso, pretensões desmedidas ou excessivamente vaidosas. Perante as dificuldades iniciais – nunca é demais recordá-las, pois, atente-se, estivemos a oito pontos de distância do topo –, este grupo sempre demonstrou disponibilidade para reflectir numa solução e, fundamentalmente, admitir os seus erros e corrigi-los. Este gesto, tantas vezes difícil, revelou, acima de tudo, uma notável dose de humildade, de vontade e de trabalho na busca por uma meta comum: um compromisso firme com os objectivos do clube. Só desta forma foi possível superar tantos e tamanhos obstáculos. Termos presidente, treinador, dirigentes e comentadores a afirmarem sermos os melhores nunca bastará para, de facto, sermos os melhores.

Os adeptos compreenderam-no na perfeição. Esta equipa já mereceu, por entre recorrentes banhos de multidão, acaloradas ovações não só na hora das (muitas) vitórias, mas também na das (poucas) derrotas. Esta abordagem colectiva permitiu-nos compreender com clareza até onde poderíamos ir nas mais diversas competições e como se poderia fazer mais e melhor em todas elas. Uma postura que garantiu, entre outras coisas, o reforço da união e da tranquilidade em torno deste projecto, contribuindo decisivamente para a consequente evolução de Rui Vitória e dos seus jogadores.

João Amaral Santos
João Amaral Santoshttp://www.bolanarede.pt
O João já nasceu apaixonado por desporto. Depois, veio a escrita – onde encontra o seu lugar feliz. Embora apaixonado por futebol, a natureza tosca dos seus pés cedo o convenceu a jogar ao teclado. Ex-jogador de andebol, é jornalista desde 2002 (de jornal e rádio) e adora (tentar) contar uma boa história envolvendo os verdadeiros protagonistas. Adora viajar, literatura e cinema. E anseia pelo regresso da Académica à 1.ª divisão..                                                                                                                                                 O João não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

Subscreve!

Artigos Populares

Champions League: Diego Simeone e Mikel Arteta entram em desacordo sobre arbitragem e lance com Viktor Gyokeres gera conversa: «Há um contacto»

O confronto entre Atlético de Madrid e Arsenal, pelas meias finais da Champions League, ficou marcado por polémicas de arbitragem.

Sexta-feira agitada nos três grandes: eis a hora da renovação de Rui Borges e das antevisões de Francesco Farioli e José Mourinho

A manhã de sexta-feira será agitada nos três grandes, com a renovação de Rui Borges e as antevisões de José Mourinho e Francesco Farioli.

Burnley despede Scott Parker e Michael Jackson assume comando técnico até ao final da temporada

O Burnley despediu Scott Parker do comando técnico e anunciou Michael Jackson como treinador até ao final da temporada.

Sporting deixa de ter possibilidades matemáticas de ser tricampeão e FC Porto pode entrar em campo campeão se Benfica tropeçar em Famalicão

Com o empate frente ao Tondela, o Sporting deixou de ter possibilidades matemáticas de conquistar o tricampeonato.

PUB

Mais Artigos Populares

Liga Portugal define data para o arranque das competições profissionais para 2026/27

A Liga Portugal anunciou o calendário da temporada 2026/27, com o início da Primeira e Segunda Liga agendado para 9 de agosto de 2026.

«A ideia é não parar para que, no dia em que sairmos do clube, a mentalidade vencedora fique bem presente no futsal do Benfica»...

Afonso Jesus é capitão do Benfica e, no passado fim-de-semana, conquistou a Taça de Portugal de Futsal e deu uma entrevista em exclusivo ao Bola na Rede.

DAZN Portugal passa a ter exclusivo da Europa League e Conference League e pode ter uma equipa portuguesa na Champions League

A DAZN Portugal anunciou que vai deter a transmissão exclusiva da Europa League e da Conference League, passando também a transmitir os jogos de uma equipa portuguesa na Champions League a partir de 2027.