O melhor João Mário de sempre

- Advertisement -

Benfica

João Mário Naval da Costa Eduardo caminha, pisando sobre a sabedoria que só a proximidade dos 30 anos oferece, para a melhor época da sua instável carreira, dicotómica pela disparidade de rendimento entre território nacional e enquanto emigrante nas grandes Ligas.

Desde a afirmação capaz à beira Sado em 2013-14 que lhe valeu o lugar no plantel principal daquele Sporting CP de Leonardo Jardim ao brilhantismo sob a alçada de Roger Schmidt – a quem pode agradecer a convocatória mundialista – João Mário provou ser craque fora-de-série que se dá mal com a condição de emigrante, como tantos outros craques portugueses pré-Geração de Ouro.

Como Rogério Pipi, que se viu rejeitado pelo balneário botafoguista por ordem directa de Heleno, a rebelde lenda brasileira, ou Chalana, que custou a fazer amigos em Bordéus, João Mário não provou em Milão ou Londres o dinheiro gasto em si nem o talento argumentado por especialistas.

Quando volta a Portugal, porém, torna o Sporting campeão 20 anos depois, ajuda o Benfica a chegar aos Quartos da Champions League e vice-capitaneia os encarnados ao segundo melhor arranque de sempre numa temporada desportiva, em registo só ultrapassado pelo Benfica de Béla Guttmann.

Além de se ter tornado atleta imprescindível nos grandes de Lisboa, o que o mais recente documentário disponibilizado pela BTV demonstra é a sua outra grande valência, o factor humano, que lhe garantiu também a imprescindibilidade dentro do balneário, sítio onde só Otamendi tem voz mais activa.

João Mário é o destaque em todos os momentos de concentração e lazer, é o farol que guia colegas dentro e fora de campo, assumindo a responsabilidade que o determinante futebol que vem jogando em 2022-23 chama para si: em Novembro já cumpre o melhor ano de sempre quanto a golos e assistências, uma enormidade estatística que assombra ainda mais pela importância no caminho invencível da equipa – foi decisivo em Turim, em Paris e novamente com a Juventus na Luz, no jogo que apurou portugueses para os Oitavos de Final.

Define-se como uma das grandes figuras do clube por mérito próprio, com os minutos cumpridos a colocarem o português num patamar de importância que perdera em Fevereiro de 2021-22, quando se vê amanhado pelo vírus da Covid e perde o comboio da titularidade.

Com 24 participações até ao momento, conta com 1995’, mais que Tino (1985’) e Rafa (1947’) e a conta pouca dos quatro mais utilizados (Vlachodimos, Otamendi, Grimaldo e Enzo, todos com mais de 2000’) – aliás, João Mário só falhou dois jogos até agora – por castigo, a visita a Famalicão na 6.ª jornada; por impossibilidade física, o confronto com o CD Estrela da Amadora para a Taça da Liga.

Contas ainda mais interessantes se compararmos com os dados de 21-22, onde cumpriu com mestria o papel de ‘8’ naquele 3-4-1-2 de Jorge Jesus: até 20 de Novembro, João Mário tinha inscrito o nome em 20 partidas (1498’), conseguindo dois golos e três assistências – compreensivelmente, pelo papel mais conservador em campo, o mesmo que assumiu quando levou o Sporting de Amorim ao título nacional duas décadas depois.

Até principio da presente época desportiva, a grande discussão em torno da carreira de João Mário era definir, primeiro, qual a melhor posição – como ‘8’ ou como interior direito, como o arrumou Jesus no Sporting 15-16? – e em qual delas tinha tido a melhor performance.

O mesmo discernimento em serviço dos últimos homens marcou quem acompanhou de perto o João Mário à direita em 2016 e marca agora quem vê de perto o Benfica de Schmidt, com João Mário alternando entre direita e esquerda, a partir da ala para resgatar o controlo do jogo e a liberdade posicional como vagabundo no segundo terço, ali já depois da sala de máquinas e na chegada ao palco.

Roger Schmidt reuniu o melhor desses dois mundos, responsabilizou-o pela gestão de tráfico e, ao contrário de Jorge Jesus, permitiu-lhe ganhar fôlego longe da linha lateral. E o português cumpre já a melhor época da sua carreira, como protagonista em todos os grandes momentos do Benfica. Continuando neste embalo, ganhará finalmente os títulos que o seu estrondoso QI futebolístico merece.

Pedro Cantoneiro
Pedro Cantoneirohttp://www.bolanarede.pt
Adepto da discussão futebolística pós-refeição e da cultura de esplanada, de opinião que o futebol é a arte suprema.

Subscreve!

Artigos Populares

Reforços a caminho: Manchester City volta à carga por Enzo Fernández e está muito perto de garantir Ayyoub Bouaddi

O Manchester City pretende contratar dois novos médios até ao fim do mercado, preparando já uma proposta oficial por Enzo Fernández.

Dodi Lukebakio mais longe do Besiktas: Eis as exigências do Benfica

O interesse do Besiktas em Lukebakio arrefeceu, uma vez que o Benfica exige 30 milhões de euros e rejeita a oferta dos turcos.

Imprensa inglesa avança: Sunderland pode cometer loucura por Geny Catamo

O Sunderland está preparado para pagar a cláusula de rescisão de 60 milhões de euros e contratar Geny Catamo, avança o TeamTalk.

Proprietário do Hull City revela desejo de Yeremay Hernández: «O Yeremay quer vir para o clube»

O proprietário do Hull City, Acun Ilicali, admitiu a vontade de Yeremay Hernández em rumar ao clube inglês para disputar a Premier League.

PUB

Mais Artigos Populares

AC Milan de Ruben Amorim coloca Gonçalo Inácio e Tiago Gabriel na lista de alvos

Gonçalo Inácio e Tiago Gabriel estão na lista de alvos do AC Milan de Ruben Amorim para este mercado de verão.

Real Madrid de José Mourinho interessado em Victor Froholdt

O Real Madrid está interessado em garantir a contratação de Victor Froholdt e terá feito contactos exploratórios pelo médio dinamarquês.

Acordo total: João Palhinha troca o Bayern Munique pelo Benfica

João Palhinha vai mesmo reforçar o Benfica, avança a Sport TV. Os encarnados chegaram a acordo com o Bayern Munique.