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O renascer encarnado

Pedro Afonso · 2 min

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Há pouco tempo, ver o Benfica era difícil. Tornara-se uma obrigação ligar a televisão e ficar diante do ecrã durante 90 minutos duros e longos, ou deslocar-me até ao estádio para assistir a uma sofrida partida de futebol onde a essência do jogo se perdera e a vitória era um alívio.

Não havia esforço dos jogadores, organização, jogadas magníficas ou vitórias convincentes de forma constante. Era tudo ganho a ferros e havia a sensação de que qualquer equipa podia fazer frente ao nosso clube. Os atletas em campo estavam desnorteados, parecendo não saber o seu lugar em campo, e davam a impressão de que não tinham a motivação que o peso da camisola deveria dar.

Excetuando um ou outro, os jogadores não sentiam o manto sagrado, não sentiam os adeptos, não sentiam as palavras do treinador e não sentiam o clube, o Benfica. Isto tudo tornava a ação de ver o Benfica um esforço que só era possível pelo simples facto de ser precisamente o Benfica que entrava em campo, na vez de ser pelo entusiasmo e prazer de ver jogar o clube do coração. O descontentamento dos adeptos no final dos jogos era também difícil de suportar. Apareciam lenços brancos nas bancadas direcionadas ao treinador e à direção do clube.

Tudo isto parecia estar a ser causado por um homem só. Rui Vitória estava longe de ter o apoio dos adeptos e parecia também ter perdido a confiança dos jogadores. Assim, culpei Rui Vitória por todo este sentimento negativo e apático em relação ao ver o Benfica. Nem escrever sobre o meu clube conseguia e atribuí culpa ao mesmo homem.

Há duas jornadas, Rui Vitória saiu do Benfica e Bruno Lage tomou o leme da equipa interinamente. O primeiro jogo foi em casa, contra o Rio Ave e começou da pior forma.

Bruno Lage é o substituto interino de Rui Vitória depois da sua saída
Fonte: SL Benfica – Formação

Aos 20 minutos de jogo, o Benfica perdia por 0-2. Os jogadores pareciam estar a jogar parados, sem qualquer interesse em fazer alguma coisa que levasse a que o Benfica desse a volta ao resultado. Ouviu-se um coro de assobios como não me recordo no passado recente. Em pleno Estádio da Luz, quase 50 mil adeptos fartos da falta de entusiasmos dos jogadores – já que agora não podia existir a ‘desculpa’ de todo o mal ser do treinador – assobiaram fortemente a equipa a demonstrar o descontentamento pelo que ali se passava.

Porém, deu-se a remontada. Houve uma espécie de renascimento da equipa e voltou-se a jogar futebol. Ao intervalo o resultado estava empatado e na segunda parte, com a ajuda do treinador Bruno Lage, a equipa regressou com outra atitude. Viu-se progresso a olhos vistos e os encarnados venceram por 4-2.

Na jornada seguinte, nos Açores, continuou-se a ver progressos na equipa e agora volto a ver o Benfica a jogar com prazer, entusiasmo e vontade. Quero ver o clube a subir de forma, a recuperar o seu poderio e a jogar cada vez melhor. A vencer com categoria aos poucos e poucos. A renascer.

Foto de Capa: Bruno Lage

Pedro Afonso

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