Odysseas Vlachodimos | O guarda redes perdido no tempo

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Odysseas Vlachodimos será sempre um eterno D. Sebastião se atendermos ao momento da sua chegada e à necessidade da sua vinda um ano antes – é convicção geral que, com ele a defender as redes em 2017-18, o “Penta” teria sido uma realidade. A baliza foi um dos falhanços dessa temporada e uma das principais falências desse mercado de preparação, quando a ida de Ederson para Manchester abriu uma vaga que nunca seria bem compensada.

Tanto Bruno Varela como Svilar, lançado aos lobos ainda adolescente, ficarão irremediavelmente associados a essa fatídica temporada. Em 2021, Vlachodimos, por outro lado, dá a sensação de ser atleta de capacidades ultrapassadas – a precária evolução registada ao nível das saídas e controlo da profundidade motivaram, em tempos, preocupações a Bruno Lage. A Jorge Jesus motivaram a troca por Helton Leite, que com outros argumentos nesses aspetos, ganhou o lugar ao grego.

Talvez o destino não tenha sido totalmente justo com ele, até pelo momento da sua chegada e as expectativas nele depositadas. A inconstância do rendimento encarnado não facilita as tarefas defensivas e a perda sucessiva de elementos basilares nos procedimentos táticos só condiciona qualquer tentativa de equilíbrio, sendo que as evidentes limitações de Vlachodimos fora dos postes acabam por vir ao de cima, dada a exposição e a quantidade de vezes que é chamado a intervir.

Não é descabido, no entanto, afirmar que foi uma das peças nucleares no 37º título e igualmente preponderante na grande primeira volta de 2019-20 – quando o SL Benfica bateu recordes de pontos, vitórias e registos defensivos. Os encarnados sofreriam apenas seis golos nos primeiros 17 jogos da Primeira Liga, com Vlachodimos a ser uma das figuras de destaque, até porque a equipa já demonstrava sinais preocupantes a antever a queda posterior.

Jogos como aquele em Leipzig (2-2), onde bate o recorde pessoal de oito defesas, ou na segunda mão da meia-final da Taça de Portugal, em Famalicão, com 7 intervenções a bola de golo, catapultou um SL Benfica em queda para a final da competição.

Vlachodimos estará na porta de saída do SL Benfica
“Acho que estou pronto para seguir em frente, é algo que quero agora”, disse ao portal grego Sport24
Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

As circunstâncias desta temporada provocaram instabilidade a toda a linha. A defesa sofreu especialmente, sobretudo com a lesão prolongada de André Almeida e a entrada tardia e a meio gás de Otamendi. Vlachodimos fazia o que podia para manter os encarnados à tona, mas tal como Moreira em 2004-05 ou Artur em 2013-14, a sua saída era compreendida como alavanca da melhoria substancial no rendimento da equipa – o que se consumou, mas há mais fatores a ter em atenção para impedir a desnecessária comparação com Helton Leite.

Se o momento capital de Alvalade é visto como gota de água na paciência do treinador, há que relembrar que essa fase coincide com as entradas de Diogo Gonçalves e, semanas mais tarde, de Lucas Veríssimo, duas peças que vieram trazer outro rigor à postura defensiva da equipa e provocaram o crescimento dos índices de agressividade com e sem bola, além duma velocidade de processos que não se pode pedir a Gilberto, pelas características físicas, ou a Vertonghen, já um jogador mais experiente e dependente de outros aspetos técnico e táticos.

Restará perceber se este mau momento de Odysseas, pela primeira vez remetido na carreira a papel secundário, terá consequências no final da temporada. A saída, apesar de praticamente anunciada pela própria reação do treinador Jorge Jesus às suas polémicas declarações, não foi confirmada. Ou se haverá, em 2021-22, nova oportunidade no clube para o guarda-redes internacional grego.

As estatísticas de águia ao peito, a consumar-se a primeira opção, assim ficarão registadas: 119 jogos, 121 golos sofridos no total das competições, 47 ocasiões com a baliza inviolável.  A média de mais de um golo sofrido por jogo é alimentada sobretudo pelas fracas campanhas europeias, onde entre Liga dos Campeões e Liga Europa, conta 43 golos sofridos em 29 jogos.

Pedro Cantoneiro
Pedro Cantoneirohttp://www.bolanarede.pt
Adepto da discussão futebolística pós-refeição e da cultura de esplanada, de opinião que o futebol é a arte suprema.

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