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A antiga Jugoslávia sempre foi uma referência no futebol europeu no que a jogadores de qualidade diz respeito. Principalmente, a partir da segunda metade dos anos 80, após a conquista do mundial de sub-20 por parte da Jugoslávia em 1987, com uma equipa que contava com jogadores como Davor Suker, Pedrag Mijaitovic, Zvoromir Boban e Robert Prosinecki. Alguns jogadores oriundos da Antiga Jugoslávia deram cartas no futebol português, tais como Zlatko Zahovic e Ljubinko Drulovic.
No entanto, apesar do futebol jugoslavo sempre ter tido grandes valores individuais, em termos de equipa nas competições internacionais, nunca conseguiu confirmar o seu valor, realizando prestações à quem das expectativas.
Actualmente, a Sérvia, para além de padecer do mesmo mal em termos de selecção, está a tornar-se num país cada vez mais rico naquilo a que se chamam “promessas adiadas” do futebol.
Dois desses jogadores sérvios que tardam em confirmar o seu potencial estão contratualmente ligados contratualmente ao Sport Lisboa e Benfica. Falos dos avançados Igor Saponjic e Luka Jovic. Em Janeiro, o Benfica gastou quase 10 milhões de euros nestas duas jovens promessas do futebol sérvio, mas o rendimento de ambos não tem correspondido às expectativas. Luka Jovic (ex-Estrela Vermelha), marcou quatro golos em 17 jogos pela equipa B, tendo feito mais quatro jogos pela equipa principal, todos eles como suplente utilizado. Igor Saponjic marcou sete golos em 42 jogos pela equipa.
Não estou a dizer que eles foram flops. Para mim, não existem flops com 19 anos. No entanto, há-que analisar a questão do porquê destes dois jovens jogadores tardarem em confirmar o seu potencial. Eu sei que ainda têm muito tempo para isso, mas há-que analisar o que correu mal para que estes se tenham tornado dois “barretes”.

Fonte: SL Benfica
Antes de mais, há que analisar este problema pela raiz e questionar o porquê do futebol sérvio ser actualmente rico em promessas adiadas. Se formos a verificar, as gerações mais recentes de futebolistas sérvios nasceram e/ou cresceram durante a Guerra Civil Jugoslava. Certamente, os jogadores nascidos nesse tempo, tais como Saponjic e Jovic não tiveram uma infância fácil no seu país.
E este tipo de experiências de vida pode marcá-los para sempre, caso não tenham a força mental necessária para dar a volta por cima e singrar no mundo do futebol. Outro exemplo disso mesmo é o do holandês Ola John, outro jogador que teima em não confirmar o seu potencial. O jogador nascido na Libéria nasceu com o país em Guerra, tendo perdido o seu pai aos dois anos de idade.
Outro problema destes talentos “precoces” do futebol sérvio é o é a mudança radical de estatuto que estes têm ao transferirem-se para um clube com a dimensão do Benfica. Essa situação chegou a ser explicada pelo olheiro do Benfica na Europa José Boto, num seminário sobre scouting que decorreu na Universidade Lusófona em 2015:
“Na ex-Jugoslávia, que é um mercado que eu conheço bem, é perfeitamente natural haver jogadores de 16 ou 17 anos na Primeira Liga. Isto cria-nos um problema porque já estão num patamar que não é adequado para as nossas equipas jovens, mas para entrarem directamente na nossa Primeira Liga também não estão preparados.”
Este é na minha opinião, o principal problema tanto de Saponjic como de Jovic. Tanto um como o outro, apesar da tenra idade, já eram jogadores influentes nos melhores clubes do seu país, já com vários golos marcados e jogos nas competições europeias. Entretanto, vêm para o Benfica onde se deparam com um Jonas, um Jiménez e um Mitroglou e só têm hipóteses de jogar na equipa B. Ora, para jogadores que eram titulares nos melhores clubes do seu país, perante estádios cheios com claques fanáticas, é natural que eles se sintam desmotivados a jogar pela equipa B numa Segunda Liga.
Aliando a estes dois factores referidos, o preço relativamente elevado pago por dois jogadores relativamente jovens, isso tudo torna estas contratações duas apostas de risco. Mas agora, eles terão uma oportunidade de dar um passo atrás para no futuro darem dois à frente.
Luka Jovic, campeão mundial de sub20 em 2015, foi emprestado por duas temporadas ao Eintracht Frankfurt, onde jogará num clube de menor dimensão, mas num patamar competitivo superior onde terá realmente de dar o litro para conseguir singrar. Igor Saponjic foi emprestado aos belgas do Zulte Waregem, tendo assim a oportunidade de jogar e crescer num clube e num campeonato com pouca visibilidade onde possa mostrar o seu valor.
Dadas as circunstâncias, o mercado sérvio é um mercado “delicado” e estas duas pérolas por lapidar são uma incógnita. Como tal, esta será uma oportunidade de ouro para estes crescerem e ainda terem hipóteses de, no futuro, conquistarem um lugar na equipa principal do Benfica.
Foto de Capa: SL Benfica











