Posição ‘6’ | Quem é o dono do lugar no SL Benfica?

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O meio campo do SL Benfica tem sido o setor alvo de mais alterações e onde se sentiu (e continua a sentir) mais incerteza. A posição de número 6 será com certeza a que mais discussão gera entre os adeptos do clube da Luz.

Weigl começou a época a titular, mas perdeu o lugar, após o desaire em Salónica. Gabriel conquistou o lugar, mas não tem convencido. Até o próprio Samaris já teve alguns minutos de utilização, incluindo uma titularidade (absurda) frente ao SC Braga. Afinal, quem deveria ser o dono do lugar?

Este debate transporta-nos para uma discussão que vai muito além dos jogadores e das suas qualidades, focando-se mais naquilo que cada pessoa acredita ser o futebol e o que é exigido nesta posição.

Para uns, um trinco tem de ser um jogador à antiga: fisicamente possante, bom posicionalmente e muito intenso no ataque à bola. Para mim, esta ideia não podia estar mais errada. Um jogador nunca se poderá resumir àquilo que corre. É mais importante saber para onde correr e como do que nunca parar de pressionar.

Muitas vezes, as pessoas esquecem-se de que a bola corre sempre mais rápido do que qualquer jogador.

Esta falsa ideia que foi construída à volta da ideia de “intensidade”, que fica ligada a uma visão mais conservadora do futebol, prejudicou e continuará a prejudicar muitos em Portugal e por todo o mundo. Óliver Torres, no FC Porto, é um excelente exemplo disto.

As pessoas que se encontram deste lado da barricada são críticos habituais do jogo de Weigl, reclamando quase sempre da falta de intensidade e capacidade física do alemão. Mas, afinal, o que é isto da intensidade? Samaris e Gabriel são jogadores intensos?

Gabriel é um jogador com índices de esforço baixíssimos, apesar da sua forte estrutura física. É inegável que ganha muito mais bolas no ar do que o alemão e é significativamente mais forte nos duelos no solo.

No entanto, qual é a importância desta potência física se o posicionamento nos afasta sempre da bola? É muito por aqui que Gabriel peca, sendo, sobretudo, isto que o impede de jogar nesta posição.

A médio mais adiantado, Gabriel poderia brilhar, mas teria de superar as dificuldades que tem para pensar o jogo. Tem muita qualidade nos passes típicos de quarterback, mas recorre demasiadas vezes a esta solução, quando tem opções mais simples e progressivas.

Andreas Samaris, sim, já caberia na definição tradicional de “jogador intenso”. O grego corre o jogo todo, pressionando sempre o adversário. Mas realiza esta pressão da forma certa? Não. A pressão tem de ser algo coordenada coletivamente. Nunca é positivo ter um jogador a pressionar o adversário sozinho, ou de forma precipitada.

Esta necessidade de estar constantemente em deslocamento para junto da bola demonstra uma má leitura do jogo e má capacidade de posicionamento. Nestas duas áreas, Julian Weigl prospera e é claramente superior aos dois colegas. Tecnicamente, é também melhor. Os seus passes chegam sempre em grandes condições aos seus colegas e raramente perde a bola, ou falha descaradamente uma ação.

Então, Weigl deveria ser o titular desta equipa? Sim e não. Para mim, é claramente o jogador de futebol superior (atenção à palavra jogador e não atleta), mas o seu jogo dificilmente encaixa naquilo que é o futebol de Jorge Jesus.

O treinador dos encarnados contou, quase sempre, com médios de maior rotação e com uma capacidade de transporte de bola que Weigl não consegue dar à equipa. Estas debilidades ficam ainda mais evidentes perante a falta de apoio de Taarabt ou Gabriel. O marroquino é taticamente anárquico e Gabriel, como já referi, tem índices de esforço muito baixos.

Weigl é um jogador de uma qualidade superlativa, mas que está a ser muito mal aproveitado por Jorge Jesus. Questionar a qualidade do alemão para jogar no SL Benfica é das coisas mais absurdas a que se assiste no mundo desportivo das redes sociais.

Recordar que Busquets foi, facilmente, o melhor médio defensivo da década sem necessitar dessa ideia abstrata da “forte intensidade”.

Uma carta fora do baralho para esta posição poderá ser Gedson. As características do jovem português encaixam muito melhor naquilo que são as ideias de Jorge Jesus. Terá o jovem qualidade para ocupar a posição?

Artigo revisto por Mariana Plácido

Gonçalo Batista
Gonçalo Batistahttp://www.bolanarede.pt
O Gonçalo é atualmente aluno da Escola Superior de Comunicação Social, onde persegue o seu sonho de ser jornalista. Descobriu a emoção do desporto quando assistiu, juntamente com o seu pai, ao clássico entre o Glasgow Rangers e o Celtic. A partir desse momento o desporto tornou-se uma parte fundamental da sua vida. Apaixonado pela prática desportiva, segue o futebol em geral e a NBA religiosamente. Tem dois clubes de coração o Benfica, e o Clube Atlético de Queluz clube da terra, no qual é atleta desde os 6 anos.                                                                                                                                                 O Gonçalo escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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