Publicidade

Pouco importa, pouco importa… queremos é o 36!

João Amaral Santos · 5 min

Pouco importa, pouco importa… queremos é o 36!

Vê mais Bola na Rede no teu Discover Seguir no Google

sl benfica cabeçalho 1

A cada defeso regressam e recrudescem nos corações benfiquistas sensações de desconfiança e temor – é um sinal positivo e, sobretudo, frutífero. Significa, essencialmente, que o benfiquista comum continua atento e que ainda não se cansou de vencer (e alguma vez se cansará?). Significa que o benfiquista comum compreende a natureza do seu clube, os seus princípios e objectivos fundadores e tudo aquilo que o rodeia; que conhece as verdades indesmentíveis e universais quanto à existência de campeões antecipados, permanecendo consciente do quão indispensável é, a cada ano e momento da competição, colocar ênfase em critérios de sucesso transversais e intemporais: humildade, dedicação, trabalho e superação.

Há um ano, por esta altura, o Benfica alterava o seu rumo – drástica e grosseiramente –, abdicando dum paradigma alicerce de vitórias, com futebol dominador e tantas vezes avassalador. Uma alteração com a qual, à época, discordei com veemência. Hoje, felizmente, permito-me confessar alegremente tais estrondosos equívocos, pois, ao contrário daquilo que prognosticava (tal como a esmagadora maioria dos benfiquistas), as coisas correram pelo melhor. O Benfica provou, em Portugal e na Europa, como divergem os misteriosos caminhos para o sucesso; e como no futebol não há bons e maus modelos, mas apenas aqueles que ganham e aqueles que perdem.

Luís Filipe Vieira ganhou a aposta, calando os críticos (onde lamentavelmente me incluo), com uma estratégia economicamente viável, financeiramente rentável e – atentando ao que realmente importa – desportivamente bem sucedida. Aos títulos alcançados, somaram-se as receitas milionárias obtidas através da prestação na Liga dos Campeões e das vendas de Gaitán e Renato Sanches. No espaço de um ano, o Benfica reduziu a despesa e aumentou a receita não precisando, para tal, de abdicar do seu estatuto competitivo, apresentando-se como candidato/favorito em todas as provas onde está inserido, seja no desporto rei, como noutras modalidades com verdadeira relevância no panorama desportivo nacional.

Os resultados alcançados justificam a política e, por conseguinte, a continuidade da estratégia usada. A diferença, largamente positiva, reside na capacidade que o clube demonstra, no presente, em manter a parte significativa do plantel (tri)campeão em título, ao contrário do sucedido em defesos anteriores. Jamais se poderá ignorar o impacto imediato das saídas de Gaitán e Renato Sanches, porém, em comparação com as habituais revoluções às portas do Estio, Rui Vitória terá, neste defeso, mais certezas quanto à construção do colectivo. Com outra significativa vantagem: desta vez, terá à disposição o tempo e o espaço de uma pré-época digna de um clube profissional, responsável e ambicioso, resumidamente, ao nível do Benfica, em contraponto com a experiência amadora pelas Américas surrealistas que estoicamente suportou no seu ano de estreia.

Rui Vitória tem, desta vez, uma pré-época à sua medida Fonte: SL Benfica
Rui Vitória tem, desta vez, uma pré-época à sua medida
Fonte: SL Benfica

O Benfica dispõe de jogadores experientes e talentosos, embora, na verdade, algo mais justifica a fome por títulos que tão bem tem sido saciada: o grupo está polvilhado de mística; um ingrediente que não se compra e muito menos se vende. Neste plantel, existem homens conscientes da grandeza do símbolo que carregam, da responsabilidade que lhes cabe, que assumiram com coragem e determinação, desde o primeiro dia de águia ao peito, a dimensão histórica deste clube, tão bem reflectida nos milhões vibrantes espalhados por todo o mundo. O compromisso assumido perante os objectivos colectivos e a sintonia com os adeptos – força fundamental, não só na Luz, como nos estádios espalhados pelo país – afiança a vontade de chegar sempre primeiro e mais alto. Para isso, o Benfica tem muitos capitães, não só Luísão, empunhando a braçadeira, mas também Júlio César, Jardel, Samaris ou Jonas, sem ela.

O actual plantel é constituído por jogadores de qualidade inquestionável, embora, situados em patamares evolutivos distintos; desta vez, a questão dos excedentários resolveu-se de forma relativamente célere e, neste momento, o grupo de trabalho encontra-se praticamente fechado e devidamente equilibrado – Rui Vitória terá a última palavra quanto aos dispensáveis após o estágio; talvez ainda saia Talisca e talvez ainda entre outro médio (substituto à altura de Renato Sanches). Os experientes Júlio César, Luísão e Salvio procuram recuperar o tempo perdido, regressar ao “onze”, ultrapassadas que estão as tormentosas e longas lesões que os afectaram. Ederson, Lindelof, Nelson Semedo, André Almeida, Pizzi e Raul Jimenez entram numa época de confirmação, após cada um deles ter demonstrado a qualidade e utilidade óbvias do seu futebol.

Mas como se vai tornando regra, é uma nova fornada de jovens que mais aguça a curiosidade do adepto e também, dada a recorrência que o bom exemplo consegue fixar, a do empresário e a do tubarão milionário, ansiosos por cada novo craque, oriundo daquela que é já uma das mais reconhecidas “rampas de lançamento” do futebol europeu e mundial. Grimaldo, Gonçalo Guedes e Jovic já ensaiaram a sensação “explosiva” da notoriedade e, em breve, poderão assumir-se como alternativas (mais) válidas. O médio André Horta e os extremos Zivkovic e Cervi entusiasmam, surgindo num processo de adaptação ao clube e à equipa (e no caso dos estrangeiros, ao país e à cidade). O médio João Carvalho e o extremo Diogo Gonçalves encontram-se na primeira linha de homens e futebolistas “nascidos” no Seixal – depois de cumprida a formação, é hora de passos mais sólidos.

Neste clube há coisas que o dinheiro não compra Fonte: SL Benfica
Neste clube há coisas que o dinheiro não compra
Fonte: SL Benfica

Outro dos grandes trunfos do Benfica é, certamente, a permanência da produtiva dupla de ataque constituída por Mitrolgou e Jonas – capaz, com os seus golos, de resolver jogos e campeonatos. André Carrillo (ex-Sporting) e Celis, (ex-Junior Barranquilla, da Colômbia) são os reforços mais adultos e, muito provavelmente, aqueles que, neste momento, se encontram melhor posicionados para substituir as vagas em aberto – por Gaitán e Renato Sanches –, podendo entrar no imediato na equipa principal.

Os objectivos não divergem – monótona ambição, a da vida real. O Benfica tem um plantel bem pensado, com jogadores experientes em todos os sectores, titulares e alternativas de qualidade indesmentível, prontos para todos e quaisquer desafios, tanto no plano interno, como no externo. Numa segunda linha, surge uma mão cheia de jovens promessas, capaz de concentrar as atenções dos olheiros europeus, garantindo coesão e rotatividade, mas também, abrindo a porta a futuros negócios de milhões (indispensáveis para o sucesso deste projecto). O campeonato – a conquista de um inédito tetra – é, claramente, a grande prioridade; na Liga dos Campeões, o Benfica deve pensar por etapas, não devendo, porém, rejeitar a evolução progressiva do seu espaço no panorama internacional que os últimos anos têm vindo a confirmar. Resumidamente: o futebol são “onze” contra “onze”, o foco é sempre a vitória e, lá para Maio, vemo-nos no Marquês.

Foto de capa: SL Benfica

João Amaral Santos

Redação Bola na Rede · ver artigos

Continua a ler

as mais recentes
Opinião

Luuk de Jong | O que poderia ter sido no Dragão sem lesões

A passagem de Luuk de Jong pelo FC Porto deixa uma sensação de que poderia ter sido muito mais marcante se as lesões não tivessem surgido pelo caminho. Apesar das dificuldades físicas que enfrentou, o avançado neerlandês demonstrou qualidades que justificavam a confiança depositada nele e que faziam acreditar num contributo importante para a equipa azul e branca. Luuk de Jong é um ponta de lança com características muito próprias. A sua capacidade de jogar de costas para a baliza, a força no jogo aéreo, o sentido de posicionamento e a eficácia na finalização fazem dele um avançado capaz de resolver jogos e oferecer soluções diferentes no ataque. Num clube como o FC Porto, habituado a lutar por títulos e a competir ao mais alto nível, estas qualidades poderiam ter sido fundamentais, sobretudo nos momentos em que a equipa precisava de alguém capaz de transformar cruzamentos e oportunidades em golos.

Miguel Costa · 2 min de leitura
Ler a crónica

Newsletter Bola na Rede

Estamos a preparar a newsletter do Bola na Rede. Deixa o teu email e és dos primeiros a recebê-la. Sem spam.

Feito. Ficas na lista e avisamos-te quando arrancar.