Rui Costa | O príncipe herdeiro que nunca reinou

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Se em 2021 Rui Costa era visto como o salvador da pátria benfiquista, hoje carrega consigo a sombra de Luís Filipe Vieira e é encarado, por muitos, como a continuidade do Vieirismo no Benfica. Na altura, confesso, acreditei como tantos outros que um benfiquista “como nós” iria devolver ao clube a sua alma, libertá-lo das amarras do passado e guiá-lo para um futuro mais transparente, mais digno e verdadeiramente alinhado com a identidade do Benfica. Foi essa esperança que me fez acreditar que estávamos perante um virar de página.

Mas enganei-me. Enganei-me ao pensar que a rutura estava à vista, quando afinal a continuidade se disfarçava sob o manto da promessa. Caí no erro de confiar em palavras que, hoje, soam ocas. Promessas de mudança que não se concretizaram, ilusões que se desfizeram com a mesma rapidez com que foram erguidas. Sinto-me enganado, não só por Rui Costa, mas também por mim próprio, por ter acreditado.

Rui Costa
Fonte: SL Benfica

É claro que agora, olhando para trás, é fácil dizer que tudo estava à vista. O próprio Rui Costa admitiu no início da sua campanha que não estava preparado para liderar o clube, e mesmo assim nós, benfiquistas, deixámo-nos levar. Cedemos à emoção, ao nome, à história que ele carrega enquanto jogador, esquecendo que ser símbolo dentro de campo não é o mesmo que ser líder fora dele.

Hoje, a desilusão pesa. Pesa porque sei que o Benfica merece mais, pesa porque continuamos presos a um ciclo que parece interminável. E pesa sobretudo porque, como adepto, custa reconhecer que o erro foi nosso também: acreditámos onde não devíamos acreditar. E o pior que nos pode acontecer é voltar a cair no mesmo erro outra vez.

Estes quatro anos de mandato estão a transformar-se num período negro da história do Benfica, já apelidado por muitos adeptos como “os loucos anos 20”. Uma década que, até agora, tem sido desastrosa a todos os níveis: desportivo, institucional e até moral. É impossível ignorar o peso dos erros cometidos, erros que não são apenas falhas de gestão, mas que chegam a ser vistos como verdadeiras traições aos valores e aos sócios do clube.

João Noronha Lopes e adeptos do Benfica
Fonte: Paulo Ladeira/Bola na Rede

Os candidatos que pugnam pela mudança já expuseram factos, decisões mal tomadas, negócios mal explicados e uma visão de liderança que mais parece refém de interesses do que guiada pelo amor ao Benfica. Mas, ainda assim, não consigo deixar de sublinhar aquilo que mais me magoa: o completo desastre desportivo, a perda total de identidade, o conluio com a mediocridade e, sobretudo, a ausência de dignidade para com aqueles que carregam o clube às costas, os sócios e adeptos.

Eu até compreendo a posição de Rui Costa. A sua história tinha tudo para soar poética. O prodígio formado no Benfica, adepto fanático desde pequeno, regressa ao clube para terminar a carreira, entra na estrutura dirigente, chega a presidente e leva o Benfica a conquistar tudo. Seria um conto de fadas perfeito, uma narrativa digna da grandeza do nosso clube. Mas a realidade é muito menos romântica.

Hoje em dia, um presidente não pode viver apenas do fervor clubístico ou do prestígio conquistado em campo. Um presidente tem de ser competente, preparado para liderar uma instituição gigantesca como o Benfica, com visão estratégica e capacidade para rodear-se dos melhores profissionais, dentro e fora do futebol. Rui Costa não conseguiu. E, por mais que me custe admitir, tudo indica que não conseguirá nunca.

Rui Costa
Fonte: Paulo Ladeira / Bola na Rede

O Benfica não pode continuar refém da nostalgia nem da emoção. O clube precisa de liderança séria, corajosa e preparada. Caso contrário, esta década ficará para sempre marcada como um dos períodos mais sombrios da nossa história.

Perdoem-me o desabafo efusivo e faço votos para que dia 26 de Outubro o Benfica de 2003 volte a ser o Benfica de 1904.

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