Samuel Soares e a disputa pela baliza na Luz | Benfica 3-0 Nacional

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Benfica

O Benfica bateu o Nacional por 3-0 na noite de sábado, num encontro relativo à vigésima quinta jornada. A vitória da turma da Luz foi tranquila, mesmo com Bruno Lage a apresentar uma equipa alternativa. O sistema de 3x4x3 (com Álvaro Carreras na linha defensiva), onde a pressão alta exercida sobre o adversário, resultou na perfeição e os encarnados começaram a construir a sua vitória logo aos 5’, com o golo de Zeki Amdouni, fruto de um erro da linha defensiva do Nacional, que procurou maioritariamente sair a jogar curto, com a participação de Lucas França na construção.

O próprio Tiago Margarido admitiu que os insulares não quiseram perder a sua identidade nesta partida, embora fosse contra um plantel com outros argumentos. Orkun Kokçu e Vangelis Pavlidis aumentaram a vantagem, não desperdiçando grandes penalidades. Não foi uma vitória complicada e o Benfica deu-se ao luxo de fazer uma rotação profunda no seu onze inicial, tendo em vista a partida contra o Barcelona, para a Champions League.

Nicolás Otamendi Benfica
Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

Um dos nomes que acabou por ser lançado por Bruno Lage na partida foi o de Samuel Soares, que se mostrou seguro em todas as intervenções (não foram tantas assim), mas atingiu o seu apogeu no encontro depois de ter parado um penálti, batido por Dudu Teodora, aos 44’. O próprio Tiago Margarido, após o encontro, admitiu que esse momento foi chave para definir o encontro. Não existem dúvidas de que ir para o intervalo a vencer por 2-0 é totalmente distinto do que ir com um 2-1, com o golo sofrido a surgir no marcador poucos minutos antes do árbitro apito. A confiança é totalmente distinta.

Quem acabou por ganhar esta tal confiança foi Samuel Soares, brindado pelos seus colegas com abraços e pelas bancadas, onde os adeptos não mostraram receio em exaltar o seu nome, como já aconteceu com tantos nomes que atingiram a história pelo lado vermelho da Segunda Circular. O jovem português somou mais um jogo sem golos sofridos e foi alvo de elogios de Bruno Lage no final do encontro (tal como Lucas França e Anatoliy Trubin), que se mostrou orgulhoso da prestação do encarnado.

A postura do Benfica com os seus guarda-redes nas últimas semanas é pouco usual no futebol moderno, onde esta posição é claramente a mais estratificada: existe um nome que é titular absoluto, um jogador que pode ser utilizado nas competições menores e um elemento que serve como nome experiente ou que é um jovem promissor. É raro quando a fórmula varia.

Pela Luz, Trubin não deixará de ser (na teoria) o guardião titular, sendo certo que jogará frente ao Barcelona, mas Samuel Soares sabe que está mais próximo do ‘status’ do ucraniano e seguramente vai ter mais oportunidades até ao final da temporada, algo que Franco Israel e Cláudio Ramos (especialmente o segundo) podem não alcançar.

Bruno Lage passa a ter assim dois guarda-redes com o máximo de confiança e que podem provocar uma ‘luta acesa’ pela vaga, com Anatoliy Trubin e Samuel Soares a demonstrarem que contam com valências suficientes para serem titulares, pelo menos a um nível interno.

O luso leva nove partidas em 2024/25 e apenas sofreu dois golos, o que mostra a sua capacidade. Claro que Samuel Soares não joga numa equipa de meio de tabela ou que lute pela manutenção, mas são números respeitáveis, nomeadamente quando à sua frente existe uma linha de defesas que tem sofrido algumas críticas (especialmente António Silva, que cometeu uma grande penalidade contra o Nacional).

Samuel Soares Benfica Nacional
Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

A titularidade do guarda-redes de 22 anos é positiva para todos no universo benfiquista. O jogador é aposta numa temporada em que aparentava estar condenado a mais um ano de suplente. A equipa técnica consegue provocar uma disputa por uma posição que deixa de ter um titular claro e com dois elementos que transmitem confiança (ao contrário do que sucedia no Sporting com os nomes de Franco Israel e Vladan Kovacevic). O clube sabe que tem mais um ativo que pode vir a ser importante para o futuro. Quando chegar ao fim a presença de Anatoliy Trubin na Luz, o Benfica sabe que tem um nome capaz de lhe suceder e que não necessita de um período de habituação, sendo escusada uma ida ao mercado de transferências (até porque André Gomes pode assumir o papel de número 2 sem grandes problemas). Até para o próprio ucraniano, esta afirmação de Samuel Soares no plantel principal está longe de ser negativa, já que concorrência nunca fez mal a ninguém, o que levará Trubin a atingir os níveis máximos.

Se há a certeza de que em Montjuic o nome de Samuel Soares estará na ficha de jogo, mas na zona reservada aos suplentes, na partida de Vila do Conde, marcada para o próximo domingo, não há qualquer tipo de segurança ou indicação de quem será o guardião titular.

Uma disputa entre Anatoliy Trubin e Samuel Soares (que também vê compensados tantos anos de casa) provavelmente não estava nos planos dos adeptos do Benfica no começo da temporada, embora já tenham assistido a algumas passagens de testemunho em outros nas a meio da época. A distância entre os dois nomes não é tão grande como se pensava no mercado de verão. O jogador natural de Sintra até foi associado ao Famalicão, mas acabou mesmo por ficar na Luz e promete dar luta pela titularidade na baliza da Luz nos próximos tempos. Uma situação a acompanhar.

Bola na Rede na Conferência de Imprensa

Bola na Rede: Pergunto se esperava as dificuldades do Nacional no corredor central na primeira parte, tanto na primeira fase de construção, como no momento defensivo? Como tentou resolvê-las?

Tiago Margarido: «Encontrámo-nos com o Benfica fortíssimo, que só depende de si para ser campeão nacional e que está a fazer uma excelente campanha europeia. Contávamos com uma entrada forte do Benfica e eles acabam por chegar cedo ao golo. Tentámos manter o nosso estilo, a nossa matriz emocional, mesmo estando a perder desde o início. Um dos desafios que tínhamos lançado enquanto equipa técnica foi sermos Nacional aqui em casa do Benfica. Penso que conseguimos ser a espaços, conseguimos dividir a posse de bola, criar algumas aproximações com oportunidade de golo. Na minha ótica, o momento antes do intervalo, a grande penalidade que falhamos dita um pouco do que é o desenrolar do jogo. Podíamos ter deixado o jogo em aberto. Em relação às questões de construção, tentámos ser Nacional aqui em casa do Benfica. Obviamente que sabemos os riscos que corremos. O primeiro golo surge de uma ligação que não foi bem feita. Lançamos esse desafio aos jogadores, enquanto equipa técnica, e eles aderiram. Sabemos os custos que podemos pagar».

Não foi concedida uma pergunta ao Bola na Rede na conferência de Bruno Lage, técnico do Benfica.

Ricardo João Lopes
Ricardo João Lopeshttp://www.bolanarede.pt
O Ricardo João Lopes realizou a sua formação na área da História, mas é um apaixonado pelo desporto (especialmente pelo futebol) desde criança, procurando estar sempre a par da atualidade.

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