Publicidade

Se houver 35 é todo deles

Pedro Machado · 3 min

Vê mais Bola na Rede no teu Discover Seguir no Google

sl benfica cabeçalho 1

O amor que se sente por algo ou alguém tem de vir acompanhado de alguma paciência, porque é ela que vai revelar a verdadeira magnitude desse sentimento quando as coisas começarem a correr menos bem.

Uma mulher pode corresponder o amor que se sente por ela, mas se, a partir de certa altura, ela começar a manifestar intenções (assumidamente ou não [como tanto acontece hoje em dia!]) de  privar algum do tempo que o namorado dela passa com os amigos, aí entra em jogo a paciência. O “fugir ou combater”, o acabar a relação ou  aceitar a adversidade e lidar com ela como se de algo normal se tratasse, a “negociação”. Muitos não tolerarão, independentemente da coincidência no gosto musical, da integridade, da auto-estima que ela transmite e contagia ou da letra da copa do soutien dela, outros terão paciência para ver nesse obstáculo uma forma de fortalecer a relação, melhorando em conjunto. Mesmo sabendo que ela estará a fazer algo de errado, lidam com o problema, desculpam, e voltam a amar tanto ou mais como antes. Tudo depende da paixão e/ou do crescimento emocional do “desiludido”.

É possível encontrar um paralelo no que diz respeito a adeptos de futebol e o respectivo clube. Estas micro-interacções acontecem quando a equipa está longe de praticar o melhor futebol e de justificar o investimento emocional que nela é depositado. O jogo aproxima-se do fim e o resultado não agrada. Há adeptos que ficam frustrados com ela, os jogadores passam a ser uns desavergonhados que não merecem o dinheiro que ganham, sem honra nem gratidão para com a camisola que vestem e, supostamente, não suam. Há outros, mais apaixonados, que se mantém  optimistas mesmo com um penalty falhado e a jogar em inferioridade numérica, porque não será com frustração que conseguirão aquilo que será melhor para eles – a vitória. Então apoiam, independentemente do resultado e das circunstâncias do jogo. Querem ver a outra parte da relação (equipa) bem, para que eles também estejam bem e possam celebrar juntos.

Raul Jimenez
Jiménez foi um veículo com duas pernas e 1,90m de altura da crença dos adeptos
Fonte: #SL Benfica

Em Portugal, são raros estes casos de inteligência emocional, mas quando se verificam, tornam o público como o autêntico 1º jogador em campo (e não 12.º). O protagonista, o autor do golo. Claro que ninguém vem da bancada encostar a bola para a baliza, mas a forma como os jogadores sentem a confiança do público tem uma influência tremenda na sua performance, mesmo que as coisas lhes não estejam a correr bem até então.

O último sábado foi exemplo disso. Quem viu da televisão o Académica-Benfica, e sem som, terá pensado, durante grande parte do tempo, e com muita certeza, que estaria consolidado o encosto do líder do campeonato às boxes. O 1-1 persistia e não havia maneira da bola entrar na baliza de Trigueira. Dentro do Estádio Municipal de Coimbra, porém, a história era diferente. Não havia uma alma entre as mais de 20 mil benfiquistas presente que duvidasse de que a equipa iria chegar a vitória. Mesmo perante a inoperância da equipa, e o empate no marcador, aos 79 minutos gritava-se “Dá-me o 35”, aos 83 pedia-se “Benfica campeão” num clima de festa, por entre um ou outro natural roer de unhas, incompreensível a quem não vive o futebol ou a quem não ama a sua causa.

Aos 85, o Benfica já estava a ganhar… e gritou-se ainda mais. Que meteu a bola dentro da baliza? Raúl Jiménez. Mas quem fez acreditar que aquela recepção orientada ia dar-lhe a possibilidade de se isolar e disparar fortíssimo para o fundo das redes foram os adeptos encarnados. Foram eles que deram a volta ao marcador, foram eles que venceram, foi deles que a equipa do Benfica dependeu para levar de vencida a Académica, porque sem eles, nada disso seria possível.

Partindo dessa lógica, independentemente do mérito do trabalho do departamento de comunicação,  da incrível obra criada por Luís Filipe Vieira ou do incontestado feito de Rui Vitória na reabilitação da equipa, o 35, a vir para Luz, será dos seus adeptos. “O título é para os adeptos” – nunca uma frase batida no mundo do futebol fez tanto sentido.

Foto de Capa: SL Benfica

Pedro Machado

Redação Bola na Rede · ver artigos

Continua a ler

as mais recentes
Opinião

Jorge Jesus chegou e Portugal voltou a jogar como uma grande seleção

Quatro jogos, quatro vitórias e um lugar nos quartos de final da Liga das Nações já assegurado. Dificilmente Jorge Jesus poderia ter imaginado um arranque melhor enquanto selecionador nacional.  Mais importante do que os resultados, porém, é aquilo que começa a acontecer dentro de campo. Ainda estamos perante uma pequena amostra, e existem problemas por corrigir (sobretudo defensivamente), mas Portugal parece finalmente uma equipa disposta a explanar todo o potencial que tem.Há mais velocidade, mais movimentos sem bola, mais jogadores a aparecerem entre linhas e menos posse estéril. Depois de uma seleção demasiadas vezes previsível sob o comando de Roberto Martínez, os primeiros sinais da nova era são refrescantes.

Tiago Campos · 4 min de leitura
Ler a crónica

Newsletter Bola na Rede

Estamos a preparar a newsletter do Bola na Rede. Deixa o teu email e és dos primeiros a recebê-la. Sem spam.

Feito. Ficas na lista e avisamos-te quando arrancar.