O último sábado foi exemplo disso. Quem viu da televisão o Académica-Benfica, e sem som, terá pensado, durante grande parte do tempo, e com muita certeza, que estaria consolidado o encosto do líder do campeonato às boxes. O 1-1 persistia e não havia maneira da bola entrar na baliza de Trigueira. Dentro do Estádio Municipal de Coimbra, porém, a história era diferente. Não havia uma alma entre as mais de 20 mil benfiquistas presente que duvidasse de que a equipa iria chegar a vitória. Mesmo perante a inoperância da equipa, e o empate no marcador, aos 79 minutos gritava-se “Dá-me o 35”, aos 83 pedia-se “Benfica campeão” num clima de festa, por entre um ou outro natural roer de unhas, incompreensível a quem não vive o futebol ou a quem não ama a sua causa.

Aos 85, o Benfica já estava a ganhar… e gritou-se ainda mais. Que meteu a bola dentro da baliza? Raúl Jiménez. Mas quem fez acreditar que aquela recepção orientada ia dar-lhe a possibilidade de se isolar e disparar fortíssimo para o fundo das redes foram os adeptos encarnados. Foram eles que deram a volta ao marcador, foram eles que venceram, foi deles que a equipa do Benfica dependeu para levar de vencida a Académica, porque sem eles, nada disso seria possível.

Partindo dessa lógica, independentemente do mérito do trabalho do departamento de comunicação,  da incrível obra criada por Luís Filipe Vieira ou do incontestado feito de Rui Vitória na reabilitação da equipa, o 35, a vir para Luz, será dos seus adeptos. “O título é para os adeptos” – nunca uma frase batida no mundo do futebol fez tanto sentido.

Foto de Capa: SL Benfica

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