SL Benfica 2-0 Rio Ave FC: “Sentido de alívio”, diz Jorge Jesus

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A CRÓNICA: PRESSÃO ALTA NA SEGUNDA PARTE DO SL BENFICA ACABA POR SER PREPONDERANTE

Abram alas para estas duas equipas. A verdade é que este duelo começou com futebol de qualidade: dois conjuntos que jogaram de forma aberta e bonita, mas que, ainda assim, se estavam a saber anular de forma exímia. Estava a ser, por isso, um jogo incerto em que, apesar do ligeiro ascendente dos encarnados, permanecia a sensação de que o rumo do encontro poderia pender para qualquer um dos lados.

Apesar de o Rio Ave FC ter tido o primeiro lance de possível perigo no encontro, é do lado dos encarnados que surge a primeira bola ao ferro. Aos nove minutos, Everton rematou e Kieszek ficou a vê-la passar (a bola). Valeu, ainda assim, o poste aos vilacondenses. Ao longo da primeira parte, a equipa de Miguel Cardoso começou a ameaçar a baliza de Helton Leite. Aos 21 minutos, o guardião das águias foi obrigado a intervir para uma grande defesa depois de um remate venenoso de Carlos Mané. E descobrindo o caminho da baliza, fica sempre tudo mais fácil. Um minuto depois, o Rio Ave volta a causar perigo. Gelson Dala remata ao ferro na sequência de um canto. O angolano fez tudo bem, mas a bola foi parar ao poste.

Depois de uma altura em que a equipa do Rio Ave conseguiu superiorizar-se em termos de oportunidades, tanto em quantidade como qualidade, as águias começaram a responder. Ainda assim, os encarnados não estavam a conseguir ter espaço para avançar no terreno. O Benfica dos minutos iniciais acabou por esmorecer. Principalmente a partir do momento em que o conjunto de Vila do Conde começou a acertar os posicionamentos. Aí, o Benfica viu-se com muitas dificuldades para conseguir acelerar. Algo que a equipa de Miguel Cardoso ainda conseguiu fazer, sobretudo no final da primeira parte. O Rio Ave acabou o primeiro tempo por cima e só não se colocou em vantagem porque faltou cabeça na frente de ataque.

Já na segunda parte, as águias mostravam que não se contentavam com o empate e conseguiram ter mais presença na área adversária. Estavam a ter espaço nessa zona e até algum tempo para decidir, mas as hesitações acabaram por levar a más decisões na frente de ataque. Mas aos 60 minutos tudo se resolve por intermédio de Seferovic que aproveita um corte defeituoso de Aderllan.

O Rio Ave ainda tentou responder ao golo das águias, sobretudo depois das primeiras substituições. Guga e Anderson Cruz entraram para dar aquilo que os vilacondenses tiveram na primeira parte que não estavam a conseguir manter na segunda: velocidade. Mas, ainda assim, a pressão alta dos jogadores do Benfica na primeira fase de construção, a paciência em momentos com bola e o maior critério por parte do conjunto encarnado acabou por ser decisivo para a vitória e até para dilatar a vantagem no marcador. Aos 78′, Pizzi marcou o segundo para o Benfica. Depois de uma bela jogada, Everton consegue “ajeitar” a bola para o médio que remata forte, ainda fora da área, e faz abanar o fundo das redes de Kieszek.

 

A FIGURA

Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Everton Cebolinha – Deixou água na boca dos adeptos depois daquele lance aos nove minutos. O poste atraiçoou o jogador, mas este vingou-se minutos depois com as assistências que prestou para os dois tentos do Benfica.

 

O FORA DE JOGO

Início da segunda parte do Rio Ave FC – Não soube “replicar” o que mostrou ser capaz de fazer na primeira parte. Sobretudo no início do segundo tempo. A equipa vilacondense acabou por pagar caro o mau regresso dos balneários, tendo estado esta postura alienada a um Benfica que veio do intervalo decidido a conquistar os três pontos.

 

ANÁLISE TÁTICA – SL BENFICA

Com as lesões de Darwin e Vertonghen, Jorge Jesus apostou em Jardel e Waldschmidt neste onze inicial. Em relação ao duelo frente ao Arsenal FC para a Liga Europa, Pizzi deixou de fazer parte das contas neste início de jogo para dar lugar a Everton.

Num 4-4-2, o Benfica voltou à sua habitual defesa com dois centrais depois de ter apostado num trio frente aos ingleses. As águias estiveram algo apagadas na primeira parte. Tiveram mais bola, é verdade, mas não estavam a conseguir definir bem o último passe.

No segundo tempo, o Benfica entra melhor, com mais critério nos momentos com bola e teve mais paciência para decidir. Alienado a isto, exerceu também uma pressão alta logo na primeira fase de construção da equipa de Vila do Conde. Uma pressão que acabou por surtir efeito e a prova disso são mesmo os golos marcados pelos encarnados.

 

11 INICIAIS E PONTUAÇÕES

Helton Leite (7)

Grimaldo (6)

Lucas Veríssimo (6)

Everton (8)

Waldschmidt (5)

Seferovic (7)

Diogo Gonçalves (6)

Rafa (5)

Weigl (7)

Jardel (6)

Taarabt (6)

SUBS UTILIZADOS

Pizzi (7)

Chiquinho (6)

Cervi (-)

Gabriel (-)

Gilberto (-)

 

ANÁLISE TÁTICA – RIO AVE FC

O Rio Ave FC apresentou apenas uma alteração relativamente ao onze inicial do último jogo: por castigo, Nélson Monte deu lugar a Costinha na lateral direita. Num 4-3-3, o conjunto de Miguel Cardoso mostrou-se fiel a si mesmo. Procurou ter bola e procurou explorar terrenos avançados fazendo-se valer da velocidade que tem na frente. Nos minutos iniciais, esta forma de jogar permitiu algum espaço que foi aproveitado pelos encarnados. Mas assim que a equipa vilacondense conseguiu alinhar os posicionamentos, viu-se um Rio Ave em crescendo, a criar muito perigo a Helton Leite e a conseguir controlar a posse de bola encarnada. Os visitantes estavam apresentar um bom poder ofensivo e estavam a conseguir executar boas combinações na frente. Por sua vez, o Benfica ia mostrando dificuldades ao chegar perto da área adversária e a evidenciar algumas lacunas no último passe.

Já na segunda parte, o Rio Ave mostra mais dificuldades em ligar o seu jogo, logo em terrenos mais recuados devido à pressão alta e eficaz dos encarnados. Miguel Cardoso aposta ainda em Guga para a saída de Francisco Geraldes, de forma a tentar potenciar este jogador que encaixava melhor na transição. O Rio Ave ainda conseguiu chegar na frente em alguns momentos, mas não com o mesmo ímpeto da primeira parte e também sem conseguir resolver.

 

11 INICIAIS E PONTUAÇÕES

Kieszek (6)

Filipe Augusto (6)

Borevkovic (7)

Gelson Dala (6)

Francisco Geraldes (5)

Pelé (4)

Costinha (5)

Carlos Mané (7)

Aderllan Santos (6)

Sávio (6)

Camacho (7)

SUBS UTILIZADOS 

Anderson Cruz (6)

Guga Rodrigues (6)

Gabrielzinho (-)

 

 

BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA

SL Benfica

Não foi possível colocar questões ao técnico do SL Benfica, Jorge Jesus

Rio Ave FC

BnR: Acabou de dizer que faltou calma aos jogadores do Rio Ave na fase de construção, principalmente na segunda parte. Pergunto-lhe se a pressão alta do Benfica desde logo nessa mesma fase de construção acabou por ser fatal para o resultado desta noite.

Miguel Cardoso: É uma boa questão porque muitas vezes as pessoas pensam que as equipas que têm uma determinada filosofia, que se ligam muito à gestão do “sair”. Eu, pelo menos, o que procuro é que a equipa tenha soluções para jogar: quer mis curto, mais largo, por dentro, por fora. E que tenha a capacidade também de decidir o que é que deve fazer mediante o contexto. Essa capacidade de decidir em função do contexto também se treina. E também se falha e se acerta. Eu acho que houve algumas decisões nessa altura de jogo que não foram, de certeza absoluta, as melhores. E principalmente quando a equipa está em crise, há que ser mais prático a jogar. Devemos encontrar uma solução que seja pelo menos mais confortável para nós. Como disse, isso é possível de ser treinado para que efetivamente em todos os momentos possamos decidir mediante o contexto.

 

Inês Marques Santos
Inês Marques Santoshttp://www.bolanarede.pt
A Inês é licenciada em Jornalismo. A experiência do Bola na Rede veio juntar duas coisas de que gosta de fazer: escrever e ver futebol. Desde nova que quer entrar no mundo do jornalismo desportivo e espera um dia conseguir marcar o seu lugar no mesmo.

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