SL Benfica | O Terceiro Anel em tempos de pandemia

- Advertisement -

Haverá tradições democráticas até mais exemplificativas da necessidade da confluência de ideias na obtenção de maiores méritos, mas, em contexto português, o SL Benfica é o clube de maior índole democrática, livre, de saudável associação e sentido crítico de uma massa adepta leal mas nunca acomodada. Ou pelo menos assim foi durante décadas, sobretudo no contraste sempre vincado durante os 41 anos de ditadura exaustiva do Estado Novo.

O SL Benfica foi sempre o núcleo que aproximou gentes de todas as classes sociais no debate diário na procura dos sucessos da instituição, verdadeira catarse quanto às agruras da vida. Os maiores ídolos foram, também e principalmente eles, vítimas de escárnio e injustiças várias. A principal dificuldade em ser jogador do SL Benfica era muitas vezes de carácter emocional, onde a constante pressão desaguava em ditado que sintetiza essa problemática, “a camisola pesa!”. Vencer e honrar o símbolo ao peito era e continua a ser essencial para garantir a tranquilidade perante tão interessada falange de apoio.

Corria o ano de 1970, Jimmy Hagan tinha acabado de chegar à Luz e José Augusto tinha sido recuado a adjunto, já depois de se assumir como treinador interino aquando da demissão de Otto Glória. O Sporting CP tinha interrompido novo “tri” benfiquista no Campeonato Nacional, como foi apanágio nos anos 60, e as coisas tinham piorado com o adeus precoce na Taça dos Campeões, consequência do afastamento nos oitavos depois da moeda ao ar escocesa (3-3 no agregado vs Celtic FC), que ditava um período conturbado num clube habituado a grandes êxitos.

Mário Coluna tinha sido empurrado para Lyon, Eusébio só renovou a muito custo depois de intensas negociações com Borges Coutinho (o SL Benfica cedeu às exigências da Pantera Negra, que se cifravam nos 4000 contos em dinheiro ou géneros, pouco quando comparado com a oferta bombástica da Juventus FC – 16 000 para ele, 7000 para o clube) e o treinador inglês não mostrava ainda as credenciais que levaram à invencibilidade de 1972-1973.

Os adeptos do SL Benfica têm demonstrado a sua insatisfação face ao desempenho da equipa
Os adeptos do SL Benfica têm demonstrado a sua insatisfação face ao desempenho da equipa
Fonte: Página de Facebook – Rua Vieira

Tantas peripécias levavam os benfiquistas a mostrarem cabedal e a puxar pelo brio da equipa na Assembleia Geral de Dezembro de 1970: «Profissionais de quê? Sueca ou Bacaulhazada?», era o grito de ordem. Consequentemente, ou não, quase na viragem do ano recebeu-se o campeão verde e branco na Luz. Ao fim de hora e meia, fechou-se o placard com 5-1.

Contextos conturbados que se foram repetindo ad eternum na história encarnada, na maioria das vezes terminados por abruptas mudanças na perfomance das equipas, balanceadas pelo impacto da simbologia do Terceiro Anel. Era virada para lá que era feita a vénia a meio-campo no início de cada partida, gesto especial herdado dos japoneses depois de uma digressão (nesse mesmo Verão de 1970) e implantado pelo capitão António Simões, hábito entretanto perdido no tempo.

Infelizmente, já que era sinal desse intercâmbio entre atletas e público, magnânimo nas suas avaliações e timings de apoio, mas responsável por grande parte do espírito competitivo que a equipa demonstrava nas alturas cruciais. Vítor Paneira recordou, há bem pouco tempo e aos microfones do podcast #BenficadeQuarentena, projeto do Benfica Independente, essas sensações:

«Entrar no Estádio da Luz, quando se subia o túnel para entrar em campo, era uma coisa que nos arrepiava todos. Começávamos a subir as escadas (…) e olhávamos de frente para o terceiro anel e aquilo assustava! Entrávamos, (…) fazíamos a vénia: baixávamos a “cabecinha” todos ao mesmo tempo e contávamos até três… e aquilo entrava em erupção. Quando a gente se dirigia para eles, era uma coisa que contagiava tudo, era ali que se começava logo a vencer o jogo. Depois íamos à zona dos camarotes, quase ali até ao meio-campo. Mas o respeito, apesar de ser o mesmo, ir ao outro lado é que fazia toda a diferença».

Pedro Cantoneiro
Pedro Cantoneirohttp://www.bolanarede.pt
Adepto da discussão futebolística pós-refeição e da cultura de esplanada, de opinião que o futebol é a arte suprema.

Subscreve!

Artigos Populares

Jorge Jesus lamenta falta de reforços no Al Nassr: «A capacidade financeira não o permite»

Jorge Jesus lamentou ausência de movimentos no mercado. Al Nassr ainda não oficializou qualquer reforço nesta janela de transferências.

José Mourinho: «Eu não me esqueço da maioria dos jogos que temos feito fora de casa»

José Mourinho analisou o desfecho da jornada 18 da Primeira Liga. O Rio Ave recebeu o Benfica no Estádio dos Arcos.

Sotiris Sylaidopoulos: «Perdemos contra uma boa equipa»

Sotiris Sylaidopoulos analisou o desfecho da jornada 18 da Primeira Liga. O Rio Ave recebeu o Benfica no Estádio dos Arcos.

Leandro Barreiro: «Hoje foi o primeiro passo e agora é seguir em frente. O nosso objetivo é ganhar todos os jogos»

Leandro Barreiro analisou o desfecho da jornada 18 da Primeira Liga. O Rio Ave recebeu o Benfica no Estádio dos Arcos.

PUB

Mais Artigos Populares

Eis os 5 destaques do Rio Ave x Benfica da 18ª. jornada da Primeira Liga

O Benfica derrotou o Rio Ave por 2-0 na 18ª. jornada da Primeira Liga. Confere os destaques do encontro disputado no Estádio dos Arcos.

Benfica derrota Rio Ave no Estádio dos Arcos e reduz distâncias para o Sporting na Primeira Liga

O Benfica derrotou o Rio Ave por 2-0, em jogo da 18ª. jornada da Primeira Liga. Encontro disputado no Estádio dos Arcos.

Marselha aplica nova goleada: eis os resultados do dia da Ligue 1

O Marselha goleou fora o Angers por 5-2 na jornada 18 da Ligue 1. Fica com todos os resultados do dia da Liga Francesa.